quarta-feira, 26 de setembro de 2007

45 minutos


15:03:01
-Pá! A gaja do Marketing da “…” ligou a dizer que o trabalho que mandámos para aprovação não ficou igual ao último.

-Não ficou igual ao último?! Como assim?

-´Tá diferente… A gaja diz que não respeitámos o layout e houve “Elementos Gráficos” que ficaram “desviados”. Ela diz que comparou o último que se fez com a prova que mandámos agora e ´tá diferente.
15:06:25
-"Elementos gráf..." Não pode ser! Isso até foi feito a partir do mesmo ficheiro… A única coisa que alterei foram as imagens… Mas mantive as medidas…

-Então vê lá isso que a gaja já se ´tá a espumar toda.
15:07:00


15:14:06
-´Pá! A gaja ´tá parva, de certeza!
-Então?…
-Esta porra ´tá igual pá! Já tirei um print dos dois trabalhos, e estão iguais!
-De certeza? É que gaja falou num “Desvio de Elementos Gráficos”…
15:15:48
-F(…)-SE!! DESVIO TEM A GAJA MAS É NOS CORNOS, Ó CARAÇAS!… Vê lá se não estão iguais! Não, assim não... Vê antes contra a luz…

-Realmente… ´Tá tudo a bater certo. ´Tá igual… Então o que é que esta gaja quer?...
-F(…)-se! ´Tou condenado a aturar anormais… Olha agora a minha vida…

-Faz um PDF desta merda para mandar à gaja por mail e logo se vê…
15:16:00


15:26:10

-Epá… Não me venhas f(….)!
-Que é queres?… A gaja diz que continua diferente…
-F(…)-se!!!! Disseste-lhe que foi feito a partir do último ficheiro…
-Iá, meu…
-…que a única coisa que alterei foram as imagens…
-…disse isso tudo…

-…que comparámos os dois prints…
-…mas a gaja continua na dela…
-…e que não há a mínima hipótese de ter ficado diferente…
-…”Elementos gráficos desviados

15:29:36
-…E QUE OS CORNOS DELA É QUE ´TÃO DESVIADOS!!!????

-…isso não!
-…

-…

-Como é que eu vou agora corrigir uma merda que está bem?
-Sei lá… ´Tá desviado…
-Mas o que é que ´tá desviado, porra? Eu não vejo nada!

-Pá… Eu também não… mas a gaja é que paga… e ´tou farto de levar com ela…
-Eu já desconfiava que a gaja andava mal fod(…)

15:31:19
-E agora? É que não podemos mandá-la cagar e avançar para a produção sem o OK dela.

-Diz que já detectámos o “Desvio” e já corrigimos a arte final.

-Mas ela vai querer ver…

-Eu vou mudar o nome ao ficheiro que lhe enviámos há bocado e tu envias de novo… Com outro nome para parecer que é outro ficheiro... Alterado.

-Achas que a gaja engole?

-Isso agora... Só no fim é que se descobre… É sempre assim…
15:32:00

15:39:02
-Pá! Aquela merda deu certo! A gaja mandou o OK. Diz que agora ´tá tudo certinho e podemos avançar para produção!
-Estúpida do caraças….
-E vai mandar a adjudicação de mais dois trabalhos para repetir. Só mudam uma ou outra foto e disse para fazermos exactamente a mesma coisa. Tem de ficar igualzinho!


