quarta-feira, 28 de fevereiro de 2007

Classificados da Ostra - Paulo B.

Urgente! Preciso de um neurónio

Preciso urgentemente de um neurónio. Já não consigo enganar ninguém fazendo-me passar por "jovem treinador ambicioso, competente e tranquilo" e estou a ficar à rasquinha. Ofereço em troca os préstimos desportivos de alguns jogadores que me pareceram bons, não sei porquê: "Pipi" R. e C. Bueno. Agradeço resposta antes do jogo com a Académica para a Taça de Portugal.
Depois poderá ser tarde e ainda contratam para o meu lugar esse chorãozinho do J. Peseiro, que a par do Luís Campos, é o único gajo mais incompetente que eu.

Classificados da Ostra - Jaime P.

Vendo juelho para comprar meia dúsia (5) de neurónius

Fui jugador de futebol (ao contrário de uns e otros) durante muntos anos. Não fumo e bebo sussialmente mas é só verde tinto.
Ambos os dois juelhos estão a funssionar bem purque quando jugava era comó Petit: "até ao pescosso é canela". Pressizo dos neurónius purque sou do Norte e como gánhei munta coisa e sou do norte não me deicham sair daqui (ao contrário de uns e otros que á minha beira não são nada). Oferesso um livro de técnicas de combate de rua e Kempo Contact que dão jeito para jugar á bola. Também oferesso um CD Best Of dessa grande banda dos Eities que forão os Ban. Não se asseitam neurónius de duentes mentáis purque posso ser pobresinho mas çou teimôzo.

segunda-feira, 26 de fevereiro de 2007

Visita de um Serial Killer

Uma das coisas boas de ter um blog onde partilho regularmente com outras pessoas opiniões pessoais tão valiosas como uma arca congeladora no Pólo Sul, é o feedback que muitas vezes recebo de quem lê o que eu escrevo. Refiro-me, como é óbvio, aos comentários que me são deixados por pessoas de todas as idades, raças, credos, sexo, altura, preferências sexuais e alimentares, que atingem neste momento a astronómica quantidade de quatro. É verdade. Quatro comentários em duas semanas de existência… Já não tenho mãos a medir e peço desculpa se não responder com a rapidez desejada, mas prometo que os vou ler todos… Os quatro…
Para ser completamente franco, esperava que por esta altura já se amontoassem neste blog comentários de miúdas ansiosas por saberem quem eu sou, onde vivo e se sou gay. Esperava ter já uma monstruosidade de comentários com nomes, endereços de e-mail, números de telefone e respectivas horas em que seria mais seguro ligar, endereços de habitações, de locais de trabalho e do Hotel Ibis mais próximo. Como devem calcular, muito me espanta o facto de ao fim de duas semanas, ainda nada… Mas já agora, aproveitava esta oportunidade para pedir que enviassem também uma foto de corpo inteiro, em bikini, as medidas, preferências sexuais – sexo convencional, tântrico, oral/outros, com a luzinha apagada e os lençóis puxados para cima, etc. Já agora agradecia que enviassem também um pequeno historial onde constasse: o número de parceiros dos últimos dois anos e respectiva raça, religião, filiação política e clubista, se tiveram algum tipo de doença, se estariam dispostas a dormir com outras mulheres, quantas e se gostariam de enveredar por uma carreira de cinema experimental completamente amador.
Às candidatas que dormiram com adeptos do Futebol Clube do Porto e simpatizantes do CDS-PP exige-se atestado médico porque, ao contrário do que afirma a crença popular, lavadinho não é como novo! É é mais higiénico.
Aquelas cuja lista ultrapasse a medida de um rolo de papel higiénico, nem vale a pena tentarem… A não ser que tragam um esfregãozinho Bravo e um bocadinho de Água-Rás…
Ora, posto isto, uma das mensagens que me deixaram a semana passada, deixou-me deveras intrigado. Era uma coisa curta, telegráfica e sem ponta de emoção, de alguém que eu não conhecia: “hello”, seguido do endereço de um blog.
Levado pela curiosidade, cliquei em cima do endereço, que parecia gritar, arfando de ansiedade: “Clica-me! Já! Como se não houvesse amanhã!
Fui de imediato arrastado por uma espiral onde o tempo parecia não existir, onde os segundos se tornaram minutos, os minutos tornaram-se horas e as horas tornaram-se dias…
Liguei para o serviço que me fornece a internet, mas deviam estar a almoçar e aguentei-me à bomboca com a lentidão.
Quando voltei a mim, encontrava-me num sítio escuro e bafiento, pintado de um verde mais enjoativo que a gravata do Paulo Bento e de onde esperava ver saltar, a qualquer momento, alguém com o mesmo penteado. Encontrava-me num blog escrito em inglês com o sugestivo título “Memoirs of a loser”, que em Português se poderia traduzir por “Memórias de um falhado” ou “Memórias de um perdedor”, conforme o contexto, o que me levou de imediato a concluir que me encontrava no blog de José Peseiro. Mas como nunca me constou que Peseiro dominasse tão bem o inglês, e o Mário Soares dá mais é no Francês, concluí que me encontrava no blog de um cidadão anónimo, com falta de auto-estima. De facto assim era. Anthony the loser era o seu nome, mas doravante referir-me-ei a Anthony utilizando o velho comodismo lusitano: Toni o falhado, ou só Toni.
Percorrendo aleatoriamente os seus textos, deparei-me com uma mente perversa como vi poucas na minha vida - ”Hello, my name is Anthony (Anthony is my middle name) and I'm a loser. I'm also a liar, a cheater, a thief, a coward, a con man, a stalker, a weirdo, and a criminal. Though I've never killed, robbed, molested, or raped anyone, I've done some awful and evil things in my life. I could have easily been imprisoned for some of the stuff I've done and prison, I fear, is someplace I'll soon be calling home.”. Que me dizia Toni? Que é um falhado. Que nunca matou, roubou nem violou, mas que a choldra será, provavelmente o seu próximo lar. Aqui assustei-me. Nunca matou, mas se calhar andava a matutar nisso… E continuava com o sórdido auto-retrato: “I'm a thirty four year old male who's never been married or had any kids, at least none that I know of.” 34 anos e nunca casou nem teve filhos. Muito tempo livre… Demasiado… “I'm currently working as a limo driver.” Trabalha como motorista de limusines. Montes de espaço na bagageira… Gritei! Em pânico! “O que é que ele quer de mim?” pensei. A minha imaginação esforçou-se por arranjar uma solução que me mantivesse vivo, mas a única coisa que via era um tipo enfiado numa cave escura, em boxers e camisola de cavas branca, sentado ao computador, percorrendo a blogosfera, em busca de vítimas inocentes e ingénuas, como eu, que caissem na sua armadilha. Provavelmente o meu computador já estava minadinho de vírus e ele já sabia tudo sobre mim. Arrepiei-me ao pensar que já teria vasculhado a pasta de 3,7 Gygas, com o nome XXXX que guardo no mais recôndito canto do meu disco rígido. Provavelmente já me andava a seguir há meses, estudando os meus hábitos e rotinas, e preparava-se agora para o golpe final. Imaginei-o a arranjar espaço no congelador, entre os restos das suas outras vítimas possuidoras de blogs, para me guardar a mim, depois de me matar com requintes de malvadez e me cortar aos bocados. “Não!” - gritei num ímpeto de vontade de viver - “Não serei fatiado e embrulhado em papel de alumínio!”.
Mas não dependia de mim. Tinha sido marcado por um tipo cruel chamado Toni o falhado, que nunca matara ninguém mas parecia disposto a começar. Se não, por que raio de carga de água havia ele de colocar um comentário num blog em que não entendia ponta de corno?
Dirty clothing, rotting food, crumpled papers, plant leaves, a black futon mattress, a dirty worn out blanket, a dirty white pillow, dirty dishes, carpet stains, a cheap uncomfortable green rug, old newspapers, garbage bags, smelly shoes, pop cans, soda bottles, fast food wrappings, a black briefcase, plastic storage tubs, cell phones, working and nonworking pens, unidentified stuff underneath stuff, welcome to my "bedroom".
Estas são as condições em que vive. Digam lá se não faz lembrar o “Silêncio dos Inocentes”?
Aposto que é travesti amador às terças feiras! Quem não entendeu e está à espera da tradução, arranje a porra de um dicionário! Não vou passar os últimos momentos da minha gloriosa existência, em que até me voluntariei para ajudar refugiados romenos e só não me quiseram porque eu tinha pior aspecto que eles e podiam sentir-se tentados a pegar-me ao colo para mendigar, a fazer de tradutor!
Mais abaixo admitia ter perseguido uma mulher durante catorze anos! Catorze! Já ninguém faz isto! Existe a internet, a pornografia, e o Amor com transacção comercial. Catorze anos! Qual terá sido a parte do “Fuck off” que o gajo não entendeu? É pior que eu! Eu ao menos desisto quando elas vão à casa de banho e não voltam… A última vez que este gajo deu uma deve ter sido no tempo do escudo. Se é que não é virgem…
Que maneira inglória de lerpar. Às mãos de um masturbador: “I cannot even begin to guess how many times I've self pleasured myself throughout my entire life though the number has got to be astronomical.”. E continuava, como se alguém quisesse saber: “For example, the numerous days when I self pleasured myself more than twenty five times a day, I kid you not, and still wanted to do it more!”. Vinte e cinco vezes por dia. E ainda lhe apetecia mais! Espero que ao menos tenha Kleenex em casa... Porquê eu? O que lhe terá chamado a atenção no meu bloguinho? A imagem lá de cima? Ele tem algum fetiche com gajas e bivalves? Também eu! Mas não é por isso que ando a vaguear na internet, de rato na mão, armado em Hannibal Lecter...
Admite não lavar os dentes, e tem problemas intestinais. A minha morte vai ser horrenda…
Digam à minha mãe que fui um bom cristão. Que vivi honradamente, não apanhei as doenças das mulheres da má vida e, à excepção daquele fim de semana na Serra da Estrela, em que fez um frio do caraças e não arranjei daquelas ceroulas em lã de ovelha, nunca fiz sexo com animais.
Since the age of eighteen I've spent almost every dollar I've ever earned on female entertainers such as strippers, hookers, and adult masseuses.” Esta declaração constitui, muito provavelmente, a derradeira luzinha amarela no seu coração negro como a barriga de uma baleia. Existe uma réstia de normalidade e laços sociais na mente perversa e sociopata de Toni o falhado, que nunca matou mas que eu tenho quase a certeza, está prestes a começar: quase todo o dinheiro que ganhou, gastou-o em “ajuda profissional para os gajos que não conseguem facturar, mesmo que elas se embebedem e os seus padrões sejam tão baixos como a barriga de um jacaré”. Afinal não é virgem…
Então porquê vinte e cinco vezes ao dia?
Tudo o que possuo neste mundo – os 3,7 Gygas de XXXX – deixo-o à ordem de Santa Teresinha do XXXX, em Ponta Delgada. Se não existir, criem-na!
Gostava de ser enterrado com uma bonita lápide em mármore, com um texto que enaltecesse as minhas virtudes e que não fosse escrito por nenhuma das mulheres com quem dormi, para não perpetuar o meu embaraço. Isto claro, se encontrarem algum pedaço meu. Se encontrarem e for pequenino, digam que é o dedo mindinho do pé...
Espero que alguém leia isto antes de Toni o falhado que nunca matou mas que eu tenho quase a certeza, está prestes a começar e eu devo ser o primeiro da lista, apague do meu computador todos os vestígios do seu horrendo crime.
Espero que a minha morte não se torne num enigma da nossa História recente, a juntar ao assassinato de JFK, ao desaparecimento de Jimmy Hoffa ou ao campeonato ganho pelo Benfica em 2005.
Espero que um de vocês os dois leia isto e faça cumprir as minhas últimas vontades.
Vá lá porra! Nem quando eu estou prestes a ser assassinado?


