quinta-feira, 24 de julho de 2008

Por esse preço dava uma volta de cacilheiro

Mais um dos casos que me faziam acreditar que o tipo lá de cima não ia muito à bola comigo.
Era um daqueles casos que dispensava diagnóstico médico. Podia dispensar a autópsia.
O tipo em questão não devia valer sequer um dois de copas.
E para alegrar o meu dia, seria eu que teria de descobrir quanto é que o gajo valia.
Porque quereria alguém saber esta trampa?
“Porque raio de carga de álcool é que aquela ratazana do Google continua a mandá-los vir ter comigo?”, pensei, no meio da balbúrdia de dores de cabeça e recordações pouco nítidas de bolas de espelhos e pompons da noite anterior.
Eu era o pato. O gajo que havia sido tramado para ter de resolver uma merda cujo resultado preferia desconhecer.
O outro estava na festa de lançamento do seu livro, armado em investigador Hot Shot, e eu que desse o corpo às balas.
Como sempre… sou sempre o tipo dos ressaltos.
E o meu amigo Jack já se pusera a fancos dali para fora, depois da farra da noite anterior, deixando apenas uma foto sua, esbatida, a fazer o pino em frente do meu nariz.
De roupagem preta e letras brancas.
Jack is jolly good fellow. Mas estas noitadas roubam-me anos de vida.
Que se lixe. Já é tarde demais para milk and cookies.
A questão massacrava-me...

Ocorreu-me que talvez tivesse de dar um salto à praia. À procura de pistas.
E do turista inglês que me ficou a dever cinco euros. Não é pelo dinheiro.
Mas o role-playing paga-se.
Especialmente quando há répteis envolvidos.
Para um tipo de sobretudo e chapéu, talvez não fosse uma ideia brilhante.
Mas fiz o meu trabalho. Não foi fácil.
Havia qualquer coisa de assustador que fazia com que nas ruas, ninguém falasse.
Nos becos escuros onde acabei tantas noites, ninguém falava.
O silêncio era quebrado apenas pelo som de "I will survive" de Gloria Gaynor, que saia da bôite onde tantas noites eu havia entrado e brilhado...
E corrido a pontapé pelo porteiro vestido de canalizador... no hard feelings...

A minha simples presença naquelas vielas inquietava aqueles tipos, que evitavam olhar-me nos olhos...
Afinal, quem seria este tipo? Em que espécie de sordidez andaria envolvido?

E teria ele sido um dos metidos na Sanduiche da noite anterior?
As dúvidas assolavam-me a moleirinha como uma carga de água na Indonésia.
Pensei em largar aquilo. Ia arrepender-me de querer saber.
Mas, não gosto de deixar nada por acabar.
Não desde os tempos das “Noites Amadoras – Mostre o que vale no nosso varão”.
Não faz o meu género.
Mas onde arranjaria eu um chibo?

Um gajo que cantasse o que eu queria saber?
Que se lixe. Decidi basear-me nos meus instintos. Sempre era uma resposta.
“quanto pagar pela pérola dentro da ostra?”...
Só conheço um tipo que responde por esse nome...
Em certos círculos... onde as identidades se esbatem como um albino numa line-up da polícia.
Faz-se acompanhar por um tipo baixo, verde, de tão doentio...
É mais um caso de violência doméstica: o Homenzinho Verde arreia-lhe com força...
...
E francamente! Se esse tipo algum dia produzir algo como uma pérola, que brilhe…

…não vale muito mais que uma noite de farra com o meu amigo Jack!
…e talvez uns pretzels...

terça-feira, 22 de julho de 2008

This is a job for... quem?...

De modos que este, é o resultado de uma tórrida noite de amor entre o Batman e o Super Homem. E percebe-se perfeitamente!