...Brrrrr.....
15:41:00

terça-feira, 25 de setembro de 2007

Até que a morte me safe

Este fim de semana tive de ir a um casamento. Eu sei: esta seca declaração em nada se coaduna com a emoção e alegria com que semelhante cerimónia deveria encher o meu coração. Parece até revelar alguma amargura e azedume. Mas garanto que não é esse o caso. Se fosse um casamento entre outras duas pessoas eu teria ido com maior predisposição para me emocionar e – quiçá – até verter uma ou outra lágrima teimosa e indiscreta no momento da beijoca entre os dois corações que, perante os convidados e a santa madre igreja, prometiam fidelidade e amor eterno entre si. Até podiam ser dois perfeitos estranhos que eu não conhecesse de lado nenhum... Um deles até podia ser gay e o outro, adepto de Curling. Podia até ser um casamento Judeu, que eu teria todo o prazer em afirmar-me circuncisado e completamente Kosher, comendo nada mais que o que me fosse permitido pela lei Hebraica. Ou até mesmo um casamento Budista. Eu converter-me-ia facilmente à religião e rapava a cabeça, usando nada mais que um lençol a cobrir a minha – a partir daí – púdica intimidade. Qualquer coisa, desde que não fosse um casamento de um membro da minha família directa.
Eu faço os possíveis para evitar aparecer neste tipo de reuniões, mas com uma família como a minha, essa tarefa é mais complicada que fugir às convocatórias dos Marines para embarcar para o Iraque. E provocam danos mais graves que qualquer Stress Pós-Traumático. Nos últimos anos tenho conseguido evitar as noites de Consoada e Domingos de Páscoa à força de ter arranjado uma declaração que garante, em papel timbrado de vinte e cinco linhas, que me converti à Cientologia. Fi-lo através de um amigo que, para fugir aos impostos, se ordenou a si próprio Pastor de uma religião inventada por ele. Não faço ideia se a malta da Cientologia celebra o Natal, mas se for esse o caso, esse meu amigo já me preparou outra declaração que fará de mim um fiel devoto de outra treta qualquer – Judeu, Muçulmano, Mórmon, Eunuco, o que seja. Infelizmente, continuarão a haver coisas às quais não me vou poder baldar. Funerais, por exemplo. No último a que fui – e que não foi o meu – toda a gente se cumprimentava com um mórbido olhar que parecia dizer: “Cheira-me que és tu o próximo”. E isso assusta-me. Porque não tem em conta as probabilidades. Eu tenho um primo afastado que se embebeda como um Romano e insiste em conduzir a sua Casal Boss, mesmo nesse estado, e não figura sequer na lista dos dez mais prováveis candidatos. Em contarpartida, eu ocupo um olímpico segundo lugar porque, devido à idade, ainda existe a possibilidade de me tornar toxicodependente ou contrair o vírus da Sida e aparecer morto numa ruela do Bairro Alto. Descobri este triste facto quando, a uma esquina da capela, fui descobrir alguns tios e primos – e até uma tia-avó – a fazerem apostas como se estivessem numa corrida de galgos. Curiosamente, na lista de apostas “Quem será o próximo?” dos casamentos, eu apareço mais lá para o fim, entalado algures entre o meu tio que está na Legião Estrangeira e um primo que vive há dez anos com “um colega lá do ginásio”.
E depois há aquela tia senil e meio tresloucada desde 1968, que até aos meus vinte anos, sempre que me via perguntava-me: “Então? Já vais às miúdas?”. Até que um dia, finalmente, lhe apresentei uma namorada, que nada mais era que uma colega de escola que aceitou fazer esse papel, comovida com o meu embaraço. A partir daí a pergunta da ordem passou a ser: “Então? Já f***?” e de seguida passava-me preservativos para mão, tão furtivamente como se fosse uma grama de uma das tais substâncias que um dia, serão certamente a minha morte. E eu tenho de aguentar estoicamente todas estas provações porque foi esta tia que no Natal de 1985 me ofereceu “aquela caixa de chocolates bons comó caraças”, pelos quais eu ainda tenho de lhe agradecer todas as vezes que a vejo, não obstante o facto de nunca mais me ter oferecido nada.
Para tornar ainda maior a minha infelicidade nas reuniões familiares, existem na minha família, por um desses infortúnios do acaso, mais duas pessoas com o meu nome, supunhamos, para facilitar, “Teodorico”. Ora, sendo eu o mais novo dos três, calhou-me o triste cognome de “Teodorico pequeno”, ao passo que o mais velho é o “Teodorico grande”, e o do meio – felizardo - ficou isso mesmo: “Teodorico do meio”. Quando nos juntamos parece um remake da história dos três ursos, com as suas três tigelas de papas – grande, média e pequena, e as suas três camas, três cadeiras, três televisões e três pares de chinelos: grandes, médios e pequenos. Há alturas em que as pessoas se referem a nós quase como se fossemos pilhas Duracel. Quando eu era de facto “pequeno” não me aborrecia, mas era de esperar que actualmente, sendo até mais alto que os outros dois, tivesse conseguido granjear algum respeito. Já não digo “Teodorico o grande” ou “o gigantesco”, mas um “Teodorico o garboso” ou “o formoso”. Mas qual quê... Ainda há pouco tempo, alguém na minha família afirmou, com o olhar embaciado, que eu seria sempre o “Teodorico pequeno”. Como é que querem que eu algum dia lhes apresente uma namorada que seja uma rapariga séria, respeitável e católica, se teimam em chamar-me “pequeno”? Além disso, ainda insistem em relembrar as minhas tropelias de miúdo como se fossem aventuras vividas entre camaradas nos tempos do fascismo. Existem pessoas na minha família que eu nunca supus existirem, mas que nos casamentos e funerais me abraçam pela cintura e me recordam esses episódios, com um sorriso beato e a voz embargada. A minha esperança é que as gerações mais novas da minha família também se cubram de ridículo para ver se a malta esquece essas tristes ocorrências que se foram passando pelas auto-estradas desse Portugal, durante a minha infância e que, sem dúvida, farão com que eu fique pendurado no altar. Tremo só de pensar na reacção da minha quase futura ex-mulher, ao descobrir o quão eu era fã do “Chico Fininho”… E do “Cavalos de Corrida”. Mas na altura era, ou isso, ou a Lena d´Água e os Salada de Fruta. E quer-me parecer que essa hipótese me faria parecer, actualmente, muito mais ridículo...
Para tornar tudo mais terrível, desta vez – mais um acaso do destino – fiquei na mesma mesa que uma senhora já com uma certa idade que eu não conhecia de lado nenhum - e tenho quase a certeza que estava ali por engano - que, ao descobrir que eu não tinha apenas 19 ou 20 anos, como ela supunha – ficando portanto posta de parte qualquer possibilidade de censura social – me começou a mirar por entre os copos de champanhe e os arranjos florais com um ar que me fez prometer a mim próprio nunca mais ir a um casamento da minha família com a minha camisa gira e a (pouca) barba feita. Ainda por cima, havendo nas outras mesas toda uma colecção de miúdas giras, decotadas e transparentes...
Depois há as pessoas adultas a dançar como se estivessem a filmar um anúncio para gelatinas e a porra da gravata...
Felizmente a minha geração está praticamente toda casada e as reuniões vão começando a escassear. Creio mesmo que, a haver casório, só mesmo o meu. Mas bem podem esperar. Não me apetece nada ouvir o Padre terminar com um “Teodorico pequeno, pode beijar a noiva”.
A não ser que alguém se lembre de fazer reuniões de divórcios e nesse caso, estou desgraçado.