Depois deste brutal e comovente testemunho, nada aconteceu.
O autor continua vivo e de boa saúde, à excepção de umas ocasionais crises de Distúrbio de Personalidade.
Toni o falhado, que nunca matou mas que o autor tinha quase a certeza que estava a pensar nisso e a malta não sabe se chegou efectivamente a começar, nunca foi apanhado e continua a monte.
Masturba-se vinte e cinco vezes por dia e pode ser visitado em http://www.memoirsofaloser.blogsource.com.
Aconselha-se cuidado.

O autor continua a escrever, espalhando todo o talento que julga possuir.
Continua à espera que os outros dois concordem com essa opinião.
Os comentários no seu blog ascendem neste momento a cinco.
A sua pasta XXXX ascende já aos 4,8 Gygas.

sexta-feira, 23 de fevereiro de 2007

Pausa para compromissos informativos - Tem a palavra o Homenzinho Verde (II)

Departamento Médico do Benfica vai cobrar Taxas Moderadoras aos atletas

A revolta tomou conta dos balneários do Estádio da Luz. O Benfica parece apostado em nivelar a qualidade dos serviços prestados pelo seu departamento médico à que é prestada pelo Serviço Nacional de Saúde e Hospitais Públicos. Para além dos erros de diagnóstico e da fraca eficiência a que já habituou os seus utentes, prepara-se agora para introduzir o pagamento de taxas moderadoras. Esta decisão, que tem tanto de inédito como de polémica, surge na sequência do estudo que consagrou o Benfica como o 20º clube mais rico do mundo.

«A gente aqui no Benfica temos muntas despesas», esclareceu fonte próxima da direcção encarnada. «Uma das coisas que aprendemos com este governo foi a apertar o cinto. E não foi só na compra de jogadores, como o Beto, o Marco Ferreira e o Katsouranis. Cortámos nas coisas que davam mesmo despesa, como a educação, a saúde e os pagamentos às Finanças. Se nós queremos continuar a fazer parte do lote dos mais ricos, temos de fazer sacrifícios necessários. Na educação já está: a maior parte dos nossos atletas não articula uma frase completa, como podem constatar nas flash-interview. Alguns já nem sequer sabem dizer o resultado se a equipa marcar mais de três golos. Se bem que é raro isso acontecer». A seguir, os cortes são no Departamento Médico. «Tivemos munto prejuízo nos últimos anos com o Sokota, o Mantorras, o Rui Costa, o Miccoli e por aí fora. Só em peças… Fora as substâncias ilegais, que como se sabe, são sempre mais caras, e respectivos mascarantes para disfarçá-las. Tivemos de começar a cobrar uma quantia simbólica para ajudar a pagar as contas. Os Kits de sócio foram o que se sabe… Temos pessoas a pedir o reembolso. Pensámos em fazer rifas, mas o Nuno Gomes e o Simão recusaram-se, e como são os capitães… Fugir às finanças, só, não chegava, e já estamos a perder a esperança de vender o Mantorras, pelo menos por 18 milhões…»

Contudo, os atletas - que preferiram manter o anonimato - não estão muito satisfeitos com esta invasão aos seus bolsos: «Não sei o que pretendem eles com isto», desabafou Rui C. «Fui emigrante uma série de anos e nunca vi isto acontecer. E olhe que a Itália é o país dos mafiosos. Ainda por cima, vou ter de pagar o meu rico dinheirinho para ser mal diagnosticado. Tinha saúde para dar e vender, e veja lá agora. De cada vez que espirro, pimba! rasgo logo um tendão ou um músculo», terminando a sua intervenção com um visível descontentamento na voz. «Se eu soubesse tinha festejado a porcaria do golo que marquei a estes gajos», enquanto segurava um cartaz com a foto do actor Hugh Laurie, com a inscrição «Dr. House para o Benfica, Já!».

Igualmente insatisfeito mostrou-se Pedro M. «Pensava que tinha visto tudo em Angola, mas isto é do pior boy. Yá, ´tou no estaleiro há bués, não tratam um mano, e agora ainda querem guita. Não se faz. A seguir é o quê? Vou ter de me levantar às 6 da manhã para tirar senha e depois ficar 4 horas na seca? E o que eu gasto em gasolina para o bote? Mas disseram-me que estão isentos os Pensionistas de doença profissional com o grau de incapacidade permanente global superior a 50 %. Vou ver se pega. Pode ser que tenha mais sorte do que com a caneta correctora no passaporte». E concluiu, enquanto ajeitava o boné que lhe servia de disfarce: «Um brother tem que ser vivo».

