Já alguém reparou como o início de cada ano faz renascer a esperança de que tudo vá correr melhor que no ano anterior?
É estranho. Tenho andado a pensar bastante no assunto, e pergunto: porque raio de carga de água é que a malta se convenceu que a meia noite de 31 de Dezembro funciona como uma daquelas canetas correctoras de tinta branca? Será uma hora mágica, em que duendes, elfos, anões, magos, mulheres lascivas e panilas convivem em plena harmonia, conjugando esforços do alto do Olimpo para que eu seja aumentado no dia 1 de Janeiro?
De onde nos chega essa fé e esperança, que me levam a crer que a partir da meia noite e um segundo, todas as minhas borbulhas vão desaparecer miraculosamente, o meu estrabismo dará lugar a uma visão de águia e a minha masculinidade irá crescer para além dos limites impostos pelas costuras das calças, bastando para isso que, ao soarem as doze badaladas, eu engula doze passas e formule o desejo?
E tem de ser exactamente à meia-noite? Então e se passarem uns segundos da hora? Aquilo que eu desejar à meia noite e seis segundos, por exemplo, já não se realiza? É que eu tenho muitos desejos e não vou conseguir formulá-los todos ao mesmo tempo, precisamente à meia-noite! Tenho de estabelecer prioridades, é isso?
Vai ser difícil decidir o que desejar à meia-noite, sabendo que tudo o que desejar depois… good-bye Maria Ivone!
Adeus borbulhas… ou olá centímetros? E o aumento? E ver a minha vizinha a estender a roupa em lingerie? E o clube que eu odeio ser comprado por um árabe cruel para treinar atentados suicidas?
A angústia aumenta à medida que a data se aproxima. Se houvesse uma maneira de formular um pedido que incluísse todos os meus desejos, assim do género IPACAMONHANGABA!
Ora toma lá! Dinheiro, carros, gajas, calor todo o ano, destroços de um estádio na segunda circular, Bárbara Guimarães divorciada do Carrilho e o Diniz Maria recambiado para um colégio interno no Suriname, Paulo Portas afundado num dos submarinos que comprou sem se preocupar se as revisões estavam feitas…
Seria tudo tão mais fácil.
Assim sendo, vou ter de me contentar com um único desejo.
Aquele que eu formular àquela hora exacta, mágica, que um dia algum desocupado se lembrou de convencionar que seria a hora do desejo realizável.
E não sei o que desejar… É claro que podia ter um gesto altruísta e desejar paz no mundo. Mas de certeza que o Bono Vox já vai desejar essa treta, portanto não há necessidade de desperdiçar um desejo numa coisa repetida.
E a concretizar-se a paz no mundo, de certeza que seria por causa do desejo dele, e não do meu, porque eu não tenho coragem de usar óculos cor de laranja e as únicas multidões em histeria que consigo arrastar atrás de mim são as filas intermináveis que provoco quando deixo o carro ir abaixo à entrada das rotundas… cinco vezes.
E depois existe outro problema: e se eu me engasgo com as passas enquanto formulo o desejo? Normalmente, as pessoas engasgam-se quando falam, mas a mim já tem acontecido engasgar-me enquanto penso.
Basta estar a mascar pastilha elástica, por exemplo.
Ainda por cima, devo ter andado todos estes anos a formular os desejos à hora errada, porque não me lembro de um único que se tenha realizado: ser escolhido para o papel de Padre Amaro, népia. Ser contratado pelo Manchester United por usar adornos brilhantes e pirosos, nicles. Ter uma resposta ao meu anúncio no Correio da Manhã “ Puto giro oferece-se para gigolo de mulheres bonitas, ricas e sós”, sopa nisso…
Será que eu ando a ver a hora pelo canal errado? Qual dos canais terá a hora certa? A SIC, a TVI ou a RTP?
Alguém me esclareça por favor, porque eu gostava que o que quer que seja que eu desejasse, se tornasse realidade.
Houve um ano em que me lembrei de celebrar as passagens de ano de todo o mundo, de todos os fusos horários. Comecei pela da Austrália e acabei na do Alasca. Corri a América, a Europa e a Ásia. Sempre a comer passas e a formular desejos, enquanto bebericava champanhe.
Algum deles havia de calhar precisamente na hora certa, e realizar-se-ia: Sidney - Um Ferrari, Rio de Janeiro - a Jessica Alba, Buenos Aires - a Jessica Alba, Caracas - o Euromilhões, Lisboa – o Totoloto, Paris – a Hilton, Londres – um Ford Capri de 77 todo restaurado, Berlim – ser escolhido para actor principal no Remake do "Crime do Padre Amaro" – eu seria o Padre!
Mas a única coisa que consegui depois dessa epopeia, foi acordar no dia quatro ou cinco de Janeiro – em Portugal – com uma tremenda ressaca, a arrotar bolhinhas, e com um abominável sabor a passas no céu da boca.