Ora digam lá se não e a cara do pai. Ou da mãe… Depende de quem teve mais força durante o confronto, e acabou a ficar por cima.
Eu acho que o povo americano deve, neste momento, estar a rejubilar de alegria e a descontrair o esfíncter, porque acabou de ganhar um novo campeão e paladino da justiça. Com a vantagem de este não vir cá com aquelas mariquices das identidades secretas e alter egos que se comportam como parvinhos para despistar eventuais curiosos que podiam descobrir quem ele é.
Este não engana ninguém!
O que é como Super-Herói, é-o como cidadão.
Não há cá meias tintas, e não vai andar a sacar gajas vestido de lycra, para depois ser um desajeitado de blazer.
Vai ser um tipo coerente: se for um desastre no campo amoroso, sê-lo-á, independentemente do que tenha vestido. O que não significa, contudo, que este Super-Herói esteja tão condenado à virgindade como o Lex Luthor à prisão: se o tipo se portar bem na escola de Super-Heróis e tirar boas notas, principalmente nas cadeiras de Evitar Descarrilamentos, Salvar Gente de Edifícios em Chamas e Tirar Gatinhos de Cima das Árvores, o papá Super-Homem já lhe prometeu a capa voadora.
Assim que ele tiver altura, se não, manda-se fazer a bainha.

E o papá Batman já lhe prometeu emprestar o Batmóbil para ir à discoteca, desde que ele esteja em casa às duas da manhã, beba Coca-Cola, não deixe os bancos sujos, nem as beatas das ganzas no cinzeiro.
E não há gaja que resista a um carrinho daqueles. Atrevo-me até a apostar que este puto vai ter mais saída que o Cristiano Ronaldo.
E depois, há também o factor genético: que melhores espécimes se podiam conhecer, beber uns copos, copular e dar origem a mais completo Super-Ser, que Batman e Super-Homem? Senão, repare-se: o gajo vai ter a velocidade de uma bala, força suficiente para levantar um transatlântico e vai ter uma visão raio-x, que no Inverno dá sempre jeito porque as miúdas teimam em vestir aquela roupa toda.
Aliado a isso, vai ter todas as Bat-Engenhocas que o farão parecer o James Bond, e uns abdominais desenhados no fato, que o farão parecer um culturista da Costa da Caparica.
E nem a provável voz ridícula que a foto sugere será suficiente para dar cabo do charme.
Depois, há a questão das fatiotas: Preto e com máscara para sair à noite, lycra azul e vermelha para os dias solarengos.
Mas sempre com capa, porque de certeza que não vai querer passar por pelintra, ainda por cima, vindo de tão ilustres famílias.
Espero é que, a bem da sua vida social, se tiver mesmo de vestir umas cuecas daquelas, o faça pela ordem correcta: primeiro as cuecas, e só depois as calças.
Eu fico feliz por esta Super-União e espero sinceramente que venham novos Super-Heróizinhos a caminho.
É que eu também já estava um bocadinho farto de ver aquela rameira da Lois Lane a dar-se à morte, e depois cortar-se na altura da verdade!

Não há homem que aguente, pá!
Quanto mais um Super-Homem, com uma Super-Rebarba!

O desgraçado devia tomar os duches frios no topo de um icebergue!
E o Batman também já não devia andar muito feliz na sua relação com o parvalhão do Robin! Era sempre ele a ter de fazer tudo: conduzir o Bat-Móbil, a Bat-Mota, o Bat-Barco e o Bat-Avião. Tinha de decidir onde eram as Bat-Férias e em que Bat-Praia.
Qual era o Bat-Restaurante onde fariam a Bat-Reserva para Bat-Jantar.

Qual era o Bat-Vinho.
Bat-Carne ou Bat-Peixe?…
E o outro tinha sempre o Bat-Móvel desligado…
E nem ouvia o Bat-Voice Mail…
Isso deve ser super Bat-Saturante e o menino Robin estava-se Bat-Borrifando…
O outro que se Bat-Preocupasse. Ora, assim, não dava.
Se ele gosta assim tanto da Bat-Girl, que fique com ela, a ver se o Batman se Bat-Rala! É o Bat-Ralas…

Eu só espero é que o facto de o Batmanzinho ter uma costela Muçulmana não lhe traga problemas.
É que ainda por cima, um dos pais deve ser da família do Bin Laden. Devem ter andado a esconder esse facto porque, convenhamos, Guantanamo não é sítio digno para um Super–Herói.
Apesar de lá haver uns quantos desgraçados a precisarem de ser salvos.