Contactado por telefone, o ex-atleta encarnado, Manuel F., que conseguiu fugir para Inglaterra, não se mostrou surpreendido com esta novidade: «Eu fui operado, mas não me deram sequer tempo para recuperar. Por pouco não tive de fugir para Espanha num contentor, para poder ser tratado. Nem sequer há consultas de especialidade, o Rodolfo Moura é que trata de tudo. O Petit precisava de terapia da fala e puseram-no a ver vídeos antigos da Edite Estrela. Espero que o meu amigo Luisão se consiga baldar daí para fora, senão o problema do vinho pode agravar-se. Eles são muito espertos. Ouvi dizer que até convenceram um italiano que lá anda a aceitar Tickets Restaurante como parte do ordenado, só porque o rapaz está sempre aleijado e não pode correr. Pudera!».

Por: Homenzinho Verde que vive na minha cabeça

Pausa para compromissos informativos - Tem a palavra o Homenzinho Verde (I)

Live Trancão

O dirigente da Quercus Francisco Ferreira irá anunciar em breve a produção de um mega espectáculo em Portugal. Só não o terá feito ainda porque «poderia parecer uma cópia manhosa do Live Earth, assim do género Rex, o cão polícia e o Inspector Max».

O evento que terá a designação de «Live Trancão» será, ainda segundo as palavras de Francisco Ferreira, «uma produção mais super, hiper, mega, ri-gigantesca que a passagem de ano no Terreiro do Paço». Ao que se conseguiu apurar, este evento pretende sensibilizar a Humanidade para os problemas decorrentes dos níveis de poluição do rio Trancão, e consistirá numa série de concertos simultâneos, que decorrerão em palcos montados ao longo do Rio Trancão, desde Mafra a Sacavém, e que serão transmitidos em directo para todo o continente e ilhas, «excepto se o Dr. Alberto João Jardim ganhar estas eleições... Nesse caso mandamos para a Madeira uma cópia em VHS».

Para isso, estão já garantidos apoios de várias Câmaras Municipais, entre as quais as de Bobadela, Sacavém, São João da Talha, São Julião do Tojal e Bucelas, que irão disponibilizar os palcos das suas feiras de Agosto para o evento.

Este mega espectáculo terá lugar em meados do próximo Inverno «porque as melgas e os mosquitos são terríveis no verão, e nós não pretendemos iniciar epidemias ou sezões», algures durante a maré-alta. Ainda não existe um cartaz definitivo, mas é já certa a presença do come-back do ano em Portugal, José Cid. A Mãe do rock português deverá mesmo ser o cabeça-de-cartaz no palco Bobadela.

Outros nomes já confirmados são Roberto Leal e Padre Borga, que dividirão o palco São Julião do Tojal, Suzy Paula e o seu camelo Areias no palco Sacavém, António Manuel Ribeiro, José Figueiras e o seu Rock Tirolês, Ronalda, Fernando Girão, o Pequeno Saul e, espera-se, alguma ex-Doce que acompanhe Fernando Gama ao piano, «porque já não há tempo para mandar desenhar um palco que aguente com a Valentina Torres».

Ainda segundo Francisco Ferreira, este desvio da agenda internacional, tem uma explicação lógica: «Não faz sentido falar do aquecimento global em Portugal, quando nos últimos anos tem feito um griso do caraças. Mesmo que as calotas polares derretessem por aí abaixo, tornavam a congelar assim que chegassem ao Mar da Palha».

A apresentação do evento ficará, ao que tudo indica, a cargo Luís Pereira de Sousa, Serginho, Cláudio Ramos e «aquela senhora que apresentava os Jogos Sem Fronteiras».

Fora de questão parece estar Margarida Pinto Correia a comentar a transmissão televisiva porque «no Live Eight só dizia bacoradas e nem pronunciava correctamente o nome do evento. Provavelmente vamos optar pelo Nuno Rogeiro, que entende um pouco de tudo».

Por: Homenzinho Verde que vive na minha cabeça

quinta-feira, 22 de fevereiro de 2007

SMS. Quem não os lê?

Um dos meus hobbies favoritos sempre foi a leitura. Desde que era apenas um petiz, de nariz sujo e joelhos esfolados, correndo atrás das meninas para lhes levantar as saias e puxar os totós, que adoro ler. Cartazes, outdoors, matrículas, carteiras de fósforos, bulas de medicamentos, ementas no restaurante, jornais e revistas de todo o género, livros e outras coisas que tenham letras, inclusive aquela canja com massinha de letras que a minha mãe fazia. É claro que este gosto não surgiu assim de repente, do género Deus à Virgem Maria: ”Olá giraça… ´Tás boa? Então toma lá…” e passados nove meses foi o que se viu. Não. O meu gosto pela leitura foi crescendo gradualmente. Primeiro os livros do Tio Patinhas, depois os já clássicos “Uma aventura”, “Os Cinco”, “Victoria´s Secret” e “Catálogo La Redoute”. Com o passar dos anos, à medida que cresci e amadureci, os meus gostos evoluiram naturalmente: Miguel Esteves Cardoso, Mário de Carvalho, Eça de Queirós, Maxmen, Hemingway, Steinbeck, revistas de "Fotografias artísticas de nús femininos", e o meu favorito, Gabriel García Márquez. Ocasionalmente ainda dou uma mirada ao “Victoria´s Secret” e aos artigos de opinião do Nuno Rogeiro. Mas muito esporadicamente… Gosto mesmo muito de ler. E escrever. Agrada-me que as pessoas possam saber o que penso sem ter de falar com elas e aturar os seus olhos esbugalhados, fixos em mim, como quem diz “se te aproximas juro que te espeto a chave do carro na traqueia!”, sempre que exponho os meus pontos de vista. Por isso escrevo neste espaço que vocês dois visitam com alguma regularidade. Eu sei que não escrevo com a mesma profundidade de uma Margarida Rebelo Pinto, mas também não cometo a barbaridade de cobrar dinheiro para que alguém leia o que escrevo, não é?
A democratização dos espaços de opinião foi a melhor coisa que podia ter acontecido depois do enorme talento da Soraia Chaves.
Mas desde há alguns anos para cá, surgiu um tipo de leitura que, francamente, é aquela que mais me seduz e inspira. Não. Não são os classificados do “Correio da Manhã”, se bem que essa também não seja uma leitura de desprezar…
Aquilo que eu mais gosto de ler actualmente são os SMS de Rodapé, que passam nos programas de televisão, do Goucha à Fátima Lopes.
Que fabulosa invenção! Quem teve essa brilhante ideia devia, pelo menos ser nomeado, já não digo ganhar, mas nomeado para o Nobel da Literatura. Perco horas a ler as mensagens que passam naquelas barras azuis e cor de rosa. Deliro com cada letra, cada palavra, cada oração mal construída e cada erro ortográfico, como se fossem meus. E emociono-me com o conteúdo… Alegro-me quando é caso disso… Preocupa-me realmente se a Tininha de Moimenta da Beira conseguiu finalmente encontrar a “colega Inês que foi da minha turma em 1987 na escola S. Julião”. Ou se o J. P. Fragoso conseguiu que o seu pai, que ele não vê desde 1996, ligasse para o número que passou a uma velocidade estonteante.
Mas nem só de desencontros vivem os SMS de Rodapé. Alguns são bem amorosos: “É só para dizer ao Tó que ele é o homem da minha vida”, diz A. C. de Lisboa. É algo de verdadeiramente inspirador. Note-se que a A. C. não se declarou pessoalmente ao Tó. Ela usou um megafone, e gritou para quem quisesse ouvir, na esperança de que alguém fosse dizer ao Tó que ele é o Homem da sua vida, assim do género: “Eh pá, se o virem digam-lhe que ele é o Homem da minha vida!”, “Oh Tó! Sabes que és o Homem da vida da A. C.?”, “O quê? Não me digas!..” E que dizer do arrebatamento com que Luís C. parece gritar, para isso escrevendo em letras capitais “JULIANA AMO TE A TI E A NOSSA FILHA MAIS LINDA DO MUNDO”, borrifando-se completamente para todas as regras parvas de acentuação, que se tornam um empecilho na sua declaração de amor à (espero) esposa e filha mais linda do mundo. Atenção! Não é nenhuma das outras filhas! É só a mais linda do mundo.
Reunião do CC Caçadores 71-73 Guiné. Inscreve-te!”. Também me dá vontade de ligar para o número que aparece a seguir à mensagem para me inscrever, ao imaginar um hercúleo sargento reservista, mal cabendo dentro da farda coçada e remendada, de barriga proeminente, gritando a plenos pulmões e comendo as últimas sílabas de cada palavra, este grito de guerra, parecendo incentivar os seus Homens a conquistar o mundo. Ou a Chanfana de Cabrito, tanto faz.
De vez em quando, tenho a felicidade de ler qualquer coisa assim mais a dar para o género Nicholas Sparks: “Meu amor, desculpa tudo o que te disse e te fiz” implora o Nuno S. de Lisboa à sua amada. Nestes casos devia ser obrigatório responder pelo mesmo meio: é angustiante não saber como acaba a história. Será que ela perdoou o que o pobre Nuno S. lhe fez e disse num daqueles momentos de raiva cega e ciúme louco? Ou o mandou dar uma curva? Gostava de ler um SMS de Rodapé pouco tempo depois que dissesse: “É claro que te perdoo meu amor, meu bombom. Só não tornes a fazer isso outra vez, está bem?” ou, na pior das hipóteses: “Vai-te lixar ó meu! Agora vens tarde! Já estou com o Frederico T., de Caxias!”.
É claro que no meio de toda esta biblioteca também se encontram livros policiais, de aventura e de princesas: “Procuro principe. bond_girl@hotmail.com”. Existe para aí algum destemido que queira arrancar esta donzela em apuros das garras desse horrível vilão que é o James Bond?
E que dizer da leitura desportiva? “Forca portugal. Vamos ser campioes” gritava o Ricardo R. no fim do Portugal vs. Holanda do último mundial. OK. Não fomos campeões nem campioes. Mas também não acabámos na forca como exigia o amigo Ricardo. E não foi por falta de apoio que acabámos em quarto lugar, como se comprovou com o grito da “Pandilha do barril” de Tomar: “O Quaresma devia ter ido ao mundial mas assim também ganhamos”.
Ora ainda bem que estamos todos satisfeitos.

