quarta-feira, 12 de setembro de 2007

Obrigado Isaac Newton

Como todos os indivíduos que trabalham com estas soberbas maquinetas que têm tanto de problemático como um micro-ondas e tanto de lúdico como um jogo de Mikado – os computadores – a primeira coisa que faço depois de o ligar não é trabalhar. Até podia afirmar peremptoriamente que sim, mas seria certamente uma aldrabice bíblica. Não… Aquilo que faço depois do “Tchaaan” que indica que a estuporada maquineta não está avariada, permitindo-me desse modo voltar para a cama, é, muito naturalmente, navegar pela internet, ver os meus e-mails (o que me provoca gravíssimas crises de entusiasmo antes de ter sequer tomado o pequeno almoço) e ver os jornais on-line. “Um homem que não está informado não é um homem do seu tempo”, dizia não me lembro quem. E eu informo-me: quais os jogadores que sairam, os que entraram, quanto custaram, quanto vão ganhar e por aí fora.
Ora um destes dias, durante o meu périplo cibernético em busca de informação, que nada mais é que uma desculpa esfarrapada para as crises de ociosidade que me atacam até às duas da tarde, deparei-me com uma notícia deveras interessante, diria mesmo fantástica, digna de manchete na primeira página do defunto “Jornal do Incrível”, e cujo assombroso título era… “Mamas prejudicam actividade desportiva das mulheres”. É deste material que se fazem as lendas… Primeiro que tudo há que dar os parabéns ao ousado jornalista que teve a coragem de deixar na gaveta palavras como “peito” ou “seios” para utilizar o correctíssimo “mamas”. Porque “mamas” é que está correcto, apesar da conotação negativa da palavra. Imagino já na minha cabeça uma cena digna de figurar no filme “Os Homens do Presidente”, em que se retratava a forma como dois jornalistas investigaram o que daria origem ao escândalo Watergate: discussões entre o editor, preocupado com efeito que as “mamas” teriam na franja de leitores conservadores, e o ousado jovem jornalista, cheio de sangue na guelra, indiferente às ameaças de despedimento, gritando a plenos pulmões: “mamas!”. “Seios” gritava o editor. “Mamas!” respondia o aspirante a Lois Lane. “Glândulas mamárias!” cedia o chefe, já preocupado com as reacções do partido àquele deboche. “Não! Mamas!” insistia o não tarda muito recém-licenciado no desemprego. E “mamas” ficou. Estas “mamas” prestaram um muito patriótico serviço ao direito à liberdade de expressão. Para aqueles de vós que se sintam ultrajados com o que leram até aqui, tenham por favor em atenção que não fui eu que escrevi “mamas”. Eu limito-me a citar as “mamas” que outro qualquer escreveu, e de modo algum isto serve de pretexto para, de forma gratuita e desnecessária eu pôr-me para aqui a escrever “mamas” só pelo gozo que isso dá…
Mas a notícia propriamente dita também era interessante. E também muito carregada de “mamas”.
Ora o que acontece é o seguinte: depois de uma pesquisa realizada na Universidade de Portsmouth, ficou a saber-se que as “mamas” das mulheres prejudicam grandemente o desempenho das actividades desportivas. Aqui eu pergunto: o que entendem eles por “actividade desportiva”? Apenas as actividades em que temos de nos sujeitar a uma classificação e recebemos medalhas se formos incrivelmente rápidos? Ou também se incluem as actividades em que não há medalhas mas em que a malta também se farta de transpirar, e em que não convém mesmo nada acabar em primeiro lugar? É que se for esse o caso, nunca me constou que as “mamas” atrapalhassem o que quer que fosse. Antes pelo contrário. O que é que a malta faz na ausência de “mamas”? Atarracha lâmpadas? Descasca tangerinas? Enfim… E a notícia continuava: A pesquisadora, uma mulher de nome Joanna Scurr, descobriu que as “mamas” podem balançar uns assustadores 21 centímetros aquando a prática de desporto… 21 centímetros? Afinal quem é que a