Francamente não entendo porque é que aquela rapariguita da Escola Carolina Michaelis se envolveu à pancada com a professora por causa do sacana do telemóvel.
No lugar dela eu consideraria isso como uma benção. Mais: dava porrada na professora para que ela me tirasse o telemóvel. E ai dela que o devolvesse!
Tudo bem, a miúda tem 15 anos, portanto ainda não experimentou todos os malefícios dos telemóveis. Para ela deve ser um símbolo de status e algo que serve para exkrever axim kuando manda mgs au namurado a dixer o kt u ama.
Mas convenhamos, daqui a uns dez anos ela vai arrepender-se amargamente de não ter deixado aquela côdea velha ficar com a porcaria do telefone. Basta que lhe liguem do trabalho às 23.30 de Sábado, quando ela está nos copos com as amigas ou na cama com os amigos. Ou vice-versa.
É que os problemas que ela vai ter agora não são nada comparados com os que vai ter no futuro. Tudo bem, vai ser transferida de escola. Mas quando for mais velha não vai poder ser transferida do local de trabalho, da família, das coisas que combinou e às quais não vai ter coragem de se baldar. Tudo isso porque está apenas a um toque de distância. É como viver num Big Brother Marconiano. O telefone não foi inventado para isto. Foi inventado para não se atender quando não nos apetece, para tirar o auscultador do gancho ou para pedir a alguém lá em casa que atenda e diga que nós não estamos.
A porra dos telemóveis veio dar cabo disso tudo.
Eu sou severamente reprimido quando o meu telemóvel está desligado! E não percebo porquê… Então porque é que aquela trampa tem um botão para ligar e desligar, alguém me explica? E se eu decido não atender porque não me apetece na altura, fico mal visto se não retribuo a chamada mais tarde. E nem sequer posso atender e dizer que não estou. Que fui à rua comprar tabaco ou estou numa reunião, por favor deixe recado…
E depois há os SMS, os MMS e toda uma panóplia de tecnologias que me sufocam e me obrigam a falar com que não quero, quando não quero. Odeio tudo o que seja portátil!
Telefones portáteis, computadores portáteis… Pareço uma parteira: estou sempre em Defcon 4, pronto a ligar a maquinaria assim que a porra do grilo começa a tocar e a vibrar no meu bolso! Sinto-me na obrigação de trabalhar a toda a hora e em todo o local. De estar disponível para tudo. E nem tenho coragem de ser mal educado quando algum desgraçado me tenta aliciar a subscrever um serviço qualquer… Porquê? Porque tudo é portátil! Chiça! Felizmente não tenho um daqueles telefones que até avisam quando recebemos e-mails, senão nem sequer podia dormir.
Tremo cada vez que ouço um “tiiii-tiiii”…
Ouve lá, ó miúda que bateu na professora, vais arrepender-te amargamente de não teres deixado o telemóvel ir à viola.
E depois ainda inventaram os auriculares sem fios, que fazem com que a malta pareça um maluquinho de mãos nos bolsos a falar com um amigo imaginário...
Eu já usei todas as desculpas para não andar com telemóvel ou para não o atender: esqueci-me dele em casa há quinze dias e conheci uma maluca que não me deixa sair de casa dela para o ir buscar. Perdi-me no parque de estacionamento durante uma semana e não havia rede lá em baixo. Ganhei uma visita de estudo a bordo de um submarino. Estava a conduzir… Em desespero de causa afirmei que era daltónico e confundia o botão verde de atender, com o vermelho de rejeitar. Mas não consigo escapar. Até já tentei imitar a voz do Voice Mail… Não resultou porque me engasguei.
Certa vez não encontrava o telemóvel, mas sabia que o tinha algures em casa ou no carro. Mas não me dei ao trabalho de o procurar, como é óbvio. E também não comprei outro, porque não tinha mesmo perdido o raio do telefone. Direi apenas que foi um dos melhores anos da minha vida. Só tinha de ouvir as censuras dos outros quando estava ao pé deles, mas ao fim de duas cervejas… who gives a fuck?….
Até que o idílio acabou, e fui dar com a maquineta na mala do carro, encravado na roda sobresselente.