sexta-feira, 21 de setembro de 2007

Candle in the wind

Devo admitir que fiquei sinceramente comovido com as sentidas manifestações de carinho enviadas pelos adeptos do Chelsea a José Mourinho! Foi bonito ver nos noticiários aquela manifestação levada a cabo pelos súbditos de Sua Majestade pela continuidade do técnico português – o de maior sucesso da história do clube, diga-se. Achei particularmente curioso aquele adepto que, numa movimentação assim a dar para o “Emplastro”, agitava para a câmara uma folha A4 onde se lia: “FUCK YOU ROMAN”, que é como quem diz: “Olha lá pá… Então foste mandar o homem embora? E agora quem é que vem para cá que consiga gastar milhões de euros em jogadores e ganhar troféus? Vê lá isso…”. O milionário russo terá certamente percebido esse descontentamento popular quando chegou a casa e, enquanto a sua Natasha lhe servia o goulash com vodka, via o noticiário da SIC. Mas nada foi tão comovente como ver aquele grupo de adeptos que segurava uma bandeira de Portugal, enquanto entoavam cânticos a Mourinho ao ritmo de “La donna é mobile”. A última vez que um inglês pegou numa bandeira portuguesa deve ter sido quando um oficial da Marinha Portuguesa, nos idos anos de Mil e Setecentos se chibou aos ingleses para onde ia a esquadra de Napoleão. São estas pequenas coisas que ditam as diferenças. Se fosse em Portugal, Mourinho teria sido despedido ao som do Fado de Coimbra. Digam o que disserem, a cultura Hooligan tem as suas vantagens: quando perdem, malham nos adversários, quando ganham, malham na mesma… mas sempre com alegria e boa disposição. A vida já é triste e enfadonha que chegue para andarmos agora a rebentar com paragens de autocarros e estações de metro, carregados com um trombil até ao chão. Na Velha Albion é que sabem… Eu não consigo evitar sentir este desmedido orgulho, quando vejo aquele povo que come peixe com batatas fritas e parece nunca gostar de ninguém, prestar esta vassalagem toda a um português que come peixe frito e parece nunca gostar de ninguém. Julgais que é só vir a esta bela faixa de litoral, roubar-nos Vinho do Porto, Mourinhos e Cristianos Ronaldos, dando-nos em troca nada mais que miseráveis Melanies Cs e James Blunts? Pois devolvei cá o nosso Mourinho, e tomai lá “up your ass”! Está certo que também haveis levado com Ricardos Rochas, mas mesmo assim… Além disso, continuamos à espera do pedido de desculpas pelos álbuns de Samantha Fox… Depositai agora coroas de flores à entrada do estádio, fotografias e dedicatórias… Insultai a Rainha e a Família Real… Estou a imaginar uma espécie de “Prós e Contras” em versão inglesa, com convidados e público a dissertar sobre a importância e a falta que Mourinho lhes vai fazer, e onde no final do programa, seria transmitido um vídeo dos melhores momentos do ilustre Setubalense, desde a chegada à partida, passando pelas caretas que fazia no banco e pelos anúncios a cartões de crédito, ao som de, obviamente, “Candle in the wind”, re-escrito propositadamente para o efeito: “Goodbye Portugal's rose, may you ever grow in our hearts, you were the grace that placed itself, where lives were torn apart” – imagem de Mourinho acenando no centro do relvado – “You called out to our country, and you whispered to those in pain, now you belong to heaven, and the stars spell out your name” – imagem de Mourinho erguendo uma taça, procurando pela família algures no meio de cinquenta mil barrigudos vestidos de azul – “And it seems to me you lived your life, like a candle in the wind…” – imagem de Mourinho atirando, com desdém, a medalha de campeão inglês... Isto é serviço público. O próprio Primeiro-Ministro, Gordon Brown, já veio a público lamentar a saída de José Mourinho, o que é apenas natural porque, não tendo talvez, um partido da oposição tão insípido como têm alguns governos assim a dar para o sortudo, perdeu aqui toda a possibilidade de escapar mais ou menos despercebido quando meter o pé na argola. Acabaram-se as manobras de diversão vindas de Stamford Bridge: “Temos de passar a conduzir pela direita?! Shit! ´Pera aí… distraiam a malta com o Zé…”. “Yes, Prime-Minister”.
Mas toda esta história fez saltar na minha cabeça um dúvida pertinente: segundo as informações no site do Chelsea, Mourinho não se demitiu nem foi demitido. Então como é que foi? Como é que se chegou a este desfecho? Alguém tem de ter tido a primeira palavra. No fundo, é como a questão da galinha e do ovo: terá sido Mourinho a iniciar a conversa? - “Oh Roman… epá, eu se calhar… sabes que até gosto disto e tudo, mas… epá, se calhar vou-me embora… o Scolari até está entalado… e em Portugal o tempo até é mais quente…” – e neste caso seria um pedido de demissão, ou terá sido Abramovich, sentado na sua poltrona, fumando charutos cubanos, que terá tomado a iniciativa? – “Glasnost! Ó Zé… Ainda não ganhámos, pá! Perestroika! ´Tou farto de largar o caroço e ainda não fui Campeão Europeu! Moskovskaya! Se for preciso, eu compro a Carolina Salgado! Se calhar, é melhor voltares para Setúbal… Stolichnaya!…” – o que faria do caso um despedimento. Esclareçam lá isso…
Certamente que, daqui a dez anos, se realizará um concerto de tributo àquele que um dia disse, em sotaque Zézé Camarinha: “I think I am special”. E “special” és de certeza, meu caro… E a prová-lo estará para sempre esse cântico com o teu nome, que ecoará eternamente por esses estádios onde o Chelsea for jogar: “Jose Mourinho, Jose Mourinho… la donna é mobile…”. Isto é uma daquelas coisas que só está ao alcance dos predestinados, do “special one”.
Atrevo-me a prever que esse cântico irá figurar na história, lado a lado com outras músicas onde o sentimento de pertença e propriedade dão o braço ao amor eterno por algo ou alguém, como a já citada “Candle in the wind” de Elton John, “Georgia on my mind” de Ray Charles, ou até – que raio, porque não dizê-lo – “Favas com chouriço” de José Cid. José Mourinho deixa um autêntico legado a que só alguém tão “special” como ele poderá dar continuidade. Esperemos é que tenha uma melhor pronúncia, ou corre o sério risco de, quando quiser reclamar o seu lugar no trono, ao afirmar “I´m special too”, a malta acabe por perceber “I´m special two”.
Convenhamos que isso não deve soar lá muito bem ao ritmo louco de “La donna é mobile”.


