Tenho um grande amigo, que para além de ser isso mesmo, também é um óptimo “cozinheiro amador que facilmente passaria por chef” – pelo menos a leigos na matéria, como eu.
Aquele gajo é realmente impressionante! Às vezes tenta explicar-me como se prepara determinado prato, daqueles que qualquer dummy consegue desenrascar nos dez minutos que duram os intervalos da bola, e a única coisa que eu consigo entender desse monólogo são as palavras "tacho" e "frigideira" – sem que isto signifique necessariamente que eu saiba dar um uso correcto aos mesmos.
Usa termos como “Marinar”, “Refogado”, “Alourar” e “Lume brando”, todos na mesma frase.
Como é óbvio (pelo menos, para quem me conhece), a confusão mental que se instala entre as minhas orelhas é pouco menos do que seria se algum cromo da NASA me tentasse explicar como é que o Buzz Aldrin conseguiu aterrar na superfície lunar com um veículo feito em papel de alumínio, e sobreviveu para contar a história.
Graças a esse meu amigo, fiquei a saber que existe esparguete preto, porque é feito com tinta de choco!!! Como se não bastassem as letrinhas, as estrelinhas, os cotovelos, as massas em forma de lacinhos verdes e atacadores amarelos, agora ainda abalam os meus frágeis conceitos culinários com esparguete com tinta de choco?!
Esparguete preto!!!??? O que virá a seguir? Pescadinhas de rabo na boca sem cabeça?
Não é por uma questão de machismo que eu não tenho jeito para a cozinha. Simplesmente, não tenho. Tenho jeito para jogar à moeda, não para cozinhar. Raramente me esqueço de um filme que tenha visto, mas nunca me lembro do que se usa para fazer uma porra de um refogado… Resultado? Nunca os faço.
Quando gosto de um livro leio-o e releio-o as vezes que me derem prazer.
Mas o Grande Livro de Pantagruel, para mim, só serve para acender lareiras.
Aliás, esse meu amigo está prestes a casar, portanto nem se coloca a hipótese de ter talento para a cozinha por ser Gay… Espero eu…
A verdade é que eu e cozinhas nos entendemos tão bem como Israelitas e Palestinianos: no final da contenda há sempre coisas queimadas, facas ensanguentadas, trapos rasgados e uma ou outra explosãozeca, provocada pela mortífera mistura de óleo alimentar e dentes de alho.
Isto limita bastante as minhas opções alimentares de gajo solteiro.
Aquilo que os outros fazem para desenrascar uma OU outra vez, eu faço para desenrascar uma E outra vez.
Este domingo, enquanto deambulava pelos corredores do supermercado, tentando decidir se o jantar seria um festim de pizzas congeladas, lasanhas de micro-ondas ou enlatados, dei de caras com um escaparate que me chamou a atenção, quase como se brilhasse com a intensidade do ouro no meio de uma vitrine de uma loja de chineses: Pacotes de massa a que bastava juntar água e mexer durante cinco minutos! Fabulástico!
Que melhor solução de Domingo para um gajo solteiro e ultra-ocupado a ver o seu clube levar um baile de bola?
Senti-me como Moisés se deve ter sentido ao ouvir a voz do Senhor no alto do Monte Sinai, enquanto Este lhe debitava os mandamentos.
Uma luz intensa abateu-se sobre o meu espírito, que até aí vivia na obscuridade dos cozinhados insípidos.
Com as mão trémulas alcancei na prateleira um pacote de massa com queijo – pelo menos era o que dizia escarrapachado em letras vermelhas – e li as instruções, como Moisés deve ter pegado e lido as tábuas dos mandamentos: com fervor beato.
Senti-me seguro e confiante de que estaria pronto para o próximo nível culinário: Ler e seguir instruções!
Corri para casa, abraçando com todas as minhas forças o pacote de massa com queijo, antevendo o autêntico Nirvana que me proporcionaria aquela refeição de gajo solteiro, apenas eu estivesse à altura de “mexer o conteúdo do pacote em meio litro de água durante cinco minutos, até que atinja a consistência desejada.”
Mas nunca ninguém disse que a vida era fácil…
Como qualquer gajo solteiro que se preze, não possuo em casa nada que me permita medir meio litro de água. Aliás, até hoje, as únicas medidas de água que conheço são: um café e um copo com água e, um café e uma água castello.
De maneira que deitei para dentro de um tacho aquilo que me pareceu ser metade da quantidade de água equivalente ao que eu bebo quando acordo de ressaca.
Depois segui as instruções: deixei ferver a água e espetei com o conteúdo do pacote dentro do tacho. Agora bastava mexer durante cinco minutos e poderia sentar-me em frente à televisão para ver o jogo.
Mexi durante uns quinze minutos! Nada de consistência desejada. Aquela mistela parecia qualquer coisa saída de um caldeirão da Maga Patalógica, quando deveria parecer massa com queijo. Não desisti e continuei a mexer.
A minha equipa sofreu um golo, e nada de massa com queijo.
Afinal, talvez ainda não esteja preparado para o complicado estágio culinário de seguir as instruções no pacote…
Mas sei para qual é que estou pronto a seguir, confiante a altivo: sopas.
Acabei por comer aquela trampa à colherada, enquanto assistia a um filme sobre um tipo solteiro cujo maior problema são as suas relações falhadas.
Mas esse estágio já eu completei há muito tempo.
Talvez me dê melhor com a Bricolage.