Este ano provavelmente, vou desejar um relógio que tenha a hora certa.
É estranho. Tenho andado a pensar bastante no assunto, e pergunto: porque raio de carga de água é que a malta se convenceu que a meia noite de 31 de Dezembro funciona como uma daquelas canetas correctoras de tinta branca? Será uma hora mágica, em que duendes, elfos, anões, magos, mulheres lascivas e panilas convivem em plena harmonia, conjugando esforços do alto do Olimpo para que eu seja aumentado no dia 1 de Janeiro?
De onde nos chega essa fé e esperança, que me levam a crer que a partir da meia noite e um segundo, todas as minhas borbulhas vão desaparecer miraculosamente, o meu estrabismo dará lugar a uma visão de águia e a minha masculinidade irá crescer para além dos limites impostos pelas costuras das calças, bastando para isso que, ao soarem as doze badaladas, eu engula doze passas e formule o desejo?
E tem de ser exactamente à meia-noite? Então e se passarem uns segundos da hora? Aquilo que eu desejar à meia noite e seis segundos, por exemplo, já não se realiza? É que eu tenho muitos desejos e não vou conseguir formulá-los todos ao mesmo tempo, precisamente à meia-noite! Tenho de estabelecer prioridades, é isso?
Vai ser difícil decidir o que desejar à meia-noite, sabendo que tudo o que desejar depois… good-bye Maria Ivone!
Adeus borbulhas… ou olá centímetros? E o aumento? E ver a minha vizinha a estender a roupa em lingerie? E o clube que eu odeio ser comprado por um árabe cruel para treinar atentados suicidas?
A angústia aumenta à medida que a data se aproxima. Se houvesse uma maneira de formular um pedido que incluísse todos os meus desejos, assim do género IPACAMONHANGABA!
Ora toma lá! Dinheiro, carros, gajas, calor todo o ano, destroços de um estádio na segunda circular, Bárbara Guimarães divorciada do Carrilho e o Diniz Maria recambiado para um colégio interno no Suriname, Paulo Portas afundado num dos submarinos que comprou sem se preocupar se as revisões estavam feitas…
Seria tudo tão mais fácil.
Assim sendo, vou ter de me contentar com um único desejo.
Aquele que eu formular àquela hora exacta, mágica, que um dia algum desocupado se lembrou de convencionar que seria a hora do desejo realizável.
E não sei o que desejar… É claro que podia ter um gesto altruísta e desejar paz no mundo. Mas de certeza que o Bono Vox já vai desejar essa treta, portanto não há necessidade de desperdiçar um desejo numa coisa repetida.
E a concretizar-se a paz no mundo, de certeza que seria por causa do desejo dele, e não do meu, porque eu não tenho coragem de usar óculos cor de laranja e as únicas multidões em histeria que consigo arrastar atrás de mim são as filas intermináveis que provoco quando deixo o carro ir abaixo à entrada das rotundas… cinco vezes.
E depois existe outro problema: e se eu me engasgo com as passas enquanto formulo o desejo? Normalmente, as pessoas engasgam-se quando falam, mas a mim já tem acontecido engasgar-me enquanto penso.
Basta estar a mascar pastilha elástica, por exemplo.
Ainda por cima, devo ter andado todos estes anos a formular os desejos à hora errada, porque não me lembro de um único que se tenha realizado: ser escolhido para o papel de Padre Amaro, népia. Ser contratado pelo Manchester United por usar adornos brilhantes e pirosos, nicles. Ter uma resposta ao meu anúncio no Correio da Manhã “ Puto giro oferece-se para gigolo de mulheres bonitas, ricas e sós”, sopa nisso…
Será que eu ando a ver a hora pelo canal errado? Qual dos canais terá a hora certa? A SIC, a TVI ou a RTP?
Alguém me esclareça por favor, porque eu gostava que o que quer que seja que eu desejasse, se tornasse realidade.
Houve um ano em que me lembrei de celebrar as passagens de ano de todo o mundo, de todos os fusos horários. Comecei pela da Austrália e acabei na do Alasca. Corri a América, a Europa e a Ásia. Sempre a comer passas e a formular desejos, enquanto bebericava champanhe.
Algum deles havia de calhar precisamente na hora certa, e realizar-se-ia: Sidney - Um Ferrari, Rio de Janeiro - a Jessica Alba, Buenos Aires - a Jessica Alba, Caracas - o Euromilhões, Lisboa – o Totoloto, Paris – a Hilton, Londres – um Ford Capri de 77 todo restaurado, Berlim – ser escolhido para actor principal no Remake do "Crime do Padre Amaro" – eu seria o Padre!
Mas a única coisa que consegui depois dessa epopeia, foi acordar no dia quatro ou cinco de Janeiro – em Portugal – com uma tremenda ressaca, a arrotar bolhinhas, e com um abominável sabor a passas no céu da boca.
Este ano provavelmente, vou desejar um relógio que tenha a hora certa.