A cultura está ao alcance de todos, bastando para isso ver a “Tertúlia Cor de Rosa” no programa da Fátima Lopes. Ou do Goucha. Quais “Prós e Contras”! A Maria Elisa não tem a Maya, nem o João Malheiro, que note-se, evoluiu bastante na carreira desde os tempos em que, como Director de Comunicação do Benfica, gritava: “Deixem jogar o Mantorras!”.
Acabaram-se os tempos de iliteracia em Portugal. Seremos todos iluminados por este novo espírito Renascentista dos SMS de Rodapé.
Agora se me dão licença, vou mandar um mail à bond_girl, porque me parece que a coitadinha está em apuros.

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2007

Ceroulas, cuecas e outros tecidos a evitar

Homem que é homem não usa ceroulas!
Mesmo que esteja um friozinho de cagar cubinhos de gelo!
Camisolas interiores, ainda se toleram, mas ceroulas é que não, por amor da santa!

Provavelmente estarão vocês agora a pensar: “ Mas este gajo é doido, ou quê? Então e se estiver um daqueles dias tão gelados, em que até os esquimós invadem as agências de viagens dos centros comerciais, com um pinguim debaixo de cada braço, à procura de promoções para Punta Cana?”. Continuo a afirmar: Não! Que se saiba, nem os esquimós usam ceroulas! “Mas as ceroulas são usadas por baixo das calças, ninguém as vai ver…” , argumentam vocês mentalmente. Não! Esqueçam o raio das ceroulas, caramba! Esqueçam as imagens dos filmes em que o viril Cowboy é apanhado pelo vilão, com as calças em baixo, na companhia da rapariga do Saloon, e foge pela janela do quarto, de arma em punho, suspensórios, chapéu e… ceroulas. Aliás, porque é que acham que, regra geral, o gajo está acompanhado por uma tipa que levanta as pernocas enquanto dança para uma plateia de gajos mal-encarados, mal-cheirosos, mal-barbeados, e pior que tudo, que também usam ceroulas? Se fosse uma miúda decente, proveniente de boas famílias, com princípios, em vez de ser uma promíscua que passava a noite sentada no colo daqueles tipos a cheirar a cavalo, acreditem que aquele era um coldre onde ele nunca iria conseguir guarda a sua arma.
É claro que existem outras peças de vestuário tanto ou mais reprováveis que as ceroulas, estou a lembrar-me, assim de repente, das já famosas camisolas de manga cava, brancas, com um padrão de nódoas amareladas, camisas que mais parecem tabuleiros de xadrez, os lenços à Arafat, camisas com ratos e por aí fora…
Mas como estamos no Inverno, achei por bem focar este tema no programa de hoje.
Meus amigos, as ceroulas são o equivalente masculino às cuecas/pequena tenda de campismo/pára-quedas, que algumas mulheres têm o péssimo gosto de usar. Uma visão horrenda para o desgraçado que tiver o azar de as ver a uma distância inferior a um metro. Já vi homens adultos fugirem dos quartos do Ibis, com o pânico estampado no rosto e as lágrimas a caírem às quatro de cada vez, ao serem confrontados com tão gigantesca quantidade de 80% algodão/20% poliéster. OK, a malta ri-se quando as vê penduradas num qualquer estendal por esse país fora, mas acreditem, ao perto, não têm piadinha nenhuma. Quando tenho o azar de me cruzar com algumas, uma só imagem, assustadora, invade o meu já perturbado espírito: Odete Santos!
É garantido: pelo menos duas semanas sem qualquer tipo de sinal de vida na zona que compreende o meu umbigo e os meus joelhos. Quando a coisa é mesmo grave afecta-me até à altura dos cotovelos, o que me causa óbvias dificuldades para abrir portas, subir e descer de autocarros (mais a subir, porque a descer…), jantar no chinês, e escrever SMS (foi pur ixu k inventaram exta exkrita axim).
Ora eu acho muito injusto que por um sentimento tão mesquinho como a vingança, só porque um dia ficámos enfiados debaixo de umas cuecas e não demos com a saída, ou porque naquele dia ventoso, as cuecas naquele estendal enfunaram, arrancando um pedaço da varanda que caiu em cima do nosso Fiat 127, os Homens Portugueses desatem todos para aí a usar ceroulas, correndo atrás das mulheres com as calças pelos joelhos, gritando: “Toma! Gostas? Gostas?”. Temos de ser superiores a tudo isso, não fazer aos outros o que não gostamos que nos façam a nós, e deixar que a selecção se faça às claras, excluindo o que não interessa pelo que está à vista, e não pelo que se descobre, tarde demais, estar escondido debaixo do vestido Gucci decotado ou das calças Armani de contrafacção. Se um homem tiver de excluir uma mulher da sua lista de potenciais alvos, que seja pelo perfume enjoativo que ela usa, ou porque ela começa todas as frases com “Tipo…” ou “É assim…”, e não porque descobre à luz mortiça do habitáculo do carro, que ela usa cuecas que cobrem mais percentagem do corpo que as ligaduras de Tutankhamon.
E se elas tiverem de excluir alguns deles, que seja porque, apesar de já terem completado mais de 17 anos, ainda insistam em usar T-shirt´s dos Slipknot, dos Korn ou do Cartman a dizer palavrões. Ou porque tenham mau hálito e se perfumem com Denim, Brut ou Old Spice, e não porque, por baixo das calças de bom corte, tenham umas pernas embrulhadas como duas farinheiras.
Isto, claro, se forem pessoas de bom gosto. Até pode haver quem prefira despir o parceiro com uma tesoura de jardinagem… Depois daquele tipo de sexo em que ninguém se toca, já se espera de tudo…