Na realidade, eu não sei de cor a letra de "Candle in the wind". Limitei-me a pesquisar no Google.
E só para o caso de algum de vocês dois achar que eu sou tão esquisitóide que pudesse mesmo saber, aqui fica o link: http://www.eltonography.com/songs/candle_in_the_wind_1997.html
Além disso, nunca se sabe quando o treinador do vosso clube será corrido...

quinta-feira, 20 de setembro de 2007

Stanley Kirk Burrell

Muitas vezes sou assaltado por dúvidas verdadeiramente angustiantes que me toldam o raciocínio e me impedem de prosseguir normalmente com as minhas actividades diárias. Estas dúvidas surgem na minha cabeça com a mesma força e intensidade com que os neo-zelandeses fazem o seu “Haka” antes de um jogo de rugby. E eu, tento buscar uma resposta que acalme o meu espírito, agora incerto, com a mesma intensidade com que os “lobos” portugueses cantam o hino – desalinhado, gritando, abrindo a boca até aos joelhos, cuspindo perdigotos, enquanto com uma mão puxo pela camisola mais próxima e com a outra dou murros no peito, numa bagunçosa tentativa de impressionar um adversário muito organizado e alinhadinho… de uma forma comovente, portanto.
Mas o que aqui acabei de descrever, e que vos levará decerto a pensar: “Afinal este indivíduo… até tem uma certa queda para filósofo…” é para mim motivo de angústia, incerteza e noites a rebolar na cama, sem conseguir dormir, infelizmente para mim, acompanhado apenas por uma almofada.
Ora, uma das dúvidas que ultimamente me atropelou, deixando-me com a sensação de ter sido passado a ferro por algum neo-zelandês – ficando eu a estrebuchar inutilmente, enquanto o gajo se distanciava – foi: o que raio terá acontecido a esse grande ídolo dos finais de oitenta, que conseguiu rivalizar com estrondosos e talentosos fenómenos como os Bros e os saudosos New Kids On The Block, o verdadeiro messias de toda uma cultura de carros rebaixados, calças a escorregar pelo rabo e correntes de porta-aviões ao pescoço, o saudoso – adivinharam – MC Hammer? Caramba! Há que dias que eu não durmo de forma decente… Cada vez que sinto a sonolência apoderar-se de mim, lá me aparece, qual Virgem Maria à Irmã Lúcia, esse Pastor do Rap, com as suas calças feitas daquele material com que se forram as naves espaciais, e onde facilmente caberia a Margarida Martins, abanando as pernas e os braços, gritando “U can´t touch this”. Ah… as saudades que eu tenho de ouvir nos recintos dos carrinhos de choque por esse Portugal fora, esse berro de uma geração – a minha geração. Quais Nirvana, com os cabelos em desalinho e camisas surradas… Quais Metallica, com as suas carantonhas e cabelos sebosos… Se existe algum representante da geração de noventa que se aproxime do significado que tiveram para as gerações anteriores, sei lá, um Nelson Ned ou uma Linda de Suza com a sua mala de cartão, esse alguém é, sem dúvida, MC Hammer com as suas calças bamboleantes! Se José Cid é a Mãe do Rock Português, MC Hammer é a família toda e respectivos animais de estimação do Hip-Hop. Foi ele o Jesus Cristo de todos os ex-presidiários que gravam Cds com títulos como “Yô bitch, shake iô ass in front o´my face, a´aight?” e “Yô muthafucka, this here is my shotgun goin´up iô ass, yô”, e trocam tiros nas ruas de Los Angeles. Ainda hoje lembro com uma nostalgia babosa as vésperas do meu décimo aniversário, em que exigi aos meus pais umas calças à MC Hammer, brilhantes e com sapatinhos a condizer e tudo. Ora, como na altura não havia a possibilidade de fazer encomendas online, a minha pobre mãezinha não teve outro remédio senão percorrer, comigo pela mão, todos as lojas da baixa e todos os pisos das lojas Superconfex Maconde, em busca desse Santo Graal da coolness que eram as calça à MC Hammer. Em vão… o mais parecido que encontrámos foi, na feira do relógio, umas calças brancas, à Roberto Leal, que eram cinco números acima do meu. Mas eu não não desisti, e numa rebuscadíssima tentativa de aparecer na escola com o ar mais cool do ano, optei por vestir umas calças do meu avô, que também me ficavam largas e a balançar como uma bandeira ao vento. Mas não brilhavam… Eram feitas de flanela normalíssima e cinzentas, como tal, não serviram nem para o efeito moral e acabei por ser o alvo de chacota de toda a escola. Tive de começar a esperar que todos os meus colegas acabassem de almoçar para poder entrar na cantina sem ser atingido por bolas de miolo de pão e panadinhos de pescada. Esse mês de Junho de 1989 ficou marcado por esses acontecimentos, que todos os anos provocam a gargalhada geral ao serem recordados nas reuniões de antigos alunos, às quais eu vou, apresentando-me como “aquele aluno que veio transferido de outra escola no fim do segundo período”. A bem dizer, eu nem sequer gosto, ou gostava de Rap ou Hip-Hop. Mas achava que conseguiria ter mais sorte com as miúdas se conseguisse reproduzir em mim aquele ar de balão de S. João com óculos à intelectualóide… Depois, seria só aprender a dançar… O espectáculo que seria nos intervalos de quinze minutos… Mas o fascínio pela dança atingiu em mim o auge com o aparecimento desse Travolta do Rap que foi Vanilla Ice… Mas essa, é uma história que fica para outra ocasião. Portanto, e para concluir, às quatro da manhã desta madrugada decidi armar-me em Lara Croft em busca de artefactos e informações de eras longínquas: O que será feito de MC Hammer? Pois, senhores, Stanley Kirk Burrell – o nome verdadeiro do artista – segundo o Wikipédia, terá abandonado a música para se tornar Pastor Evangélico – lá está: Pastor! Que tipo de calças usará ele agora?
Porra! Mais uma semana de insónia…

quarta-feira, 19 de setembro de 2007

Graxa às gajas... miúdas... Senhoras!