Deve ser por isso que tanto o Batman como o Super-Homem têm andado tão caladinhos nos últimos anos, e não embarcaram na luta contra o terrorismo...
Eu cá não sabia desse parentesco, mas como nunca fui fã de Super-Heróis, pensei que os tipos agora andassem mais calmos por causa do preço dos combustíveis.
É que o Bat-Móbil e a Capa Voadora não devem gastar pouco.
Mas parece que o Batmanzinho optou por não renegar as origens. Assume com desmedido orgulho o nome de família Bin. E isso, é bonito. Sem qualquer tipo de conotação negativa.
Eu tive um tio que era perito em explosões e demolições não autorizadas, mas isso não significa que eu seja igual.
Eu nunca fui capaz de fazer explodir uma bombinha de carnaval, tão pouco.
Mas o meu tio fazia bombas com garrafas de Sonasol e um esfregãozinho Bravo...
Espero que os Américas não se lembrem de algemar e apontar um candeeiro à cara do Batmanzinho, para o interrogar, no preciso momento em que ele se prepara para salvar um tipo que se queira atirar do topo do Empire State.
É que aquilo ainda é assim a dar para o alto, mas não sei se dará tempo para um interrogatório completo.

segunda-feira, 21 de julho de 2008

Ahhh... Segunda-feira...

Sabemos que a nossa semana vai ser miserável quando, depois de sairmos de casa, e ao desembarcarmos do elevador no rés do chão, somos verdadeiramente bombardeados pela criatura que habita aqueles confins, com isto:





...comparado com este ataque, Pearl Harbor foi uma festinha de Carnaval...

sábado, 19 de julho de 2008

Make my day... punk!

... e o prémio "Se eu fosse um bocadito mais alto, era o Clint Eastwood" desta semana vai para...


Valentim Loureiro reiterou, em entrevista à SIC, a sua inocência no processo Apito Dourado e deixou um pedido a Luís Filipe Vieira, presidente do Benfica, para que não se meta com ele.

“Estou neste lugar porque ele me apoiou. Se está arrependido, faça o favor de não se meter comigo."

Fonte: Record

E se passasse três anitos a engordar em Vale de Judeus, ainda se habilitava a ganhar o prémio "Epá, se eu rapasse a barba era o Tony Soprano"...

quarta-feira, 16 de julho de 2008

Video made the porn star

A questão foi-me colocada com a mesma força que o proxeneta da noite passada aplicou no acessório fetichista que usou para treinar o seu swing nas minhas costelas.
São os meus ossos do ofício, e normalmente acabam partidos.
Se eu soubesse, tinha cobrado não uma, mas duas garrafas de Highland Clan.
A tipa tinha pinta de poder pagá-las. Isso e muito mais.
Talvez até um maço de Definitivos ou uma onça de tabaco de enrolar.
Não conheço muitas mulheres que se possam dar ao luxo de recorrer a mim para descobrir “homens programas de cuecas”. Ou talvez não fosse uma tipa… Já vi isso acontecer.
Whatever floats your boat, é o que costumo dizer.
E não estou cá para fazer perguntas. Estou para responder. Desde que paguem.
E eu gosto de me fazer pagar.
Sempre gostei. Em todos os trabalhos que tive, e que alguns dizem terem sido moralmente questionáveis. E depois? Eu não sou melhor. Nem este trabalho. Mas vai dando para a gasolina.
O Zippo não acende com água e a consciência não me paga as fianças.
E se algum dia tivesse de treinar uma voz de falsete e vestir corpetes cor de rosa, para depois os despir, agarrado a um varão, num bar de marujos que me chamariam Nini, seria porque alguém o pagaria.
Mas este era um caso dos complicados.
O que me valia, é que ainda me restavam três costelas inteiras para saciar o eventual Agente da “AuDORidade” que me iria cilindrar, quando estivesse à beira de descobrir o que este caramelo queria.
É sempre assim.
Mas levo porrada com um sorriso nos lábios.
Não num sentido masoquista. Não desde que se recusaram pagar-me porque gritei demais.
Assim que entrou, olhei de soslaio na direcção do seu azimute, e tirei-lhe a pinta: mais um “cidadão respeitável e influente”, com gostos que me traziam à memória velhas noites de garrafas…
Ora cheias, ora vazias. E por vezes, surpreendentemente anatómicas.
Na minha cabeça, soou o canto dos anjos: Dinheiro a cair-me em cima da secretária.
Ia ser mais uma luta tremenda para fazer a gaja devolvê-lo.
Desviei o saco de gelo da tromba e tentei fazer o sorriso mais encantador que consegui. Não gosto de sorrir, e isso notou-se: saiu-me um sorriso mal amanhado.
Experimentem ser esbofeteados com um dildo, e depois digam-me o que é que isso faz à vossa carinha laroca.
Não se impressionou e não se sentou. Ficou de pé.
Normalmente não gosto de olhar de baixo para cima. Sugere submissão. E esses tempos já lá vão.
Mas as dores percorriam-me o corpo, numa corrida desenfreada para ver quem chegava primeiro a uma meta que não existia.
Percorriam-me o corpo como se estivessem numa corrida de Nascar.
E ainda faltavam muitas voltas para o fim.
Não se identificou. Nunca o fazem.
E eu prefiro assim. Há certas coisas que não se devem saber. Como a origem dos meus rendimentos. Ou as minhas ocupações até ao ano passado. Não eram bonitas.
Nem esta, para dizer a verdade, mas quando nos “esquecemos” da moral no cacifo do jardim escola, ninguém pode esperar de nós uma conduta idónea durante o resto do inferno a que alguém chamou “Vida”.
Explicou-me o caso, enquanto eu acendia um cigarro. O tipo estava nervoso.
Apercebi-me disso quando se sobressaltou ao ouvir o meu “Trademark Zippo Click”.
Sosseguei-o e ofereci-lhe um cigarro. Que descontaria depois nas despesas.
Se ele ficou naquele estado com um isqueiro, nem quero imaginar quando ouvir o mesmo som vindo de uma .38…
Não aceitou. Estava mortinho para se pôr na alheta dali para fora.
O meu decorador haveria de ficar sentido…
Mas o tipo estava ansioso.
Esfregava as mãos e transpirava como um condenado à morte a comer o seu último bitoque.