As regras devem ser claras e iguais para todos! Homens, Mulheres, Gays e os outros, como o Serginho, o Cláudio Ramos, o Castelo-Branco e o Nuno Guerreiro.
O único sítio onde, aparentemente as regras podem ser diferentes para a equipa da casa, é o estádio do F.C Porto, mas esse tema será abordado noutro programa. Por falar em futebol, camisolas mais antigas que a titularidade do Baía também não me parecem ter muito magnetismo animal: qual é a piada de uma camisola do Benfica com o patrocínio da Fnac? Ou Água Caramulo numa do Sporting? Algum de vocês é tão antigo que se lembre do patrocínio do Porto antes da Revigrés? Claro que não, senão nem saberiam usar um computador… Mas isto foi só para dar o exemplo.
Cuecas de fio dental por baixo de umas calças brancas, justas e semi-transparentes, T-shirt´s do Rock in Rio a dizer “Eu fui”, mais de duas semanas depois do fim do evento, peles de animais verdadeiras, T-shirt´s do Rock in Rio a dizer “Eu fui”, mais de duas semanas antes do início do evento, tudo isto deve ter o mesmo efeito que assistir a uma convenção de informáticos indianos. Uma T-shirt com a língua dos Stones é aceitável. Para além de se ter tornado um ícone da cultura Pop do Séc. XX, parece ter muita agilidade. Quem sabe se não haverá alguma atrevida que nos aborde, perguntando se conseguimos mesmo esticá-la daquela forma, e a coisa desenvolva a partir daí…
Mas atenção ao que bebem (ver post 1+1=20).
Enfim, podia ficar aqui a tarde toda, se não tivesse consulta marcada no Urologista. Mas pensem nisto da próxima vez que estiverem em frente ao guarda fatos, em cuecas ou boxers, com umas ceroulas na mão, a pensar se devem ou não vesti-las.
Eu já decidi: vou imediatamente despir as minhas!

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2007

Amor e transacção comercial

Hoje o dia amanheceu cor de rosa. Não por causa de um magnífico nascer do sol, num horizonte azulado e sem nuvens. O motivo é diferente e especial: hoje é o Dia dos Namorados!
Finalmente a cultura americana conseguiu impingir-nos uma coisa realmente útil, nada de McDonald´s, Hip-Hop, calças a escorregar pelas pernas abaixo, correntes de porta-aviões ao pescoço, Budweiser e uma raivazinha mesquinha contra qualquer coisa que fale espanhol…
Agora é que foi a valer. Obrigado Uncle Sam.
Já não imagino o que seria viver 365 dias sem o Dia dos Namorados. Logo aqui, onde nunca acontece nada de especial. Estou arrepiado, só de imaginar um país onde os acontecimentos mais emocionantes do ano fossem: os frangos do Ricardo, os quatro golos do Nuno Gomes, as raras (felizmente) mas estrategicamente planeadas aparições de Paulo Portas, as intervenções disparatadas de Manuel Pinho, as notícias do sucesso avassalador dos Portugueses no estrangeiro (Manuel José, Artur Jorge e Joaquim de Almeida…) e a transferência de Simão Sabrosa para cinco clubes em menos de três meses.
Felizmente temos este pequeno oásis povoado por cupidos, em que tudo transborda amor e paixão. Nem que seja por um dia, quase todo o país espelha felicidade. Todo? Não. Um pequeno grupo de amargurados solitários resiste ainda e sempre ao invasor peganhento, responsável por muito pouco higiénicas trocas de saliva em locais públicos (outras coisas podem ser trocadas, mas o Swing, o Role-play e a troca de lingerie ficam para outros posts), sorrisos embeiçados e adjectivos mais a apelar ao estômago do que à libido: bomboca, doçura, bombonzinho, pastelinho de nata, pastelinho de bacalhau, porco e vaca.
Mas esses desencantados são facilmente identificáveis: são os que logo à noite, enquanto seguramos a mão da nossa cara metade, sentada do outro lado da mesa, vão entrar sozinhos no restaurante e fazer uma cara de desapontamento ao verificarem que não há mesas livres para ele/a jantarem sozinhos/as.
Contudo, e apesar de se notarem progressos de ano para ano, ainda estamos muito atrasados na exploração do potencial desta data. Os comerciantes por exemplo, já começam a dar o exemplo fazendo românticos apelos ao consumo, enfeitando as montras com uma infindável parafernália cor de rosa. Num país em que tanto se discute o deplorável estado da economia, esta é uma fantástica iniciativa. Elas entram na loja e compram uns “boxers”, a seguir entram eles e mandam embrulhar um peluche. Agora multipliquemos estas pequenas compras por dez ou onze milhões, e qual é o resultado? Para além de uma população muito menos criativa e original do que a data exige na hora de escolher presentes, teríamos circulação de dinheiro e um aumento do consumo.
O que me parece francamente positivo.
Não quero parecer presunçoso, não percebo nada de economia ou finanças, mas outros há que percebem tanto como eu e têm muito mais tempo de antena!
E eu tenho muito melhor aspecto para aparecer na televisão. Mesmo não usando fato e gravata…
Outra das vantagens seria o facto de poder promover a reconciliação entre os desavindos. Os Portugueses são historicamente conflituosos: a génese da nossa existência enquanto povo, europeus e membros do pelotão da frente da moeda única, foi a coça que D. Afonso Henriques deu à mãe! Ora isto não se faz. Tudo bem, a senhora era espanhola, mas mesmo assim… Ao longo da nossa história, até as pessoas mais humildes se tornaram violentas: a padeira de Aljubarrota, por exemplo. Novamente contra os Espanhóis. Não se percebe este sentimento pouco hospitaleiro contra quem nos deu a conhecer os caramelos de Badajoz…
Andámos à batatada com toda a gente: Suevos contra Visigodos, Portugueses contra Espanhóis, Portugueses contra Mouros, Portugueses contra Franceses… E continuámos por aí fora: as lutas liberais, as tentativas de golpe de estado, a recepção à selecção portuguesa depois do mundial da Coreia, os jogos Porto vs Benfica nos anos 90, mais recentemente, os jogos Boavista vs Qualquer Um… Isto só para exemplificar alguns casos.
Perante todo este belicismo, eu pergunto: não poderia o dia de São Valentim ser usado, não só para celebrar o Amor, mas também para promover algumas reconciliações entre casais de costas voltadas?
Tudo isto através de uma troca de prendas simbólicas, mas carregadas de intenção. Sei lá, uns bombons, uns cabazes de fruta?… Scolari poderia oferecer a Queirós um sobretudo igual ao do Mourinho, por exemplo. Pinto da Costa podia oferecer a Carolina Salgado, uma vez que a senhora até se virou para a letras, um livro de um Nobel da literatura, como Márquez e as suas “Memórias das minhas putas tristes”. E já que falamos de Márquez, Rui Costa poderia ser contemplado com um exemplar de “Cem anos de solidão”, mas com os “Cem anos” do título a serem substituídos por “90 minutos” contra o Varzim. Os sócios do Sporting poderiam oferecer a José Peseiro uma magnífica selecção com os livros do Mourinho, do Boloni, do Jardel, do Jorge Costa e, para completar, um livro da Maria de Lurdes Modesto. Valentim Loureiro ofereceria a Maria José Morgado um livro de exercícios do Inspector Varatojo.
E José Sócrates a Manuel Pinho, um bilhete de ida para Timbuctu…
Seríamos sem sombra de dúvida um país mais aprazível para todos os que nos viessem visitar.
Mesmo os espanhóis.