Digam e pensem o que quiserem. Armem-se em durões de cacete numa mão enquanto a outra se prepara para assentar uns sopapos em alguém nos intervalos entre coçar as partes baixas e escarafunchar a narina esquerda… As evidências falam por si: as mulheres são, sem sombra de dúvida, O Sexo Forte. Não escrevo isto com o intuito de haver alguma leitora que se comova e me dê alguma abébia. Não é nada disso. Até porque as leitoras que tenho, conheço-as todas pessoalmente - são cerca de… uma – e sendo minha mãe, não conta para esses efeitos. Talvez um dia, quando este estaminé se tornar num livro, daqueles que esgotam nos escaparates dos hipermercados, eu tenha mais sorte. Certamente terei mais hipóteses de isso acontecer durante uma sessão de autógrafos no corredor dos produtos de limpeza de uma superfície comercial, do que a escrever anonimamente.
Mas enquanto isso não acontece, digo-o de forma desinteressada, repito, desinteressada: as mulheres são O Sexo Forte.
E porque raio afirmo eu algo que me poderá valer dolorosos dissabores quando, logo à noite eu entrar na associação columbófila lá do bairro? Muito simples: elas sabem a diferença entre as várias classes de ovos, e sabem especificamente qual nos devem mandar comprar. Como se o quotidiano de qualquer pessoa não fosse já complicado o suficiente, os supermercados ainda nos fazem perder tempo a olhar para as prateleiras dos ovos, com o olhar meio perdido, roendo a unha do indicador direito, e tentando desesperadamente parecer que sabemos o que estamos a fazer. Classe A, classe B, XL, M, mais amarelo, menos castanho… irra! São Ovos, porra! Vêm todos do mesmo sítio da galinha! Acham que não temos mais nada que fazer? Ontem perdi vinte minutos no supermercado a tentar decifrar qual seria a melhor combinação preço / qualidade. Por fim desisti, e acabei por me limitar a escolher uma caixa que não contivesse ovos partidos. E saí feliz comigo mesmo, por ter resolvido mais uma das dificuldades que a vida nos coloca. Mas uma mulher ter-se-ia desenrascado bem melhor. Em contrapartida, demorei cerca de vinte micro-segundos a escolher entre cerveja com ou sem álcool, branca ou preta. E isto deveria ser o máximo de dificuldade existente numa escolha de supermercado – “Olha que duas belas raparigas que ali vão. Qual é que eu vou seguir, como maníaco tresloucado que sou? Uma é loira, a outra é morena, uma leva no carrinho pacotes de gomas, a outra leva aperitivos de queijo. Uma leva caixas de preservativos, a outra leva a última obra da Margarida Rebelo Pinto… OK, está decidido!” Por que se há-de complicar tudo com questõezinhas de treta? - “Olha, aquela rapariga parece ter mamas XL. Mas a outra tem todo o ar saudável de uma Classe A.” Não compliquem!
Só as mulheres (e alguns indivíduos que apregoam no seu HI5: Favourite movie – Brokeback Mountain) sabem a diferença entre as várias classes de ovos. Isso é louvável e faz delas, sem sombra de dúvida, O Sexo Forte. Nós só queremos bola e cerveja… Elas, em contrapartida, querem “A cidade dos anjos” e capuccinos. Também sabem engravidar... E suportam as dores de parto… Este é talvez o único ponto em que podemos discutir com elas: as dores de parto devem ser chatas, mas nada de especial quando comparadas com uma bolada nos tomates. Além disso, assim que o rebento sai cá para fora, acabam-se, e só voltam a ser relembradas como algo inglório, quando o petiz chumba no sétimo ano ou decide que quer ser bailarina. A bolada nos tintins é mais complicada: acompanha-nos como um papão durante toda a vida. Quando por exemplo, alguma miúda sente misericórdia de mim, assalta-me sempre o pânico de que aquela bolada no oitavo ano, em que me armei em esperto e decidi jogar a defesa central - quando a minha posição natural no campo é agarrado ao comando da playstation – se vá reflectir precisamente nesse momento. Comparadas com isto, as dores de parto não passam de uma dorzinha de dentes. Isto leva-nos a outra vantagem inerente às mulheres: elas são capazes de fazer Sexo Misericordioso. Nós não! Ou estamos entusiasmados ou não há altruísmo suficiente no mundo que “nos” ajude. Elas por sua vez, mesmo que não estejam para aí viradas, podem num acesso de misericórdia, virar-se, para serem galardoadas com os melhores trinta segundos da “nossa” vida. Ouço alguém torcer o nariz ao conceito de Sexo Misericordioso? Pois fiquem sabendo que o Sexo Misericordioso (basicamente, o único que tive até hoje…) tem uma maior taxa de sucesso que a maior parte dos governos de qualquer país: segundo um estudo da ONU, pelo menos metade dos intervenientes afirmam ficar satisfeitos no final. Uma taxa de satisfação de 50% não é de desprezar… O mundo seria um local bem mais aprazível se mais mulheres governassem. Provavelmente teríamos uma guerra nuclear a cada vinte e cinco dias, mas as campanhas eleitorais seriam sem dúvida mais toleráveis, sem Valentim Loureiro aos berros e com farpelas mais elegantes que as de Miguel Portas.
E agora que acabei a minha dissertação de hoje, vou ver se a minha mãe já leu isto, e me deixa finalmente entrar em casa, para não ter de ir ver a bola no café.