menina Scurr utilizou para elaborar este estudo? A Dolly Parton? É que eu já vi “mamas” a abanarem durante a “prática de desporto” e nunca tive a felicidade de vê-las percorrer uma distância dessas. Já alguém viu aquela desgraçada que foi atirada para as madrugadas da TVI para apresentar um concurso para padeiros e guardas nocturnos? É que a rapariguita às vezes entusiasma-se, mas nada que se pareça com 21 centímetros senhores! Mas, a ser verdade, agora percebo o sucesso do Basquetebol feminino! Onde é que será que a Ticha Penicheiro vai buscar as dela quando faz um lançamento triplo? Ou será que é por isso mesmo que lhe chamam um “Lançamento Triplo”? Mas este é um fenómeno recente que estará com toda a certeza intimamente ligado à facilidade com que se recorre aos implantes mamários actualmente: é que segundo o mesmo estudo realizado há uns anos atrás, as “mamas” modernas balançam mais do que as antigas, que não ultrapassavam uns moderados 16 centímetros. Mas agora pergunto: como é que levaram a cabo esse estudo? É que isso interessa-me, mas desconfio que se entrar num pavilhão gimno-desportivo, onde esteja a decorrer algum jogo de Basquetebol feminino e pedir para medir a distância a que saltam as “mamas” das atletas, quer-me parecer que isso só me dará direito a ser lançado contra uma das tabelas.
E já agora também agradecia que me explicassem em que medida é prejudicial as “mamas” saltarem. Haverá coisa mais salutar na prática desportiva do que ver duas ágeis “mamas” a balançar, como se fossem dois hipopótamozinhos a saltar de nenúfar em nenúfar? Começo a dar razão ao que a minha mãe dizia de cada vez que me queixava de dores de cabeça: “Se te dói, é porque lá está…”, e esta pérola de sabedoria aplica-se perfeitamente neste caso: se elas abanam, é porque lá estão… O contrário é que seria grave. A lei da gravidade também foi descoberta para ser utilizada. Se se põem a publicar coisas destas, não tarda muito temos uma corrida à redução de “mamas”! Deixem lá as “mamas” saltitarem à vontade…
Continuando, a notícia informava que também as senhoras de “mamas” mais humildes podem sofrer com esse problema. Eu gosto deste termo – “mamas mais humildes” – devem ser aquelas que não saltam, põem-se em bicos de pés, e que, muito humildemente, pedem desculpa por serem tão… humildes. Eu acho que a humildade fica sempre bem às “mamas”. “Mamas” pretensiosas é que não! Lá porque parecem apontar para o tecto…
Finalmente, a notícia renovava a esperança a todas as vítimas desse verdadeiro flagelo dos nossos tempos que são as “mamas saltitantes”: a ajuda está a chegar. Na forma de suportes especiais. Isto porque os soutiens existentes nos mercados ainda não são inteiramente confiáveis, já que as mamas também balançam para os lados. Epá… Afinal aquilo não é só cima, baixo, p´rá frente e p´ra trás. Também é p´rá esquerda, p´rá direita, p´rá esquerda, p´rá direita. Lanço daqui um apelo para que revejam a próxima edição do Kama Sutra e incluam a “Posição do Malhão” ou a “Posição do Vira”... É que não há motivo para a malta não desfrutar dessa agilidade toda, e quebrar a monotonia do cima, baixo, p´rá frente, p´ra trás... Já estou a imaginar grandiosos concursos de ginástica rítmica de “mamas”, em que as participantes apresentariam, para além das costumeiras fitas e hula-hoops, bonitas coreografias de “mamas” a saltarem e abanarem em várias direcções, tudo muito bem sincronizado: Esquerda, direita, p´ra baixo, esquerda, direita, p´ra cima… Tudo isto ao som de Vangelis. Haveria de ser com toda a certeza um grandioso espectáculo. Quem sabe se não chegaria a ser até, modalidade Olímpica – desde que Portugal não concorresse com a Vanessa Fernandes… Ora, digam lá senhores, em que é que as “mamas” a abanar podem ser prejudiciais no desporto?

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