terça-feira, 13 de fevereiro de 2007

A história do ovo

Tenho muito poucas memórias, realmente claras dos meus tempos de infância. Aquela época que normalmente as pessoas recordam pelas roupas ridículas que os pais as obrigavam a vestir, as refeições intragáveis que lhes eram empurradas pela goela abaixo à força de braços, chantagens, promessas de recompensas, e ameaças que iam desde o Papão, ao Velho que roubava e comia criancinhas (sinto-me tentado, mas não vou comentar).
Acho que essas memórias, quando não se teve a felicidade de uma infância cor de rosa, podem ser fatais. Algumas das minhas disfunções têm por base as horríveis e agonizantes experiências que me foram infligidas nos primeiros anos de vida. Um dos meus pesadelos recorrentes passa-se no pátio da escola onde fiz a primeira classe: estou a correr em volta dos campos de futebol, evitando as poças de água, enquanto sou perseguido por um gigantesco sapo vermelho com uns enormes olhos esbugalhados, que chapinhando tudo em volta, vai deixando enormes pegadas em zig-zag.
Obrigado mamã, por aquelas magníficas galochas “Colibri” com os seus enormes olhos brancos que mais pareciam cogumelos a nascer-me nos pés.
Por muito que digas que no dia em que as recebi, até quis dormir com elas calçadas… Devias ter previsto isto…
Obrigado pelas horríveis papas de bolacha Maria com tudo o que pudesse ser transformado numa mistela intragável: pêras, maçãs, bananas, parafusos…
Passados todos estes anos, ainda compro e consumo, de uma forma perfeitamente estúpida, Blédines de fruta e ensopado de borrego.
Preferi recalcar e esquecer episódios deste género. Os que consegui pelo menos. Alguns estão demasiado presentes e o Homenzinho Verde que vive na minha cabeça, faz questão de gritá-los bem alto.
Como A História do Ovo.
Que, como em todas as histórias interessantes, aconteceu por causa de uma mulher…
Corriam os saudosos anos oitenta, e eu era um feliz e despreocupado rapazola, que frequentava a escola primária, que brincava no recreio, jogava ao berlinde e à apanhada e levava reguadas. Era um alívio, quando às três da tarde, a campainha nos libertava da sala de aula para a sala do ATL (Actividades de Tempos Livres). Primeiro o lanche, depois os trabalhos de casa (TPC, para os que estão mesmo a curtir a trip down the memory lane…), e, finalmente, as actividades propriamente ditas, como picotar desenhos em cima de uma esponja (a minha favorita, apesar de só ter recuperado a sensibilidade na ponta dos dedos quando entrei para o sexto ano), pintar a roda dos alimentos, desenhar as nossas famílias felizes ao lado de enormes casas que não eram as nossas, com jardins que não tínhamos e um carro igual ao “General Lee” dos “Três Duques”.
Onde estavam os tempos livres, ainda hoje estou para saber…
Se calhar, levavam-me para casa demasiado cedo, e já não os apanhava…
Foi numa dessas tardes que reparei nela pela primeira vez. Sentada ao meu lado, só me apercebi da sua presença quando entabulou conversa comigo.
Não me lembro do pretexto.
Como era possível que ainda não a tivesse visto?
Devia estar a picotar qualquer coisa…
Chamava-se Ana Rita. Tinha cabelo loiro, quase amarelo e escorrido. E uns enormes olhos azuis. Desde aí, e até hoje, todas as raparigas loiras de olhos azuis que vejo, se chamam, para mim, Ana Rita. Tornámo-nos inseparáveis, e, inevitavelmente, envolvemo-nos. Estávamos na altura, os dois na casa dos sete, e tínhamos o mundo pela frente. Fizemos planos até à altura da Pós-Graduação, depois se veria… Fazíamos tudo na companhia um do outro: lanchávamos, brincávamos, picotávamos, sentávamo-nos juntos no banco de trás da carrinha que nos levava a casa, e, quando eu saía, ela ficava no banco de trás a acenar, com o seu enorme sorriso iluminando os seus enormes olhos azuis.
Fomos várias vezes apanhados nas traseiras dos pavilhões da escola e nos recantos dos corredores a trocar beijos.
Isto segundo a minha mãe, que eu não me lembro (logo tinha de esquecer, involuntariamente, a única memória que valia a pena!). Um dia demos um ao outro a maior prova de amor que podíamos dar: trocámos o resultado final dos nossos trabalhos: Não me lembro do que lhe dei, mas de certeza que era picotado, e ela ofereceu-me aquilo em que andava a trabalhar há dias: uma casca de ovo onde os seus dedinhos, com a ajuda de uma paciência de chinês, haviam colado meticulosamente fios de lã a fazer de cabelo, contas a fazer de nariz, boca e olhos, e, se bem me lembro, dois triângulos de pano como se fossem o laço ao pescoço.
Éramos felizes.
Até que um dia chegou uma enorme tempestade que arrasaria com tudo, deixando nada mais que entulho atrás de si. Que, como em todas as histórias interessantes, aconteceu por causa de outra mulher.
Não me lembro se era bonita ou feia. Lembro-me do seu nome: Ana M. (não escrevo o sobrenome porque com um pouco de azar ela lê isto e processa-me por lhe arruinar o casamento).
Ora a Ana M. tinha desenvolvido uma fixação doentia por mim (eu era muito giro em miúdo, a sério), numa espécie de antecipação do que seria feito em cinema, anos mais tarde pela Glenn Close (OK, agora estou-me a gabar). E perseguia-me sempre que me via, pedindo-me em namoro. Que eu sempre recusei. Eu tinha a Ana Rita! Mas a Ana M. era manhosa, como o são todas as pretendentes a amantes! Um dia seduziu-me e aliciou-me com dois carrinhos em miniatura que roubara ao irmão mais velho. Cubro-me de vergonha e desonra, ao admitir que… cedi. Mais para ver se ela parava de chatear do que outra coisa qualquer. Eu nem gostava dela… Mas devo argumentar em minha defesa: Quantos de vós resistiriam a uma mulher que vos oferecesse, não um, mas dois bólides?!
E assim passei a dividir o meu tempo entre a Ana Rita de quem realmente gostava, e a Ana M. de cada vez que ela me apanhava.
Foi o princípio do fim. Uma tarde, depois de ter sido fisgado pela infatigável Ana M., brincava com ela nos baloiços da escola. Eis que, de repente, o mundo desabou: a outra Ana (a Rita) estava ali. Os seus olhos azuis tornaram-se pequenos de tristeza. Tinha sido apanhado a brincar com outra! Como fui parvo! Podia ter ido para outro parque infantil. Um que eu soubesse que ela nunca iria lá por os pés… Lembro-me do ar de desilusão estampado na cara dela, por entre as migalhas do lanche no canto da boca e os bigodes do leite. Mas sorriu, cordial, e afastou-se. Em desepero, corri atrás dela, ignorando as súplicas da outra, e as suas promessas de que seríamos felizes os três: eu, ela e o boneco do He-Man, que ela se prestava a roubar ao irmão para me oferecer.
Finalmente, alcancei-a. Ali, em privado junto às casas de banho (ou despensa, não me recordo exactamente), ela deixou-me… Não me perdoou a traição de ter brincado com outra. De a ter deixado esquecida na mesa onde nos sentávamos, a pintar, a desenhar ou a picotar, com uma cadeira vazia ao seu lado. Fui invadido por um sentimento de tristeza como nunca havia sentido desde que o Papuça e o Dentuça se separaram. Que logo foi substituído por uma enorma raiva, quando, qual mulher que se sente enganada, desrespeitada e trocada por outra mais nova, ela me gritou: “E QUERO O MEU OVO DE VOLTA!!” Foi o fim. Foi como se dentro daquela casca de ovo, tão laboriosamente enfeitada, se encontrasse tudo aquilo que normalmente funciona como arma de arremesso: a casa, o carro, a custódia dos putos, o PPR, o faqueiro e até a imitação da jarra da Marinha Grande. “Prefiro tocar fogo a esta merda toda!” pensei eu. Ou teria pensado, se fosse mais velho. E respondi-lhe tentando manter a pouca dignidade que me restava ”Já o parti”. Assim, fomos nessa tarde, em bancos separados na carrinha.
Nessa tarde ela não ficou a acenar adeus.
Desfiz o ovo num acesso de raiva (e porque tinha imensa vontade de esmagar aquela superfície lisa e macia desde que o recebera, confesso). Vi-me à nora para me livrar da Ana M. e fiquei com esta recordação a assombrar-me quase tanto como a porcaria das galochas com olhos de sapo.
Ana Rita, valias mais que dois carrinhos em miniatura e um boneco do He-Man.
Provavelmente, eu valia menos que uma casca de ovo…
Mas só eu é que tenho direito a achar isto!!!!!!

