Errata ao programa das festas. Porque quando se planeia antecipadamente, a coisa não corre como previmos... e quando não se planeia, também não...
• Partida de Lisboa ao fim da tarde para evitar o calor. Não evitámos...
Como quem não quer a coisa, ofereço à dona do carro uma cópia do H.A.A.R.P. dos Muse, porque duvido que a bateria do iPod aguente a viagem toda. Ela diz que adora Muse, como ninguém se queixa, fico descansado.
• Estou rabugento porque não dormi, tenho calor, fome, sede, e a ideia de vestir fato e camisa anda a assombrar-me desde que fui convidado há meses.
Espero não me ter esquecido de nada.
• Ocorre-me que me esqueci da toalha de banho.
• Somos assaltados na estação de serviço de Aveiras, onde pago uma exorbitância por uma garrafa de água e uma sandes mista com uma forma assustadoramente fálica.
Nem vou mencionar o que me faz lembrar o acto de desembrulhá-la daquele plástico…
• Ocorre-me que me esqueci da gravata.
Não tencionava usá-la, mas ia levá-la no bolso. Se a malta chegasse toda de bacalhau ao pescoço, eu sacava da minha e punha-a.
Espero não ser o único desgraçado a não levar gravata.
• A música ouve-se bem até à Figueira da Foz. A partir daí, é o descalabro, e, pior ainda, Linkin Park.
Para berraria, já me ia chegar a do noivo. Saco do iPod e percorro a A1 numa orgia de Muse com Diana Krall, U2, David Bowie, Ben Harper e ainda convenço a ir lá para o meio as malucas da Tracy Chapman e da Sheryl Crow.
Racionalizo a bateria, porque afinal, são mais 300 quilómetros para baixo.
• Chegada ao Porto. Não tenho tabaco e arrisco entrar numa gelataria. Estou em pânico por causa da ausência de sotaque. Se os gajos topam que eu venho de Lisboa, ainda me insultam ou perguntam se eu sou do Benfica…
Afinal, “Marlboro” é dito da mesma maneira.
• Jantar. Passo a noite a olhar de esguelha para o empregado. Eu não sou propriamente gordo, e está-me a fazer confusão de cada vez que levanto o copo vazio, o gajo perguntar “Mais um fininho?”…
Apetece-me responder “Não, obrigado. Eu chego…”
• Às três e meia da manhã vamos em busca da residencial. Tocamos à campainha, batemos à porta, ninguém atende e preparo-me para dormir no carro.
Finalmente alguém abre a porta.
A discussão está para durar: O gajo tinha aspecto de quem estava com os copos, de quem estava a dormir, ou ambas?
Se aquele é o aspecto normal dele, não me surpreende que tenha abraçado a profissão de estalajadeiro nocturno…
• Duche frio às quatro da manhã. Não porque tenha visto montes de miúdas giras…
Adormeço por volta das cinco a ver o Scarface.
Acordo às dez, cheio de calor. Duche frio às onze. Desço à recepção e peço um café e jornais.
• Durante a tarde tento recuperar o sono dos últimos dois dias. Em vão…
• Duche frio às quatro.
• Chegada ao local às cinco. Já tomava um duche frio. Contento-me com um Gin Tónico…
• Afinal sou mesmo o único desgraçado de camisa e fato, sem gravata.
Bebo mais um Gin.
• Depois da cerimónia há quem se lamente por ter perdido a aposta: Afinal o gajo casou…
Eu lamento ter perdido a minha: Afinal a noiva não fugiu...
Bebo mais um Gin, enquanto espero pela caipirinha (que nunca chegou) esquivo-me às fotos, ponho a conversa em dia e dou o exemplo: depois do jantar há uma gravata pendurada em quase todas as cadeiras.
• Tiro duas fotos com o noivo, porque nos anos do Parkinson, pode ser preciso provar que estive lá.
O problema de não haver fotógrafo e cada um levar a sua máquina, é que há sempre alguém a fazer pontaria de todos os azimutes. Aquilo, parece Beirute dos fotógrafos e eu estou no meio do fogo cruzado.
Não me vou safar…
• As duas noites sem dormir, o calor, o gin e o vinho vêm cobrar a dívida e vou descansar para o carro. Ou então foi o Jet-lag...