Estou a pensar seriamente em voltar a estudar…
No lugar dela eu consideraria isso como uma benção. Mais: dava porrada na professora para que ela me tirasse o telemóvel. E ai dela que o devolvesse!
Tudo bem, a miúda tem 15 anos, portanto ainda não experimentou todos os malefícios dos telemóveis. Para ela deve ser um símbolo de status e algo que serve para exkrever axim kuando manda mgs au namurado a dixer o kt u ama.
Mas convenhamos, daqui a uns dez anos ela vai arrepender-se amargamente de não ter deixado aquela côdea velha ficar com a porcaria do telefone. Basta que lhe liguem do trabalho às 23.30 de Sábado, quando ela está nos copos com as amigas ou na cama com os amigos. Ou vice-versa.
É que os problemas que ela vai ter agora não são nada comparados com os que vai ter no futuro. Tudo bem, vai ser transferida de escola. Mas quando for mais velha não vai poder ser transferida do local de trabalho, da família, das coisas que combinou e às quais não vai ter coragem de se baldar. Tudo isso porque está apenas a um toque de distância. É como viver num Big Brother Marconiano. O telefone não foi inventado para isto. Foi inventado para não se atender quando não nos apetece, para tirar o auscultador do gancho ou para pedir a alguém lá em casa que atenda e diga que nós não estamos.
A porra dos telemóveis veio dar cabo disso tudo.
Eu sou severamente reprimido quando o meu telemóvel está desligado! E não percebo porquê… Então porque é que aquela trampa tem um botão para ligar e desligar, alguém me explica? E se eu decido não atender porque não me apetece na altura, fico mal visto se não retribuo a chamada mais tarde. E nem sequer posso atender e dizer que não estou. Que fui à rua comprar tabaco ou estou numa reunião, por favor deixe recado…
E depois há os SMS, os MMS e toda uma panóplia de tecnologias que me sufocam e me obrigam a falar com que não quero, quando não quero. Odeio tudo o que seja portátil!
Telefones portáteis, computadores portáteis… Pareço uma parteira: estou sempre em Defcon 4, pronto a ligar a maquinaria assim que a porra do grilo começa a tocar e a vibrar no meu bolso! Sinto-me na obrigação de trabalhar a toda a hora e em todo o local. De estar disponível para tudo. E nem tenho coragem de ser mal educado quando algum desgraçado me tenta aliciar a subscrever um serviço qualquer… Porquê? Porque tudo é portátil! Chiça! Felizmente não tenho um daqueles telefones que até avisam quando recebemos e-mails, senão nem sequer podia dormir.
Tremo cada vez que ouço um “tiiii-tiiii”…
Ouve lá, ó miúda que bateu na professora, vais arrepender-te amargamente de não teres deixado o telemóvel ir à viola.
E depois ainda inventaram os auriculares sem fios, que fazem com que a malta pareça um maluquinho de mãos nos bolsos a falar com um amigo imaginário...
Eu já usei todas as desculpas para não andar com telemóvel ou para não o atender: esqueci-me dele em casa há quinze dias e conheci uma maluca que não me deixa sair de casa dela para o ir buscar. Perdi-me no parque de estacionamento durante uma semana e não havia rede lá em baixo. Ganhei uma visita de estudo a bordo de um submarino. Estava a conduzir… Em desespero de causa afirmei que era daltónico e confundia o botão verde de atender, com o vermelho de rejeitar. Mas não consigo escapar. Até já tentei imitar a voz do Voice Mail… Não resultou porque me engasguei.
Certa vez não encontrava o telemóvel, mas sabia que o tinha algures em casa ou no carro. Mas não me dei ao trabalho de o procurar, como é óbvio. E também não comprei outro, porque não tinha mesmo perdido o raio do telefone. Direi apenas que foi um dos melhores anos da minha vida. Só tinha de ouvir as censuras dos outros quando estava ao pé deles, mas ao fim de duas cervejas… who gives a fuck?….
Até que o idílio acabou, e fui dar com a maquineta na mala do carro, encravado na roda sobresselente.
Estou a pensar seriamente em voltar a estudar…