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2007

Grandes Portugueses

Muito se tem discutido ultimamente sobre quem terá sido o maior Português de sempre. O Grande Português. Não em tamanho ou altura, mas em grandiosidade de alma e espírito lusitano. Por espírito lusitano, não entendam o que mais alto reclama do IVA, do preço do “gásoil”, das tortas de Azeitão e dos bilhetes para a bola. Não. Isto é a sério, como se faz lá no estrangeiro. Vamos ter de escolher UM grande Português. Aquele que com a sua arte, engenho, perseverança, bravura, generosidade e sabedoria, elevou bem alto o nome Portugal e, porque não, moldou a nossa cultura. A votação em curso contempla a possibilidade de votar em algumas das maiores figuras da nossa história, desde D. Afonso Henriques a Salazar, passando por Pessoa e Camões. Obviamente só podemos votar num deles, e uma única vez, para garantir a veracidade do resultado. É por isso que ninguém se desloca a uma urna e a votação é feita por telefone. Eu acho bem que se tomem este tipo de iniciativas, quanto mais não seja, para mostrar ao Saramago que a malta cá do burgo não é parva de todo e ele podia perfeitamente fazer uma vidinha normal entre nós. Mas agora já ninguém faz questão nisso...
Até gostava de sugerir que a próxima votação fosse O Mais Vitorioso Português. A lista iria desde o Rui Bandeira ou o José Peseiro até ao Obikwelu ou o Deco. Maria Elisa, se estiver a ler, dê-me um feedback, OK?
A única coisa que me incomoda nesta eleição, é o facto de a lista de candidatos cheirar a naftalina. Por que é que não há um único candidato vivo? É algum tipo de preconceito contra Portugueses que tenham uma temperatura corporal a rondar os trinta e sete graus centígrados? E porque é que não há candidatos com bom aspecto? Com pinta? Metade dos candidatos nem sequer tem uma foto decente! Nem sequer vou mencionar o facto de alguns terem tido um percurso duvidoso, e muita gente ter sofrido com os seus actos… Camões, por exemplo: levou um balázio no olho, escreveu umas patacoadas em verso, naufragou, e deixou morrer a miúda para salvar o sacana do manuscrito que me valeu, centenas de anos depois, a minha única nega a Português… Será que ele acreditava mesmo que naquela época obscura, um gajo zarolho tinha facilidade em engatar miúdas? Nem hoje… E o Marquês de Pombal? Com aquela peruca, acabou aqui a discussão…
Existem algumas injustiças históricas. Porque é que a lista contempla tantos governantes e nenhum jogador de futebol? O Figo, porque não? É um enorme português! Considerado pela FIFA o melhor jogador do mundo há uns anos atrás (logo é passado, se é passado, é história) fez questão de agradecer em espanhol, levantando de novo o esplendor de Portugal, ao demonstrar que nós também falamos estrangeiro! Não é só “Coffee? Tea? Milk?”. Somos tão poliglotas como os outros. E porque não o Sá Leão? Ou o Zézé Camarinha? Afinal de contas, todos aqueles que possam contribuir para ensinar os povo Português a ser mais sedutor e a ter melhor performance no acto do amor, com classe e distinção, deviam ser considerados autênticos beneméritos.
Mas como nem só de Futebol e Sexo vive um país, poderíamos alargar o campo de busca para outras áreas igualmente importantes, como a etiqueta. Paula Bobone podia perfeitamente ser uma representante de respeito da classe feminina. Deu um novo sentido à recomendação “Mastiga de boca fechada”. A minha mãe dizia o mesmo, mas eu nunca liguei, até ao dia em que surgiu a ex-funcionária dos CTT a confirmar que não devo mastigar de boca aberta enquanto como uma chispalhada ou uma dobrada carregada de apêndices suínos e bovinos.
Ou o Cláudio Ramos pelas suas sempre importantes e pertinentes crónicas da actualidade, que nos fazem pensar sobre o significado de se ser um indivíduo produtivo. Porque não Luís Pereira de Sousa? Dotadíssimo entertainer. Nunca esquecerei aqueles maravilhosos programas de verão, filmados na praia e sempre recheados de convidados interessantíssimos. Vale e Azevedo e Artur Jorge, por tudo o que fizeram no Benfica, também seriam candidatos de respeito. Não me alargo mais em relação e estes últimos porque poderia perder, para aí, seis milhões de leitores. Isto só no continente e ilhas. Se contabilizasse a área de Newark, seriam pelo menos, mais uns três ou quatro milhões.
Zandinga, João Baião, Pinto da Costa e Valentim Loureiro, Lili Caneças, Teresa Guilherme… O Goucha, José Castelo Branco, Fernando Girão, todos os concorrentes do Big Brother e Acorrentados, o Elenco dos Morangos com Açúcar… Enfim… A lista é longa, mas distinta. Esperemos por um maior sentido de justiça nas próximas nomeações. Roberto Leal: ainda há esperança para ti!

1+1=20

Há uns tempos atrás recebi um telefonema de um amigo. Nada de extraordinário, a não ser o facto de serem oito e meia da manhã de um Domingo chuvoso e frio, em que eu estava a dormir descansado depois de uma noite de copos. Atendi o telefone, visivelmente mal disposto e com a boca a saber a sola de sapato – normalmente o meu estado ébrio dá-me para fazer as coisas mais insólitas, uns dias antes tinha acordado com a boca a saber a gasóleo agrícola…
Do outro estava o meu amigo (não vou revelar o nome porque podem reconhecê-lo) bastante perturbado, diria mesmo em pânico. Ora eu e o resto da malta já não sabíamos nada dele desde as quatro da manhã, hora em que ele saíra da sede da associação columbófila, acompanhado por uma loiraça de um metro e oitenta, senhora de umas pernas que pareciam nunca mais acabar, que tinha passado a noite a fazer olhinhos de bambi e beicinho de Merche Romero.
Ora, sendo eu, acima de tudo um tipo discreto, não fiz qualquer tipo de comentário, e limitei-me a pedir pormenores. Para fins estatísticos, claro: o tamanho do sutiã, a cor das cuecas, fio dental ou tenda de campismo, etc. Mas logo fui interrompido com uma afirmação que me atingiu como uma bala de canhão: “Epá, saquei uma gaja toda boa e acordei hoje de manhã com uma feiosa ao meu lado!”
Levantei-me de repente, batendo com a cabeça no tejadilho do carro. Onde é que raio é que aquele gajo teria desencantado um padre que os casasse àquela hora? E os efeitos do casamento seriam assim tão rápidos? “Não é nada disso, pá” interrompeu o (não posso dizer, a sério), “eu saí ontem com a Cátia Vanessa, tu viste? Fomos para casa dela, pecos, pecos e ao fim de cinco ou seis minutos adormeci…” “Que grande animal” pensei. “Tanto tempo?” interroguei-me. “Por outro lado, o gajo é pescador… Ná, desconta lá três ou quatro minutinhos” concluí. “Epá… ela deve ter saído de manhã, a irmã foi ao quarto dela e aproveitou-se de mim enquanto eu dormia” disse o (não, a sério, é foleiro).
“Aproveitou-se dele?” duvidei eu. A única vez em que alguém se quisera aproveitar dele foi quando na quermesse de 1994 lhe venderam três barras de plasticina, dizendo que era haxixe. Parece que estou a vê-lo, até já queria formar uma banda de Rock. Só ficava a faltar o sexo… Além disso, segundo constava, este gajo nem acordado, quanto mais a dormir…
Ora, perante estas evidências, acabei por concluir que o que tinha acontecido não era nada de extraordinário, e acontece um pouco por todo o mundo: o meu caríssimo amigo bebeu até achar a Cátia Vanessa (pronuncia-se Vánéssa) uma autêntica Jessica Alba. E saiu com aquela companhia, lançando sorrisos superiores a todos os que se encontravam presentes. Tive pena dele, afinal de contas, contar aos amigos é sempre metade do gozo, e ele não tinha muito para se gabar, e até podia ter sido eu se não estivesse entretido a observar o interior do urinol, com a cabeça enfiada lá dentro. Sempre é verdadeiro o velho adágio que diz “Não há mulheres feias, há é homens que bebem pouco”.
Desde esse episódio, nunca mais avaliei as mulheres segundo os mesmos padrões de valores machistas: rabo, de um a dez, cinco. Mamas, de um a dez, oito… Agora não. Aumenta demasiado as expectativas e não há ninguém a quem pedir indemnização no caso de aquele rabo firme e aqueles seios a apontarem para o tecto, virem por aí abaixo, como um terramoto na Flórida.
Agora, a minha escala de valores é em Litros! Exactamente! Passo a explicar: Quando estou num bar ou numa discoteca, e entra uma moçoila, bonita ou não, não interessa, penso sempre nestes termos – Quantos litros de álcool precisaria de beber para que ela se tornasse bonita? Quanto mais baixo for o número, melhor. Exemplo: Soraia Chaves – Zero. Ninguém precisa de beber uns canecos para ela ser bonita certo? Bom, excepto talvez o Serginho e o Cláudio Ramos. Outro exemplo: Catarina Furtado – Zero. Ainda outro: Merche Romero antes de Cristiano Ronaldo – Zero, Merche Romero depois de Cristiano Ronaldo – Quatro, Merche Romero depois de Abel Xavier – Dez. De algo bem forte, de preferência.
O acordar no dia a seguir com qualquer coisa tipo Madame Min ao lado, que diga “Prontos” e “Musse de Chiclate”… Bom, isso pode ser considerado a ressaca, certo? E o mais maravilhoso é que isto dá para os dois lados! A melhor coisa que aconteceu em Portugal, a seguir aos discursos do Luís Filipe Vieira, foram as Ladie´s Nights!
Já tenho amigas que bebem como homens, até ao vómito, dançam de forma ridícula a partir das cinco da manhã, com uma notória dificuldade em manter o equilíbrio, usam uma gravata na testa e frequentam espeluncas de Strip.
Não se admire portanto, se um destes dias for o amigo a passar de Macho Alfa a Anão da Branca de Neve, algures entre as cinco e as oito da manhã. Ou entre o bar e o banco de trás do charuto. Em último caso, embebedam-se os dois. Na pior das hipóteses os dez litros de cada um dão direito a um coma alcoólico, e acabam-se assim as festividades. De qualquer das formas, as regras mudaram: Elas agora também se gabam! E também nos deixam a meio da noite, a sentirmo-nos sujos, sozinhos e usados, à espera do telefonema que não chega… Também assediam, encostadas ao balcão, exalando um forte hálito a cigarros e cerveja… Estou absolutamente convencido que a taxa de sucesso nos engates vai aumentar com esta nova tendência. Ou pensavam que isto era um texto machista?!!! Então aí é que eu estava desgraçado e nunca mais facturava. Nem com a ajuda da maior bezana do planeta!