segunda-feira, 17 de setembro de 2007

Dura Lex, Sed Lex... Com Durex

Esta semana ficou mais marcada do que a cara do sérvio Dragutinovic, após o “enxota-moscas” que Scolari lhe aplicou, com a entrada em vigor no nosso país do novo Código de Processo Penal. Ele é polícias que estrebucham, investigadores que amuam nos telejornais, Ministros que sim, oposição que não, Presidentes que desvalorizam tudo isso… enfim… uma canseira noticiosa. Ora, eu vou aproveitar esta deixa para tecer algumas considerações sobre a matéria, e provar de vez que neste estaminé também se tratam devidamente os assuntos sérios. Sim, porque isto não é só gajas e copos.
E a minha opinião é simplesmente esta: Se o governo mudou alguma coisa, é porque se apercebeu que algo havia a mudar. Não é o que todos nós fazemos? Está mal, muda-se! Acho que esta atitude até demonstra muita humildade por parte dos senhores ministros, a quem o país acusa constantemente de arrogância. Serei eu o único iluminado que vê isso? Devíamos todos estar agradecidos aos céus por termos nos nossos governantes homens de fibra, com coragem para modificar o que os anteriores fizeram de errado. A nossa Democracia, sendo uma coisa recente, só podia mesmo estar minada de leis obsoletas e ineficazes, com tantos vazios legais e incoerências que seria concerteza fácil a qualquer um cometer um crime e, de mãos nos bolsos, assobiando despreocupadamente, voltar à mini que deixara em cima do balcão. Tudo isto foi inexperiência, meus caros. E a experiência adquire-se cometendo erros. Felizmente os nossos paladinos da Justiça entraram em acção. 115 criminosos foram postos na rua? E depois? E quantos ficaram lá dentro? Os prazos de prisão preventiva para crimes graves foram reduzidos? Ó alminhas! Então não vêm as vantagens? Assim não se esgotam as capacidades das prisões sempre com os mesmos. Podemos prender preventivamente um maior número de malfeitores. Existindo rotação de reclusos preventivos, mais facínoras terão o privilégio de experimentar as frias e húmidas paredes dos calabouços… desde que haja rotatividade. O número de reclusos preventivos aumentará drasticamente: hoje um violador, daqui a uns meses, para o substituir, um traficante de droga, que será por sua vez rendido por um desses pedreiros de uma terreola desconhecida, que matou a companheira com 24 machadadas. Não há que ser fução. Dêem ponta aos outros, pá! Que raio… Digam lá se o Vale e Azevedo não está já a pedir a substituição? É que já irrita pá! Ali, agarrado à cela, não dá o lugar a ninguém, e a malta aqui fora a precisar de arranjar um buraco para prender preventivamente gajos que foram apanhados com a mão na massa a roubar caixas multibanco, carros e dependências bancárias. Não se admite. E foi para acabar com isto que se alterou o Código de Processo Penal no nosso país. E muito a tempo, se querem que vos diga.
Nós não somos, infelizmente, um desses países povoados por culturas superiores em que abundam as palavras “Honra” e “Gentleman”, como a Inglaterra ou os Estados Unidos, em que as leis não precisam de ser revistas porque há séculos que se provam eficazes e de uma aplicação inquestionável. E nós devemos olhar com reverência para esses países de onde, para além da moda e do hip-hop, nos deviam chegar também as leis. Devíamos importá-las e poupar trabalho e tempo de antena. É que o sistema judicial nesses países superiores está tão bem esgalhado, que nem há necessidade de o alterar. E são bem rígidas as leis. Por exemplo, sabiam vocês que é proibido por lei morrer no Parlamento Inglês? Aqui está um exemplo de uma lei que deveríamos importar mais depressa que os corta-unhas dos chineses. É que é uma tremenda falta de respeito estar um indivíduo a falar no parlamento, e vão dois ou três, pimba! Morrem. Assim, sem mais nem menos, deixando o outro desgraçado a falar com um amontoado de togas e perucas espalhadas pelo chão. E esta lei tem séculos! Que capacidade de antecipação, senhores… Devíamos importar essa lei, e adaptá-la à nossa realidade: É proibido por lei dormir no Parlamento Português. Ainda nessa grande nação que nos deu a Samantha Fox, qualquer mulher grávida pode fazer as suas necessidades onde quer que lhe ataque a vontade, até (grandiosa demonstração de serviço público) no capacete de um polícia, desde que lho peça. Está claro, em Portugal ia parar ao xilindró até que lhe rebentassem as águas, mas em Inglaterra, se o polícia for um gentleman, se calhar até lhe oferece a gravata para a senhora se limpar! É bonito. “Ai muito obrigado shôr guarda, mas isso tem 75% poliéster… É capaz de arranhar um bocado…”. Ainda no campo das necessidades sem pré-aviso, qualquer pessoa que durante a condução de um automóvel sinta vontade de urinar, só pode fazê-lo através do vidro, e se tiver a mão direita a tocar no volante… Em portugal a malta pára o carro à beira da estrada e cá vai alho… Que isto sirva de lição a todos quantos fazem lei em Portugal: então se os gajos podem mijar enquanto conduzem, um português não pode atender o telemóvel apenas durante o tempo suficiente para ouvir a mulher gritar que não se esqueça das cebolas? E acabava-se de vez com os badamecos que se passeiam de carro amarelo, afundados no assento, de boné encavalitado até ao nariz, e que se exibem de vidros em baixo, obrigando-nos a gramar com a sua música de carrinhos de choque. Passava tudo a andar de vidros fechados, não fosse o vizinho da fila ao lado, no tabuleiro da ponte, ser acometido de uma daquelas vontades incontroláveis, e não haver um polícia ao pé. É óbvio que nem todas as leis servem só para facilitar a vida à malta. Há umas que são lixadas. Por exemplo, em França é absolutamente proibido chamar Napoleão a um porco. OK, se calhar esta é desfazada da realidade portuguesa, mas adaptava-se, como as séries da TVI:
Ó faxavor!” “Diga, diga shôr guarda…” “Recebemos uma denúncia em como o senhor tem um porco chamado Paulo Portas!” “Eu shôr guarda? Não, não. Tenho uma arara chamada Paulinho, mas nada de porcos. Ora chame lá por esse nome a ver se eles respondem…” Ao que o zeloso agente da autoridade responderia, batendo os calcanhares, cravando no pobre desgraçado os seus ray-ban de contrafacção e lentes espelhadas, enquanto guardava, a muito custo, o livro das multas: “Bom, desta vez passa! Mas eu que saiba!
E podia continuar a dar exemplos de leis que deveríamos importar: No estado do Kentucky é proibido andar na rua com armas que tenham mais de 1,8 metros de comprido. Abaixo disso, tudo bem. Agora tanques de guerra é que não. Deve ser preciso uma licença especial. A carta de ligeiros não dá. Tirando isso tudo é permitido: Espingardas, catanas, bazukas, lança-rockets, dildos, tudo o que tenha menos de 1,8 metros. Se não, pode ser perigoso, e descambar em massacres nos liceus. Mas em terras do Tio Sam não se fazem apenas leis belicistas. Também se defende a moral: no estado da Florida, por exemplo, é proibido uma mulher solteira fazer pára-pente ao Domingo. Compreensível. Imagine-se num soalheiro domingo, um inocente petiz, de mão dada com os pais a caminho da igreja, prescrutanto o céu azul com os seus olhinhos curiosos em busca de aviões: “Mamã, mamã… o que é aquilo? Parece uma senhora a fazer pára-pente!” “Oh my god! Cruzes canhoto! Cover your eyes Junior! A gaja é solteira!!!!”. Convenhamos, é uma badalhoquice. Em Miami é proibido andar de skate numa esquadra de polícia, no Alabama é proibido vendar uma pessoa que esteja a conduzir, o que causa notórias dificuldades a bandos de raptores, no Vermont, qualquer mulher que queira usar dentadura postiça tem de pedir autorização ao marido (isto compreende-se), em Boulder, no Colorado, é proibido matar um pássaro dentro da cidade... Mas isto é só porque os gajos não têm uma estátua de D. Pedro, se não, a coisa piava de outra forma. Atravessando o Atlântico de volta à Inglaterra: Quem tiver uma doença contagiosa, não pode sair de casa e chamar um táxi. Acho bem! Porra! Mas afinal que vem a ser isto? Então… assim, doente e tal e vem à rua e chama um táxi… Lá que queira fazer outras coisas, como roubar lingerie do estendal da vizinha, ainda vá… agora chamar um táxi? Calabouço com o desgraçado!
As leis de cada país são a garantia dos direitos, liberdades e deveres dos seus cidadãos. E devem ser cumpridas e aplicadas. Mas em todo o caso, o melhor é usar protecção.

