…Parece que foi ontem… A sério… As imagens continuam vivas na minha memória como se poucas horas me separassem daquela noite: as luzes a acender e a apagar, reflectidas no alcatrão, nos carros, nas montras.
A agitação das pessoas que se atropelavam, gritavam, corriam e tinham ataques de nervos, num frenesim assustador.
Parece que foi ontem. E no entanto, o tempo foi passando.
E passado um ano, cá está ela de novo! A época em que se celebra a espiritualidade, a família e a fraternidade, consoante o plafond do cartão de crédito – O Natal.
As luzes já piscam, as ruas já estão enfeitadas e não há porcaria de rotunda neste país que não tenha uma árvore decorada espetada lá no meio. A maior árvore de Natal da europa já ilumina o país mais teso da dita europa.
É impressão minha, ou qualquer dia estaremos nós estendidos na praia, em pleno Agosto, a ser bombardeados por avionetas que em vez de transportarem tarjas a anunciar festas de espuma, anunciarão as próximas campanhas de Natal? É que há já algum tempo que eu ouço a célebre expressão “Isto cada vez começa mais cedo”, e receio bem, que lá para Agosto de 2015 possamos chegar à Costa de Caparica, e numa daquelas bancas à beira do areal, tenhamos a possibilidade de comprar uma toalha de praia com uma sereia azul, um balde para os putos, um protector solar e uma imitação de jarra da Marinha Grande para oferecer à tia da província “agora pelo Natal”.
Os meus vizinhos do lado começaram a colocar penduricalhos na porta ainda antes do S. Martinho! É assim? Salta-se por cima das castanhas e da água pé, directamente para o bolo rei?
E depois falam em tradição quando eu torço o nariz à porra do bacalhau?!
Sim, sim, eu sei… Alguns de vós poderão ficar ofendidos e desejar ter no sapatinho este ignóbil ateu a arder na fogueira da Santa Inquisição. Mas podem tirar o cavalinho da chuva. É que para além de escrever anonimamente, não são permitidas queimadas em espaços públicos.
E eu acho que ninguém desejava ver um ilustre membro do Clero ser atirado para os calabouços da PJ acusado de fogo posto.
Ainda por cima o que é que se celebra no Natal? O nascimento de Cristo, sim senhor… Mas, implicitamente – e aposto que nunca ninguém se atreveu a pensar isto – o maior corno da História!
Ora, sigam lá o meu raciocínio: vivemos na era dos grandes avanços científicos, da clonagem, dos transplantes de cara, da internet, conseguimos finalmente emprateleirar o Luís Pereira de Sousa!
Sabemos que é perfeitamente impossível engravidar uma mulher só por olhar para ela.
Se isso fosse possível, só à minha conta já tinha marchado cerca de 90% das miúdas que passam por mim!
Este muito relevante facto histórico leva-me a concluir o seguinte: A boa da Maria era uma galdéria.
E bastante promíscua por sinal. Ora não havendo na altura a pílula do dia seguinte - os portugueses por exemplo, só a conseguiram há pouco tempo, e a muito custo - a Maria, chegando um dia grávida a casa, alternando o olhar entre o ventre já muito proeminente, e o seu marido já com um olhar desconfiado, não terá conseguido arranjar melhor desculpa do que esta: "Olha! Querido! Foi por obra e graça do Espírito Santo!".
Pior ainda, o parvalhão do Manel, ou Joaquim, ou José caiu que nem um patinho, obrigando-nos a nós, Homens do Séc. XXI, a carregar o estigma do “Podem ser o sexo forte, mas também são o sexo parvo”.
As minhas namoradas nunca engoliram nada assim tão facilmente...
E assim, aqui nos encontramos nós, a humanidade inteira (exceptuando as "minorias religiosas" como os muçulmanos, budistas e benfiquistas) a celebrar, 2007 anos depois, o maior corno da história.
Quem se deve estar a rir é o carpinteiro que vivia na casa ao lado.
Espanta-me que ao fim destes anos todos ainda ninguém tenha tido grande interesse em reparar nas incongruências desta história muito mal contada.
Alguém me explica aquela dos três Reis Magos?
A tipa deu à luz aquele que seria o messias, o nosso salvador, e aparece uma estrela no céu… OK. Duvidoso, deviam lá estar milhares, mas assumindo que sim. Então os gajos vêm de terras tão distantes como Santa Comba Dão, e chegam precisamente na mesma noite? E eu pensava que vinham de pontos diferentes do globo, mas afinal, deviam vir todos da margem sul, se cada um chegou montado no seu camelo…
E trazem especiarias? Para quê? Porque não fraldas? Ou leite em pó? Bledines? E aquilo aconteceu num estábulo? Já se fechavam maternidades na altura? As pousadas estavam cheias? Porque não ficaram em casa, se a mulher estava grávida? Sim, eu sei que não haviam táxis para chamar quando lhe rebentassem as águas, mas será isso motivo para empacotar tudo em cima de um burro e debandar para a maternidade com tanto tempo de antecedência?
Ou estariam a fugir à vergonha de o infante Jesus ser parecido com o vizinho do lado, ou da frente, ou do condomínio inteiro?
Se pensarem nisto a sério, nunca mais conseguirão olhar para um presépio da mesma forma.