Sabiam que existe uma ferramenta eléctrica, que serve para aparafusar e desaparafusar?….
Aquele gajo é realmente impressionante! Às vezes tenta explicar-me como se prepara determinado prato, daqueles que qualquer dummy consegue desenrascar nos dez minutos que duram os intervalos da bola, e a única coisa que eu consigo entender desse monólogo são as palavras "tacho" e "frigideira" – sem que isto signifique necessariamente que eu saiba dar um uso correcto aos mesmos.
Usa termos como “Marinar”, “Refogado”, “Alourar” e “Lume brando”, todos na mesma frase.
Como é óbvio (pelo menos, para quem me conhece), a confusão mental que se instala entre as minhas orelhas é pouco menos do que seria se algum cromo da NASA me tentasse explicar como é que o Buzz Aldrin conseguiu aterrar na superfície lunar com um veículo feito em papel de alumínio, e sobreviveu para contar a história.
Graças a esse meu amigo, fiquei a saber que existe esparguete preto, porque é feito com tinta de choco!!! Como se não bastassem as letrinhas, as estrelinhas, os cotovelos, as massas em forma de lacinhos verdes e atacadores amarelos, agora ainda abalam os meus frágeis conceitos culinários com esparguete com tinta de choco?!
Esparguete preto!!!??? O que virá a seguir? Pescadinhas de rabo na boca sem cabeça?
Não é por uma questão de machismo que eu não tenho jeito para a cozinha. Simplesmente, não tenho. Tenho jeito para jogar à moeda, não para cozinhar. Raramente me esqueço de um filme que tenha visto, mas nunca me lembro do que se usa para fazer uma porra de um refogado… Resultado? Nunca os faço.
Quando gosto de um livro leio-o e releio-o as vezes que me derem prazer.
Mas o Grande Livro de Pantagruel, para mim, só serve para acender lareiras.
Aliás, esse meu amigo está prestes a casar, portanto nem se coloca a hipótese de ter talento para a cozinha por ser Gay… Espero eu…
A verdade é que eu e cozinhas nos entendemos tão bem como Israelitas e Palestinianos: no final da contenda há sempre coisas queimadas, facas ensanguentadas, trapos rasgados e uma ou outra explosãozeca, provocada pela mortífera mistura de óleo alimentar e dentes de alho.
Isto limita bastante as minhas opções alimentares de gajo solteiro.
Aquilo que os outros fazem para desenrascar uma OU outra vez, eu faço para desenrascar uma E outra vez.
Este domingo, enquanto deambulava pelos corredores do supermercado, tentando decidir se o jantar seria um festim de pizzas congeladas, lasanhas de micro-ondas ou enlatados, dei de caras com um escaparate que me chamou a atenção, quase como se brilhasse com a intensidade do ouro no meio de uma vitrine de uma loja de chineses: Pacotes de massa a que bastava juntar água e mexer durante cinco minutos! Fabulástico!
Que melhor solução de Domingo para um gajo solteiro e ultra-ocupado a ver o seu clube levar um baile de bola?
Senti-me como Moisés se deve ter sentido ao ouvir a voz do Senhor no alto do Monte Sinai, enquanto Este lhe debitava os mandamentos.
Uma luz intensa abateu-se sobre o meu espírito, que até aí vivia na obscuridade dos cozinhados insípidos.
Com as mão trémulas alcancei na prateleira um pacote de massa com queijo – pelo menos era o que dizia escarrapachado em letras vermelhas – e li as instruções, como Moisés deve ter pegado e lido as tábuas dos mandamentos: com fervor beato.
Senti-me seguro e confiante de que estaria pronto para o próximo nível culinário: Ler e seguir instruções!
Corri para casa, abraçando com todas as minhas forças o pacote de massa com queijo, antevendo o autêntico Nirvana que me proporcionaria aquela refeição de gajo solteiro, apenas eu estivesse à altura de “mexer o conteúdo do pacote em meio litro de água durante cinco minutos, até que atinja a consistência desejada.”
Mas nunca ninguém disse que a vida era fácil…
Como qualquer gajo solteiro que se preze, não possuo em casa nada que me permita medir meio litro de água. Aliás, até hoje, as únicas medidas de água que conheço são: um café e um copo com água e, um café e uma água castello.
De maneira que deitei para dentro de um tacho aquilo que me pareceu ser metade da quantidade de água equivalente ao que eu bebo quando acordo de ressaca.
Depois segui as instruções: deixei ferver a água e espetei com o conteúdo do pacote dentro do tacho. Agora bastava mexer durante cinco minutos e poderia sentar-me em frente à televisão para ver o jogo.
Mexi durante uns quinze minutos! Nada de consistência desejada. Aquela mistela parecia qualquer coisa saída de um caldeirão da Maga Patalógica, quando deveria parecer massa com queijo. Não desisti e continuei a mexer.
A minha equipa sofreu um golo, e nada de massa com queijo.
Afinal, talvez ainda não esteja preparado para o complicado estágio culinário de seguir as instruções no pacote…
Mas sei para qual é que estou pronto a seguir, confiante a altivo: sopas.
Acabei por comer aquela trampa à colherada, enquanto assistia a um filme sobre um tipo solteiro cujo maior problema são as suas relações falhadas.
Mas esse estágio já eu completei há muito tempo.
Talvez me dê melhor com a Bricolage.
Sabiam que existe uma ferramenta eléctrica, que serve para aparafusar e desaparafusar?….