quinta-feira, 13 de setembro de 2007

Classificados da Ostra - Luiz F. S.

Do you feel lucky, Punk?...

Sargento na reforma, especialista em técnicas de combate de rua aplicado ao desporto, oferece-se para aulas particulares ou em estabelecimento de ensino, para ajudar a defender os meninos.

Conto no meu currículum com vários títulos – até de outros desportos – e sou 5º Dan na técnica “Fruta à Scolari” que consiste em atingir a perfeita simbiose entre dar murros de menina e de seguida recuar 5 passos. Ofereço também Workshop de “Técnicas de Negação e Queixinhas”, já que se torna cada vez mais importante dominar a técnica de negar o que todo o mundo viu e botar a culpa nos outros.
Agradeço resposta para o nº 58 da Rua Alexandre Herculano, em Lisboa.

quarta-feira, 12 de setembro de 2007

Obrigado Isaac Newton

Como todos os indivíduos que trabalham com estas soberbas maquinetas que têm tanto de problemático como um micro-ondas e tanto de lúdico como um jogo de Mikado – os computadores – a primeira coisa que faço depois de o ligar não é trabalhar. Até podia afirmar peremptoriamente que sim, mas seria certamente uma aldrabice bíblica. Não… Aquilo que faço depois do “Tchaaan” que indica que a estuporada maquineta não está avariada, permitindo-me desse modo voltar para a cama, é, muito naturalmente, navegar pela internet, ver os meus e-mails (o que me provoca gravíssimas crises de entusiasmo antes de ter sequer tomado o pequeno almoço) e ver os jornais on-line. “Um homem que não está informado não é um homem do seu tempo”, dizia não me lembro quem. E eu informo-me: quais os jogadores que sairam, os que entraram, quanto custaram, quanto vão ganhar e por aí fora.
Ora um destes dias, durante o meu périplo cibernético em busca de informação, que nada mais é que uma desculpa esfarrapada para as crises de ociosidade que me atacam até às duas da tarde, deparei-me com uma notícia deveras interessante, diria mesmo fantástica, digna de manchete na primeira página do defunto “Jornal do Incrível”, e cujo assombroso título era… “Mamas prejudicam actividade desportiva das mulheres”. É deste material que se fazem as lendas… Primeiro que tudo há que dar os parabéns ao ousado jornalista que teve a coragem de deixar na gaveta palavras como “peito” ou “seios” para utilizar o correctíssimo “mamas”. Porque “mamas” é que está correcto, apesar da conotação negativa da palavra. Imagino já na minha cabeça uma cena digna de figurar no filme “Os Homens do Presidente”, em que se retratava a forma como dois jornalistas investigaram o que daria origem ao escândalo Watergate: discussões entre o editor, preocupado com efeito que as “mamas” teriam na franja de leitores conservadores, e o ousado jovem jornalista, cheio de sangue na guelra, indiferente às ameaças de despedimento, gritando a plenos pulmões: “mamas!”. “Seios” gritava o editor. “Mamas!” respondia o aspirante a Lois Lane. “Glândulas mamárias!” cedia o chefe, já preocupado com as reacções do partido àquele deboche. “Não! Mamas!” insistia o não tarda muito recém-licenciado no desemprego. E “mamas” ficou. Estas “mamas” prestaram um muito patriótico serviço ao direito à liberdade de expressão. Para aqueles de vós que se sintam ultrajados com o que leram até aqui, tenham por favor em atenção que não fui eu que escrevi “mamas”. Eu limito-me a citar as “mamas” que outro qualquer escreveu, e de modo algum isto serve de pretexto para, de forma gratuita e desnecessária eu pôr-me para aqui a escrever “mamas” só pelo gozo que isso dá…
Mas a notícia propriamente dita também era interessante. E também muito carregada de “mamas”.