… não dou por adormecer nem sei quantas horas dormi.
• Quando volto para a festa já a malta leva cinco Jameson de avanço. O noivo diz-me que já perdi duas músicas dos Stones. O DJ cumpre o combinado e não passa nenhum dos seguintes géneros: Latina, Brasileira, House, Techno, Hip-Hop ou qualquer outro género de música às bolinhas.
• O casamento do meu melhor amigo é OFICIALMENTE o primeiro casamento onde se ouvem coisas como: Roadhouse blues, China girl, Lil´devil, Alive e por aí fora.
Há quem refile pela ausência dos Metallica.
Ora, dado que foi um casamento, eu acho que o Welcome to the jungle foi o limiar que não devia ser atravessado, porque podia não haver retorno, e nunca é bonito ver um copo d´água acabar em Mosh.
• Às quatro e meia da manhã, enquanto o resto da malta se prepara para sair, não sem antes roubar os rebuçados da casa de banho, cigarrilhas, charutos e a decoração das mesas, fico sozinho na pista com o noivo. Pedimos ao DJ que toque o “Nowhere fast” em memória das noites de juventude em que tentávamos sacar miúdas na discoteca, enquanto entornávamos cerveja nos pés…
...com zero por cento de eficácia.
• Acabamos – como tantas noites - a fechar o tasco. Falamos de tretas, entornamos as bebidas e os empregados só não nos varrem porque ele é o noivo…
Por uma questão meramente protocolar, ofereço-me para me enfiar no carro com ele e conduzir a noite toda até chegarmos ao México.
Fico aliviado quando ele não aceita porque ao preço que está a gasolina, não passávamos de Valença do Minho. E eu já o tinha avisado que esperava que aquela fosse a primeira e última vez que ele se casa, porque eu não torno a fazer 600 quilómetros num fim de semana para me vestir como um pinguim.
• Há coisas que não mudam, mesmo a trezentos quilómetros de casa e vestidos com fato.
… foi mais uma madrugada de sapatos molhados, fala arrastada e zero por cento de eficácia…
Não coloquei fotos, porque os papparazzi estão com medo de se acusar.
E agora se me dão licença, vou tratar de arranjar uma vida!
• Partida de Lisboa ao fim da tarde para evitar o calor. Não evitámos...
Como quem não quer a coisa, ofereço à dona do carro uma cópia do H.A.A.R.P. dos Muse, porque duvido que a bateria do iPod aguente a viagem toda. Ela diz que adora Muse, como ninguém se queixa, fico descansado.
• Estou rabugento porque não dormi, tenho calor, fome, sede, e a ideia de vestir fato e camisa anda a assombrar-me desde que fui convidado há meses.
Espero não me ter esquecido de nada.
• Ocorre-me que me esqueci da toalha de banho.
• Somos assaltados na estação de serviço de Aveiras, onde pago uma exorbitância por uma garrafa de água e uma sandes mista com uma forma assustadoramente fálica.
Nem vou mencionar o que me faz lembrar o acto de desembrulhá-la daquele plástico…
• Ocorre-me que me esqueci da gravata.
Não tencionava usá-la, mas ia levá-la no bolso. Se a malta chegasse toda de bacalhau ao pescoço, eu sacava da minha e punha-a.
Espero não ser o único desgraçado a não levar gravata.
• A música ouve-se bem até à Figueira da Foz. A partir daí, é o descalabro, e, pior ainda, Linkin Park.
Para berraria, já me ia chegar a do noivo. Saco do iPod e percorro a A1 numa orgia de Muse com Diana Krall, U2, David Bowie, Ben Harper e ainda convenço a ir lá para o meio as malucas da Tracy Chapman e da Sheryl Crow.
Racionalizo a bateria, porque afinal, são mais 300 quilómetros para baixo.
• Chegada ao Porto. Não tenho tabaco e arrisco entrar numa gelataria. Estou em pânico por causa da ausência de sotaque. Se os gajos topam que eu venho de Lisboa, ainda me insultam ou perguntam se eu sou do Benfica…
Afinal, “Marlboro” é dito da mesma maneira.