Receoso que o vissem.
Tanto quanto estava doido por descobrir o que queria: “vídeos de gajas a fazer sexo com animais”.
“Merda”, pensei.
Como é que raio iria eu conseguir entrar no Animatógrafo, depois da bronca daquela noite?
E não me apetecia nada ir a Albufeira hoje...

segunda-feira, 14 de julho de 2008

Noite escura, garrafa vazia, dedos queimados

A noite estava quente como o pico do Verão no deserto Australiano.
Tão quente que que nem os costumeiros mosquitos, de requintes vampirescos, se atreviam a levantar voo.
Até a maldita ventoinha, que normalmente era o meu oásis onde o ar ainda parecia circular, parecia estar a fazer greve. Como se fosse movida a derivados de petróleo.
A luz do computador portátil incidia lugubremente na parede branca deste pardieiro a que chamo escritório. Onde a confusão se amontoa onde quer que arranje espaço.
Onde faço os possíveis para ficar de noite, e não evito o suficiente frequentar de dia.
Sou um noctívago, quando posso, e uma criatura da luz porque não o posso evitar.
Temo que um dia me torne tão sombrio como a escuridão pontilhada de estrelas que via lá fora.
Nada mexia, a não ser a hora de ponta de pensamentos entre as minhas orelhas, e nada se ouvia, a não ser a música recheada de violas acústicas e solos electrizados, cuspidos pelas colunas à minha frente, no que parecia ser o único movimento de deslocação pelo ar de alguma coisa.
O som da música. Tão familiar e tão noctívaga como eu.
Não vou dizer o meu nome. Não interessa. Basta que saibam que não é Nini.
O meu aspecto? Não inclui meias de rendas e maquilhagem berrante.
Não desde que fui apanhado numa rusga e apalpado por um polícia corrupto, que me usou como um green de golfe, ao descobrir que as minhas mamas eram afinal dois pares de meias de angorá.
Sou um cínico. Já nada me encanta. Por isso escolhi este trabalho. O trabalho que todos querem feito, mas ninguém quer fazer..
O trabalho que não enriquece ninguém, a não ser os tipos sujos e sem princípios, que não se detêm perante qualquer vislumbre de consciência.
Mas eu gosto de dormir descansado. Pousar a cabeça e esperar não sonhar.
Mas não tenho ilusões. Um dia… Serei eu o corrupto que apalpa meias de angorá, com requintes kinky
O meu trabalho? Não é chamado ao caso… Basta que saibam que não é debaixo de um candeeiro de luz mortiça, que parece provocar mais escuridão do que a própria escuridão da noite.
Não desde que um ilustre médico me abordou e me ofereceu dez euros abaixo do que eu achava que merecia. Mais uma guerra de classes que perdi. Que se lixe…
Mas naquela noite em particular, algo agitou a luz debaixo da porta. Alguém que não queria ser reconhecido, e se aproximava de forma esquiva...
Os meus três sentidos puseram-se em alerta como um perdigueiro.
Dirigi a mão à gaveta e abri-a, tentando que o ranger da madeira não fosse muito óbvio.
Abri-a o suficiente para lá enfiar a mão, e esconder o catálogo da La Redoute.
Aquele que traz os preços fabulosos dos chinelos de praia.
Entrou. Dissimulado. Não lhe percebi o recorte da silhueta contra a luz. Normalmente desconfio destes gabirus.