Ora o que acontece é o seguinte: depois de uma pesquisa realizada na Universidade de Portsmouth, ficou a saber-se que as “mamas” das mulheres prejudicam grandemente o desempenho das actividades desportivas. Aqui eu pergunto: o que entendem eles por “actividade desportiva”? Apenas as actividades em que temos de nos sujeitar a uma classificação e recebemos medalhas se formos incrivelmente rápidos? Ou também se incluem as actividades em que não há medalhas mas em que a malta também se farta de transpirar, e em que não convém mesmo nada acabar em primeiro lugar? É que se for esse o caso, nunca me constou que as “mamas” atrapalhassem o que quer que fosse. Antes pelo contrário. O que é que a malta faz na ausência de “mamas”? Atarracha lâmpadas? Descasca tangerinas? Enfim… E a notícia continuava: A pesquisadora, uma mulher de nome Joanna Scurr, descobriu que as “mamas” podem balançar uns assustadores 21 centímetros aquando a prática de desporto… 21 centímetros? Afinal quem é que a menina Scurr utilizou para elaborar este estudo? A Dolly Parton? É que eu já vi “mamas” a abanarem durante a “prática de desporto” e nunca tive a felicidade de vê-las percorrer uma distância dessas. Já alguém viu aquela desgraçada que foi atirada para as madrugadas da TVI para apresentar um concurso para padeiros e guardas nocturnos? É que a rapariguita às vezes entusiasma-se, mas nada que se pareça com 21 centímetros senhores! Mas, a ser verdade, agora percebo o sucesso do Basquetebol feminino! Onde é que será que a Ticha Penicheiro vai buscar as dela quando faz um lançamento triplo? Ou será que é por isso mesmo que lhe chamam um “Lançamento Triplo”? Mas este é um fenómeno recente que estará com toda a certeza intimamente ligado à facilidade com que se recorre aos implantes mamários actualmente: é que segundo o mesmo estudo realizado há uns anos atrás, as “mamas” modernas balançam mais do que as antigas, que não ultrapassavam uns moderados 16 centímetros. Mas agora pergunto: como é que levaram a cabo esse estudo? É que isso interessa-me, mas desconfio que se entrar num pavilhão gimno-desportivo, onde esteja a decorrer algum jogo de Basquetebol feminino e pedir para medir a distância a que saltam as “mamas” das atletas, quer-me parecer que isso só me dará direito a ser lançado contra uma das tabelas.
E já agora também agradecia que me explicassem em que medida é prejudicial as “mamas” saltarem. Haverá coisa mais salutar na prática desportiva do que ver duas ágeis “mamas” a balançar, como se fossem dois hipopótamozinhos a saltar de nenúfar em nenúfar? Começo a dar razão ao que a minha mãe dizia de cada vez que me queixava de dores de cabeça: “Se te dói, é porque lá está…”, e esta pérola de sabedoria aplica-se perfeitamente neste caso: se elas abanam, é porque lá estão… O contrário é que seria grave. A lei da gravidade também foi descoberta para ser utilizada. Se se põem a publicar coisas destas, não tarda muito temos uma corrida à redução de “mamas”! Deixem lá as “mamas” saltitarem à vontade…
Continuando, a notícia informava que também as senhoras de “mamas” mais humildes podem sofrer com esse problema. Eu gosto deste termo – “mamas mais humildes” – devem ser aquelas que não saltam, põem-se em bicos de pés, e que, muito humildemente, pedem desculpa por serem tão… humildes. Eu acho que a humildade fica sempre bem às “mamas”. “Mamas” pretensiosas é que não! Lá porque parecem apontar para o tecto…
Finalmente, a notícia renovava a esperança a todas as vítimas desse verdadeiro flagelo dos nossos tempos que são as “mamas saltitantes”: a ajuda está a chegar. Na forma de suportes especiais. Isto porque os soutiens existentes nos mercados ainda não são inteiramente confiáveis, já que as mamas também balançam para os lados. Epá… Afinal aquilo não é só cima, baixo, p´rá frente e p´ra trás. Também é p´rá esquerda, p´rá direita, p´rá esquerda, p´rá direita. Lanço daqui um apelo para que revejam a próxima edição do Kama Sutra e incluam a “Posição do Malhão” ou a “Posição do Vira”... É que não há motivo para a malta não desfrutar dessa agilidade toda, e quebrar a monotonia do cima, baixo, p´rá frente, p´ra trás... Já estou a imaginar grandiosos concursos de ginástica rítmica de “mamas”, em que as participantes apresentariam, para além das costumeiras fitas e hula-hoops, bonitas coreografias de “mamas” a saltarem e abanarem em várias direcções, tudo muito bem sincronizado: Esquerda, direita, p´ra baixo, esquerda, direita, p´ra cima… Tudo isto ao som de Vangelis. Haveria de ser com toda a certeza um grandioso espectáculo. Quem sabe se não chegaria a ser até, modalidade Olímpica – desde que Portugal não concorresse com a Vanessa Fernandes… Ora, digam lá senhores, em que é que as “mamas” a abanar podem ser prejudiciais no desporto?