• Jantar. Passo a noite a olhar de esguelha para o empregado. Eu não sou propriamente gordo, e está-me a fazer confusão de cada vez que levanto o copo vazio, o gajo perguntar “Mais um fininho?”…
Apetece-me responder “Não, obrigado. Eu chego…”
• Às três e meia da manhã vamos em busca da residencial. Tocamos à campainha, batemos à porta, ninguém atende e preparo-me para dormir no carro.
Finalmente alguém abre a porta.
A discussão está para durar: O gajo tinha aspecto de quem estava com os copos, de quem estava a dormir, ou ambas?
Se aquele é o aspecto normal dele, não me surpreende que tenha abraçado a profissão de estalajadeiro nocturno…
• Duche frio às quatro da manhã. Não porque tenha visto montes de miúdas giras…
Adormeço por volta das cinco a ver o Scarface.
Acordo às dez, cheio de calor. Duche frio às onze. Desço à recepção e peço um café e jornais.
• Durante a tarde tento recuperar o sono dos últimos dois dias. Em vão…
• Duche frio às quatro.
• Chegada ao local às cinco. Já tomava um duche frio. Contento-me com um Gin Tónico…
• Afinal sou mesmo o único desgraçado de camisa e fato, sem gravata.
Bebo mais um Gin.
• Depois da cerimónia há quem se lamente por ter perdido a aposta: Afinal o gajo casou…
Eu lamento ter perdido a minha: Afinal a noiva não fugiu...
Bebo mais um Gin, enquanto espero pela caipirinha (que nunca chegou) esquivo-me às fotos, ponho a conversa em dia e dou o exemplo: depois do jantar há uma gravata pendurada em quase todas as cadeiras.
• Tiro duas fotos com o noivo, porque nos anos do Parkinson, pode ser preciso provar que estive lá.
O problema de não haver fotógrafo e cada um levar a sua máquina, é que há sempre alguém a fazer pontaria de todos os azimutes. Aquilo, parece Beirute dos fotógrafos e eu estou no meio do fogo cruzado.
Não me vou safar…
• As duas noites sem dormir, o calor, o gin e o vinho vêm cobrar a dívida e vou descansar para o carro. Ou então foi o Jet-lag...
… não dou por adormecer nem sei quantas horas dormi.
• Quando volto para a festa já a malta leva cinco Jameson de avanço. O noivo diz-me que já perdi duas músicas dos Stones. O DJ cumpre o combinado e não passa nenhum dos seguintes géneros: Latina, Brasileira, House, Techno, Hip-Hop ou qualquer outro género de música às bolinhas.
• O casamento do meu melhor amigo é OFICIALMENTE o primeiro casamento onde se ouvem coisas como: Roadhouse blues, China girl, Lil´devil, Alive e por aí fora.
Há quem refile pela ausência dos Metallica.
Ora, dado que foi um casamento, eu acho que o Welcome to the jungle foi o limiar que não devia ser atravessado, porque podia não haver retorno, e nunca é bonito ver um copo d´água acabar em Mosh.
• Às quatro e meia da manhã, enquanto o resto da malta se prepara para sair, não sem antes roubar os rebuçados da casa de banho, cigarrilhas, charutos e a decoração das mesas, fico sozinho na pista com o noivo. Pedimos ao DJ que toque o “Nowhere fast” em memória das noites de juventude em que tentávamos sacar miúdas na discoteca, enquanto entornávamos cerveja nos pés…
...com zero por cento de eficácia.
• Acabamos – como tantas noites - a fechar o tasco. Falamos de tretas, entornamos as bebidas e os empregados só não nos varrem porque ele é o noivo…
Por uma questão meramente protocolar, ofereço-me para me enfiar no carro com ele e conduzir a noite toda até chegarmos ao México.
Fico aliviado quando ele não aceita porque ao preço que está a gasolina, não passávamos de Valença do Minho. E eu já o tinha avisado que esperava que aquela fosse a primeira e última vez que ele se casa, porque eu não torno a fazer 600 quilómetros num fim de semana para me vestir como um pinguim.
• Há coisas que não mudam, mesmo a trezentos quilómetros de casa e vestidos com fato.
… foi mais uma madrugada de sapatos molhados, fala arrastada e zero por cento de eficácia…
Não coloquei fotos, porque os papparazzi estão com medo de se acusar.
E agora se me dão licença, vou tratar de arranjar uma vida!