Tirei o chapéu dos olhos, e indiquei-lhe, com o queixo esticado, a cadeira à minha frente.
Não tirei os pés da secretária.
Já tinha marcado com ela a sessão de pedicure há mais de quinze dias, e as minhas unhas já estavam uma lástima. Sem réstia de verniz…
Também não me preocupei com a hospitalidade. Afinal de contas, tinha-se-me acabado o Scotch, e o Lidl fechara às 22.00h.
O click do meu Zippo encheu o ar com o som de uma bala a aconchegar-se no cano da pistola...
Depois, o fumo expelido dos meus pulmões... como um cogumelo atómico...
Perguntei-lhe ao que vinha. Como se isso me interessasse. É o meu ganha-álcool, mas nem isso me faz tentar parecer um tipo porreiro, que se preocupe.
Mas sou dos bons. É comigo que vêm ter quando procuram algo.
Quando alguém precisa de saber, descobrir, saciar uma curiosidade, por vezes mórbida, de descobrir algo que os deixará a sentirem-se miseráveis, i´m the man… Não os tento demover. Não tenho vocação para padre...
Usar crucifixos como cabide valeu-me a expulsão do seminário aos quinze anos…
Tossicou. Olhou para todos os lados, e cuspiu a informação de que eu precisava, e que não me interessava minimamente...
Mas eu sou dos bons.
Não perguntou quais eram os meus honorários, e isso agradou-me. Estes são os tipos que normalmente têm os bolsos mais fundos que a minha sede. E é um dever de qualquer cidadão saciar a sede e a fome do seu semelhante. E eu tinha sede...
Apesar de o gajo ser mais gordo que eu…
Procurava algo muito específico. Concreto. Não havia meias-voltas nem possibilidades de erro. Clean and simple. Seria bom se isso me evitasse as costumeiras bordoadas e nariz partido com que chego a casa ao fim da noite.
Disse-me que tinha perguntado a um tipo, que lhe garantira que, da lista, eu era o mais indicado para descobrir o que ele queria.
Um tal de Google.
Conhecia-o de nome. Um chibo a quem toda a gente recorria para fazer perguntas.
Gania tudo, sem qualquer constrangimento, o bufo.
Poucas coisas me chateiam mais que um chibo. Mas era um trabalho.
gajas que procuram macho em Bucelas”.
Era o que este gajo procurava.
Disse-lhe que depois entraria em contacto. Com o valor dos honorários. Não ia ser pouco.
A limitação geográfica paga-se.
Mas aceitei o caso…
Disse-lhe que começaria, assim que resolvesse o caso que tinha em mãos de momento: “como se faz para ter uma coisa no rato no hi5?

Inspirado em Tracer Bullet

sexta-feira, 11 de julho de 2008

E o contemplado é...

O Homenzinho Verde que vive na minha cabeça foi premiado!
Após anos de uma existência em que os seus interlocutores o olhavam de esguelha, com qualquer tipo de objecto afiado na mão, não fosse o Diabo tecê-las, alguém achou que o gajo merecia um prémio! Uma bolsa de estudo!
Os mecenas podiam tê-la oferecido a alguém que desse garantias de sucesso, mas não…
Deram-na ao Homenzinho Verde que vive na minha cabeça.
No fundo, é a possibilidade de fazer Erasmus noutras cabeças, e dar-me a mim o descanso que preciso.
Porque isto não é fácil, e ver a malta a fugir cada vez que ele fala, está a tornar-se uma rotina chata!
Mas quando for o Sr. Doutor Homenzinho Verde, talvez tudo seja diferente…