Eu sei que eu não consigo evitar um sorrizinho de troça quando olho para a figura do pai...
A agitação das pessoas que se atropelavam, gritavam, corriam e tinham ataques de nervos, num frenesim assustador.
Parece que foi ontem. E no entanto, o tempo foi passando.
E passado um ano, cá está ela de novo! A época em que se celebra a espiritualidade, a família e a fraternidade, consoante o plafond do cartão de crédito – O Natal.
As luzes já piscam, as ruas já estão enfeitadas e não há porcaria de rotunda neste país que não tenha uma árvore decorada espetada lá no meio. A maior árvore de Natal da europa já ilumina o país mais teso da dita europa.
É impressão minha, ou qualquer dia estaremos nós estendidos na praia, em pleno Agosto, a ser bombardeados por avionetas que em vez de transportarem tarjas a anunciar festas de espuma, anunciarão as próximas campanhas de Natal? É que há já algum tempo que eu ouço a célebre expressão “Isto cada vez começa mais cedo”, e receio bem, que lá para Agosto de 2015 possamos chegar à Costa de Caparica, e numa daquelas bancas à beira do areal, tenhamos a possibilidade de comprar uma toalha de praia com uma sereia azul, um balde para os putos, um protector solar e uma imitação de jarra da Marinha Grande para oferecer à tia da província “agora pelo Natal”.
Os meus vizinhos do lado começaram a colocar penduricalhos na porta ainda antes do S. Martinho! É assim? Salta-se por cima das castanhas e da água pé, directamente para o bolo rei?
E depois falam em tradição quando eu torço o nariz à porra do bacalhau?!
Sim, sim, eu sei… Alguns de vós poderão ficar ofendidos e desejar ter no sapatinho este ignóbil ateu a arder na fogueira da Santa Inquisição. Mas podem tirar o cavalinho da chuva. É que para além de escrever anonimamente, não são permitidas queimadas em espaços públicos.
E eu acho que ninguém desejava ver um ilustre membro do Clero ser atirado para os calabouços da PJ acusado de fogo posto.
Ainda por cima o que é que se celebra no Natal? O nascimento de Cristo, sim senhor… Mas, implicitamente – e aposto que nunca ninguém se atreveu a pensar isto – o maior corno da História!
Ora, sigam lá o meu raciocínio: vivemos na era dos grandes avanços científicos, da clonagem, dos transplantes de cara, da internet, conseguimos finalmente emprateleirar o Luís Pereira de Sousa!
Sabemos que é perfeitamente impossível engravidar uma mulher só por olhar para ela.
Se isso fosse possível, só à minha conta já tinha marchado cerca de 90% das miúdas que passam por mim!
Este muito relevante facto histórico leva-me a concluir o seguinte: A boa da Maria era uma galdéria.
E bastante promíscua por sinal. Ora não havendo na altura a pílula do dia seguinte - os portugueses por exemplo, só a conseguiram há pouco tempo, e a muito custo - a Maria, chegando um dia grávida a casa, alternando o olhar entre o ventre já muito proeminente, e o seu marido já com um olhar desconfiado, não terá conseguido arranjar melhor desculpa do que esta: "Olha! Querido! Foi por obra e graça do Espírito Santo!".
Pior ainda, o parvalhão do Manel, ou Joaquim, ou José caiu que nem um patinho, obrigando-nos a nós, Homens do Séc. XXI, a carregar o estigma do “Podem ser o sexo forte, mas também são o sexo parvo”.
As minhas namoradas nunca engoliram nada assim tão facilmente...
E assim, aqui nos encontramos nós, a humanidade inteira (exceptuando as "minorias religiosas" como os muçulmanos, budistas e benfiquistas) a celebrar, 2007 anos depois, o maior corno da história.
Quem se deve estar a rir é o carpinteiro que vivia na casa ao lado.
Espanta-me que ao fim destes anos todos ainda ninguém tenha tido grande interesse em reparar nas incongruências desta história muito mal contada.
Alguém me explica aquela dos três Reis Magos?
A tipa deu à luz aquele que seria o messias, o nosso salvador, e aparece uma estrela no céu… OK. Duvidoso, deviam lá estar milhares, mas assumindo que sim. Então os gajos vêm de terras tão distantes como Santa Comba Dão, e chegam precisamente na mesma noite? E eu pensava que vinham de pontos diferentes do globo, mas afinal, deviam vir todos da margem sul, se cada um chegou montado no seu camelo…
E trazem especiarias? Para quê? Porque não fraldas? Ou leite em pó? Bledines? E aquilo aconteceu num estábulo? Já se fechavam maternidades na altura? As pousadas estavam cheias? Porque não ficaram em casa, se a mulher estava grávida? Sim, eu sei que não haviam táxis para chamar quando lhe rebentassem as águas, mas será isso motivo para empacotar tudo em cima de um burro e debandar para a maternidade com tanto tempo de antecedência?
Ou estariam a fugir à vergonha de o infante Jesus ser parecido com o vizinho do lado, ou da frente, ou do condomínio inteiro?
Se pensarem nisto a sério, nunca mais conseguirão olhar para um presépio da mesma forma.
Eu sei que eu não consigo evitar um sorrizinho de troça quando olho para a figura do pai...