O mundo é a minha ostra!


É com esta afirmação optimista e sem ponta de ironia que gosto de encarar a vida e todos os seus percalços.
Eu sou assim, optimista por natureza! Para mim, o copo estará sempre meio cheio e nunca meio vazio!
Sou um daqueles gajos a quem os menos afortunados, cínicos e amargos, que se sentem espezinhados pela aleatoriedade da vida chamam “Epá, c´a ganda otário!”. Mas eu sou assim. Aliás, é genético. A minha família tem um enorme historial de “Síndrome de Optimismo Exagerado Comó Catano”. Tornou-se hábito na noite de consoada contarmos uns aos outros os percalços e privações a que fomos sujeitos nesse ano e os respectivos argumentos que explicam o que há de positivo nos mesmos: “Em março escorreguei no skate do puto. Caí e parti as duas pernas. Fiquei numa cadeira de rodas durante quatro meses. Mas olha, deixei de gastar dinheiro em gasolina e ainda recebo para ficar em casa!” disse orgulhoso o meu tio Eduardo este Natal. “Oh, eu cá, não tenho problemas desses. Nem sequer tenho carta de condução. Mas como fui despedido da fábrica de Nouggats também não preciso de sair para muito longe.” esgrimiu de imediato o primo Vitalino, olhando em volta à espera de reconhecer nos nossos rostos um sorriso beatífico, que na nossa família equivale a um pódio: quanto mais babado for o sorriso, mais alto se sobe. Até os mais jovens começam desde tenra idade a ter participações honorárias nesta espécie de concurso, assim ao jeito de um Eusébio a dar o pontapé de saída num jogo de futebol: “pronto, vá lá, é pela piada”. Este ano o Tiaguinho cresceu meio palmo quando gritou bem alto “Quando o meu pai voltou do Hospital partiu o meu skate para fazer lenha, mas eu não me importo, porque a minha mãe já me deu outro!”. Eu notei uma troca de olhares entre o Eduardo e a esposa. Que grande cumplicidade devem ter aqueles dois. Foi um momento solene porque se fez um silêncio embaraçoso na mesa. Eu desviei o meu olhar em direcção ao petiz, que brincava junto da árvore de natal com o seu novo skate, e o deixava mesmo a jeito para proporcionar a outro incauto sortudo quatro ou cinco meses de glória.
E foi neste harmonioso ambiente que eu cresci, rodeado de familiares que se esforçavam por tornar tudo menos sombrio e mais cor de rosa. Por isso tenho sobrevivido com relativa facilidade aos tropeções com que a vida me tem brindado. Nunca me esquecerei da primeira conversa séria com o meu pai, aos treze anos, quando descobriu através das garatujas escritas nos meus livros da escola, que eu estava apaixonado pela Luísa, filha da manicure ao lado da praça. “Então e tu já….? Hem, hem?… Tu e ela…?” enquanto me dava cotoveladas e piscava o olho. “Olha que ela já tem catorze anos, hem? Se não te despachas…”
Lembro-me de me ter interrogado, na minha inocência: “Se não me despacho? O que é que acontece? Ela faz quinze anos?”. Descobri o significado daquela pérola de sabedoria quando vi a Luísa a ser apalpada pela equipa de juvenis do clube lá do bairro. Coitadinha, foi a forma que ela arranjou de premiar a primeira vitória dos nossos rapazes ao fim de vinte e um jogos. Fiquei desolado.
Mas lá estavam para me apoiar aquelas pessoas que nunca deixaram cair um parente na lama: “Deixa lá pá! Ainda tens muito tempo para apanhar DST´s!” - isto é o copo meio cheio.
Mas marcou-me, não o nego. Hoje em dia, quando a vejo passar, roliça, com aquele rabo enorme onde caberia sem dificuldade um parque de diversões, e alguns filhos pendurados pelo cachaço, pergunto-me se não poderia ter sido diferente. Pelo menos ela saberia quem era o pai dos filhos, e não viveria na dúvida de quem teria(m) sido o(s) malandro(s). Sempre que ela passa por nós, o meu pai sibila baixinho em tom de censura, entre dois golos de macieira “Se tu tivesses jeito para jogar à bola, também tinhas lá ido…” Eu nem tento explicar ao meu pai que não é uma questão de jeito para a bola, porque os outros também não deviam de valer grande coisa. Somando todas as vitórias individuais de cada jogador, o plantel todo devia ter para aí seis jogos ganhos. Em dois anos. Não me parece nada de extraordinário, mas como eu não tenho jeito para bola… Em compensação, era um ás a trepar árvores, muros, algerozes e candeeiros de rua, e esse talento permitiu-me passar a adolescência integrado no grupo dos “cool kids”, aqueles que se baldavam às aulas para ir fumar às escondidas e espreitavam para dentro dos balneários das miúdas nas aulas de Educação Física. Passo a explicar: o meu talento invulgar era necessário para ir buscar a bola aos locais de difícil acesso. Eu tinha mais jeito para trepar do que aquela gente toda para jogar à bola! Não parece nada de especial, é certo, mas eu era sempre o primeiro a ser convocado para as jogatanas. Pode dizer-se que tinha uma carreira no futebol, sem necessidade de saber sequer o que era um fora de jogo. Como o João Loureiro. Aliás, esse até teve uma carreira como cantor sem saber cantar, mas se até o José Cid o conseguiu anos a fio… O futebol é pródigo nessas coisas. Até a Luísa, com aquelas rambóias todas deu início a um novo género de carreira desportiva: a ronfadora de jogadores da bola, cujo expoente máximo nos chega através dessa grande ronfadora que é a Merche Romero. É certo que não ronfa jogadores como o Figo conquistou títulos, mas também não devem haver assim tantos disponíveis… A não ser que ela se mudasse para Alcochete, e aí apanhava-os directamente do ninho.
Mas é melhor não me dispersar, se não quando der por mim estou a escrever sobre a Elsa Raposo, e então nunca mais saio daqui.
Em jeito de conclusão (sempre quis dizer isto mas nunca tive oportunidade…) o que é preciso é espírito positivo e encarar cada limão como se fosse a mais doce toranja, e para todos os virgens à beira dos trinta: não desanimem. Ao menos não apanharam DST´s… (Doenças Sexualmente Transmissíveis, para aqueles que não chegaram lá…)