A minha cabeça é, neste momento, um autêntico arraial de fogo de artifício, álcool e strippers em tons de verde!
Não mais o pobre Homenzinho Verde, que tantas vezes mando calar, será vítima desta ditadura sul-americana que se vive entre as minhas orelhas!
Vai poder falar, expressar-se e dar opiniões, como qualquer pessoa…
Apesar da pigmentação fora do comum.
Acabou o cativeiro, o gajo vai sair cá para fora, e até já quer que o trate por Ingrid…
E está extasiado com essa perspectiva! Tanto, que nos últimos dias, é só ele que fala.
Agora, manda-me calar a mim.
E eu acho que o mundo ficou um lugar bem mais agradável, para ser sincero.
Cheguei à conclusão que é melhor deixar o meu inquilino ter a sua oportunidade no debate, até porque é perfeitamente seguro: ninguém me vai cravar com a chave do carro na traqueia, em plena luz do dia.
Até podem fazê-lo, mas a seguir vão ter de abandonar a cena do crime de autocarro!
Ainda me ocorreu que quem o premiou, tivesse na sua cabeça, não um Homenzinho Verde, mas sim uma população de Homenzinhos Azuis.
Eu prefiro achar que não…
Homenzinho Verde?
…Mas se for esse o caso, que se lixe... Afinal, quantos Homenzinhos Verdes achas que esta gente conhece, que tenham possibilidade de ir à escola, pertencer a uma tuna académica, fazer parte da Associação de Estudantes e engatar miúdas à conta disso?
É esse o espírito!
Naturalmente, estou um pouco apreensivo com esta nova etapa nas nossas vidas…
Assusta-me a ideia de me tornar o elo mais fraco desta relação.
Assusta-me a ideia de perder todos os confrontos para o Homenzinho Verde, e que passe ele a ser o membro dominante.
É que se passar a ser ele o dono da palavra, está tudo fodido!
…não vais falar assim à frente dos outros meninos…
Isto pode muito bem significar a morte da minha possível vida social.
As pessoas vão passar a dirigir-se à loja do cidadão para, enquanto esperam pelo B.I., requererem uma ordem de restrição contra mim, que não tenho culpa nenhuma, porque sou apenas o senhorio…
E se soubessem o escândalo de renda que ele paga, ficavam de queixo caído!
Já perdi a conta à quantidade de horas que o Homenzinho Verde passou naquele ritual pré-escola: forrar livros, afiar lápis, testar pincéis e colar nos cadernos fotografias de gajas que vêem nas revistas.
Ele está mesmo entusiasmado. O que é bom sinal. Vamos ver se é desta que este vagabundo faz alguma coisa da vida, agora que vai ter um canudo, e me desampara a loja, porque isto alugado a meia dúzia de imigrantes de leste, ainda dava umas coroas interessantes…
Quem sabe se não estaremos na presença de um futuro Ministro ou Secretário de Estado?
Pode não parecer, mas a maior parte deles também andou na escola.
Ou então pode sempre agarrar no canudo, e, à boa tradição portuguesa, guardá-lo na gaveta das meias. O importante é que se sinta realizado e, que seja aplicado e bom aluno.
Para ter as oportunidades que eu nunca tive, porque no meu tempo isto não era nada assim.
Não te preocupes, meu caro. Prometo que vou sempre fazer o TPC, prestar atenção nas aulas, e não ser mandado para a rua com faltinha a vermelho…
E não te esqueças do mais importante para um percurso académico feliz e bem sucedido: dar graxa aos profes, ser o menino querido e chibar dos gajos que copiam.



quinta-feira, 10 de julho de 2008

Direito de resposta... mas não te estiques!

...e o prémio "Aposto que já estavam todos à rasquinha por causa dos Jerónimos!" desta semana vai para...



Luís de Matos garante que "nunca estaria disponível para fazer desaparecer o Mosteiro de Alcobaça" e que tal ideia não passou de um boato.

Fonte: Correio da Manhã

...ainda bem, pá! Sendo assim, fico mais descansadinho! Posso arrumar a farda de Harry Potter e ir dormir a casa...

quarta-feira, 9 de julho de 2008

Now you see it… and now you see it!

O mundo - e em particular a cidade de Alcobaça - é um sítio muito injusto!
Quando o David Copperfield português que é Luís de Matos, decide actuar onde quer que seja, isso devia ser motivo para rejubilar de alegria.
Não há Visita de Estado ou Eclesiástica que se compare à honra de receber o maior mágico português, a seguir ao Vale e Azevedo. E mesmo esse, já nem é português. Foi elevado a Mágico do mundo.
Haverá maior emoção que sair de casa depois de jantar, para ir assistir a um espectáculo de alto gabarito, sem sabermos o que nos reserva o artista, ou, se conseguiremos voltar para casa com o relógio e a carteira?
Eu acho que a malta de Alcobaça é muito mal agradecida.
Senão vejamos: o tipo vai até lá, na disposição de fazer um número de magia!
Porra! O que é que querem mais, pá?
Tudo bem, o título de “A maior metamorfose de todos os tempos”, será talvez um pouco exagerado.
Todos nós sabemos que essa honraria já foi entregue há muito tempo à Valentina Torres, mas não é isso que lhe vai tirar o mérito.
Ó senhores, sejamos realistas! Então queriam que o desgraçado, em apenas três minutos, fizesse desaparecer o mosteiro de Alcobaça todo?!
Deixem que vos diga que isso é uma ambição tão irreal como ter o Benfica na Liga dos Campeões.
Eu lembro-me perfeitamente de ser miúdo, e não conseguir sequer desaparecer com a nota de mil paus que os meus pais me emprestavam para treinar os truques novos, quanto mais agora um mosteiro.
Não é que o tipo não fosse capaz… mas não em três minutos!
Há muita coisa que pode desaparecer em três minutos, principalmente se houver disfunções sexuais lá pelo meio, mas um mosteiro não!
É que, para quem não sabe, fazer desaparecer um mosteiro ainda é coisa para dar algum trabalhinho, principalmente se tiver elementos do Gótico e arcos ogivais!
Expliquem-me lá, como é que isso seria possível, usando um casaco com mangas tão apertadas? O gajo talvez conseguisse fazer desaparecer uma ou outra rosácea, mas, e depois? Onde é que punha a fachada? As calças também eram apertadas...
Temos de ser realistas, e não exigir mais do que aquilo que é possível.
Eu compreendo os munícipes de Alcobaça. Estavam à espera de ver desaparecer o Mosteiro, e ficar ali com aquele espacinho livre para construção.
E eu também ficaria muito desiludido se pagasse 180 mil euros do meu rico dinheirinho para ver alguém desparecer com, sei lá, a estátua do Cutileiro, e ao fim de três minutos, aquilo ainda lá estivesse.
E agora, a Câmara Municipal diz que vai investigar o número de magia do coitado do Luís!
Mas investigar o quê?!? O mosteiro continua lá!
E queriam que ele fizesse desaparecer uma das Sete Maravilhas de Portugal?
E porque não Zézé Camarinha, já agora?
Se é para fazer desaparecer os símbolos da nossa identidade nacional, porque não o défice?
Eu acho mal quererem crucificar o desgraçado do Luís por um truque mal conseguido.
Já toda a gente se esqueceu que ele é o maior a adivinhar que temos atrás das costas uma das 52 cartas ás de copas, pertencentes ao baralho que ele estendeu à nossa frente.
Isto é tudo muito injusto, e eu sinto-me revoltado!
Então e ninguém fala dos 180 mil euros que num fabuloso acto de prestidigitação ele fez desaparecer?
O David Copperfiled original só fez desaparecer um avião… e isso não é nada, comparado com 180 mil euros.
E eu acho que o fato do Luís até tinha bolsos pequenos.
Está na hora de valorizar os nosso talentos malta! Dar-lhes cargos dignos! À altura das suas competências.
E podemos começar já pelo Luís.
Cá para mim, devia de ir já para Ministro das Finanças!

terça-feira, 1 de julho de 2008

Rockstar

Aparentemente este meu estaminé é visitado por mais desocupados do que eu imaginava.
Não, não me vou pôr aqui com queixinhas parvas por causa dos termos que a malta pesquisa no Google e as faz vir desaguar aqui… Tornei-me imune a partir do “sexo com as melhores gajas do mundo”, “senhores da galp”, “porra como consigo ver os piratas das caraibas sem pagar”, “fotos meninas apanhadas sem cuecas a ver-se a pipi” e “gajas a fazer sexo com animais”… Estou-me nas tintas para isso!
Por mim, até podem vir aqui à procura da cura para a vossa disfunção eréctil, que para mim é igual ao litro…
E essas visitas, feitas em tão grande número, por ilustres desconhecidos que não fazem ideia de quem sou, e como tal, não precisavam de ser simpáticos comigo, comovem-me.
Comovem-me, porque podiam fazer outra coisa qualquer nesses 45 segundos, que fosse mais produtiva e intelectualmente estimulante, como ver anúncios, por exemplo.
Isto torna-se ainda mais gratificante, se tivermos em conta que a malta se queixa dos meus textos longos e eu os mando dar uma curva, refugiando-me no tão democrático pretexto “Quem manda aqui sou eu!
Eu sou a Rockstar cá do sítio!
Se quiserem, comam, se não quiserem, get the fuck out!

Agora que descobri que tenho uma legião de seguidores composta por pelo menos onze pessoas, sinto-me no topo do mundo!
As inscrições para Groupie estão abertas…
E como qualquer Rockstar que se preze, também recebo fan mail.
Aparentemente comecei a recebê-lo enquanto almoçava.

É deveras saturante ler e responder a milhares de cartas de fãs de todo o globo, e eu prometo que se algum dia receber assim tantas cartas e e-mails, farei os possíveis por responder a todas.
Mas como por enquanto só recebi um e-mail, vou tratar de lhe responder enquanto tenho tempo para o fazer.
Porque quando começar a ficar com a caixa entupida já não vai dar, e este(a) fã, por ter sido o(a) primeiro(a), merece uma resposta pública.
Passo então a transcrever o conteúdo do e-mail, sem revelar a identidade do(a) fã, porque o anonimato é o primeiro artigo da Constituição aqui da coisa.
Então reza assim:
Olá. Gosto mt de ler o teu blog. Os teus posts são um bokado grandes mas tem muita piada. Devias concorrer aos super blog awards. Expero k continues pk este é dos mais engraçados k eu conheço”.

Caro(a) fã:
Não faz ideia de como lamento saber isso.
Já tentou explorar um pouco mais o Blogger? De certeza que encontrará blogs que o farão renovar a fé e a esperança de encontrar coisas mesmo muito giras.
Ou então dê um saltinho à praia…
O meu blog também gosta muito de ser lido por si. Mas os textos continuarão a ser longos, porque são escritos num monitor de 22” e o autor está-se borrifando que os seus fãs tenham de fazer scroll 34 vezes nos seu monitores de 17” .
Relativamente aos prémios Super blog, eu não fazia ideia de que existiam, mas não vou concorrer.
Recuso-me a comprometer a minha integridade artística em função do corporativismo da indústria blogueira, que só pensa no lucro fácil e em criar e descartar bloggers como se fossem pastilhas elásticas.

Eu não gosto de me rotular, mas se tivesse de o fazer, diria que sou um blogger alternativo.
Uma óptima alternativa aos pop-ups.
Mas agradeço o seu interesse, e vou enviar-lhe por e-mail uma foto-montagem autografada comigo ao lado da Margarida Rebelo Pinto.
Agora, se me dá licença, tenho um quarto de hotel para destruir, álcool para beber, drogas para consumir, armas para disparar, e filmes caseiros com groupies para realizar.
Sim, porque isto de ser Rockstar não é só escrever patacoadas.

Para sempre seu ídolo (não venha é remexer no meu lixo...)

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Blast from the past

Normalmente as pessoas consideram a primeira refeição do dia a mais importante.
O elemento externo mais importante que podemos absorver para enfrentar mais um dia de luta.
Eu não me quero armar ao pingarelho e desvalorizar a nobilíssima instituição que é o pequeno-almoço.
Mas se por acaso a malta tiver o azar de dar uma trinca num croissant com três dias, pode sempre pedir outro, e passados dois minutos o sabor a pedra da calçada desaparece.
O mesmo já não acontece com a primeira música que se ouve.
É aquela que nos vai ficar a martelar na cabeça o dia inteiro.
É a música que vai condicionar a nossa disposição, pelo menos até à hora de almoço.
O acto de ligar o rádio do carro é a ignição para a calma ou neura com que vamos encarar as próximas dez ou doze horas.
Compreendo que para a maior parte das pessoas isso seja irrelevante… e não me quero estar aqui a armar em mariquinhas ou Prima Donna…
Mas eu é que vou ter de passar o dia a lutar contra o “Trolha peludo, frequentador da discoteca 2001 à Sexta-feira à noite” que vive dentro de mim!…



...esta merda não se faz, ó senhores da rádio.

Acabaram de desgraçar o meu dia, e o dos que me rodeiam...
...e que fique bem claro, que a responsabilidade de todos os "Ó linda... és tão boa que até falas francês..." do dia, será inteiramente vossa!

...i agóra ção 11 óras, tá na óra de almussar e mamar umas mines...