Algumas pessoas nascem com o rabo virado para a lua. Outras, como é o meu caso, nascem viradas para rabos do tamanho da lua.
Esta lamentação talvez se prenda mais com a minha falta de oportunismo do que, como é mais cómodo para mim pensar, uma brincadeira de mau gosto levada a cabo pelo Todo Poderoso, a Divina Sorte e o sempre inconveniente Destino. Eu acredito que tudo isto não passa de uma sádica forma de brincar dessas três criancinhas mimadas… Mas também pode acontecer que eu, simplesmente, não olhe para onde devo.
Começa já a ser irritante que quando me chamam a atenção com um “Olha agora!”, o “Agora” tenha sido há três segundos atrás. Porra! Nunca consigo ver as cuecas de fio dental a saltarem para fora dos jeans de uma miúda.
Quero dizer, até consigo… E muito frequentemente até… Mas nunca são miúdas jeitosas, daquelas que nos fazem ficar na dúvida sobre se devemos fixar o olhar no elástico que grita: “Olha p´ra mim! Olha p´ra mim!”, ou para as bem delineadas ancas que fazem com que as costuras dos jeans apertados pareçam prestes a rebentar, e que são a minha perdição. Nada me entusiasma mais que umas bonitas ancas… No caso de não haver nudez e ordinarices gritadas em tom de apoplexia, ancas!
Obviamente que a minha falta de oportunismo não é tão grande que eu nunca tenha visto um fio dental aparecer involuntariamente quando uma miúda se inclina, mas, fatalmente, são sempre miúdas em quem não se distinguem as ancas dos ombros. As calças parecem rebentar, sim senhor, mas porque já não aguentam tanta carne enfiada numas calças que deviam ser, pelo menos, quatro números acima. Assim, todos os meus vislumbres de cuecas de fio dental, vulgo “fisgas”, se assemelham mais a autênticas catapultas, daquelas utilizadas pelos brutamontes que fizeram as Cruzadas para derrotar os Infiéis, numa época em que a melhor arma de arremesso que existia eram calhaus do tamanho do Cristo-Rei. É revoltante…
Podem vocês estar a pensar: “Então, é porque os sítios que tu frequentas não têm gajas boas…”. Os que eu frequento normalmente… Não! Mas o mesmo acontece em todos os sítios onde eu entro casualmente, mesmo estando pejados de gajas jeitosas. Há uns dias entrei num café onde nunca tinha entrado. Mas como lá passo em frente todos os dias, sabia de antemão que era muitíssimo bem frequentado. E bem frequentado estava. Inspeccionei o local e reparei numa linda rapariga, com umas belas ancas, apertadas por umas calças azul claro, sentada sozinha numa mesa. Imediatamente sentei-me na mesa atrás, na esperança de que ela fizesse um movimento qualquer que deixasse antever o seu fio dental, como, sei lá, apanhar o isqueiro.
Pois sabem senhores, o que aconteceu? O namorado chegou e pediu para trocar de lugar para ficar de frente para a televisão! O isqueiro realmente caiu. Mas o único vislumbre de intimidade a que tive direito foi o elástico dos boxers do gajo, com um estranho padrão que se assemelhava a hélices de barco! Até quando me sento sozinho a um canto sou bafejado por coisas cuja existência preferia desconhecer: pensam vocês que se senta à minha frente alguma moçoila que me faça tirar os olhos da vitrine das gomas? Nem pensar… O trio de criancinhas mimadas insiste na pérfida brincadeira e presenteia-me com gajas que para além de não terem nada de interessante, ainda deixam antever, toda a sordidez que se esconde por baixo das calças. Ainda por cima, no caso destas, basta um pequeno movimento, como coçar o queixo, e logo aparece o fiozinho cor de rosa ou amarelo, esticado para além dos limites impostos pela física. Isto quando não são gajos de boxers ridículos e costas peludas… Já por três vezes o dono do café veio a correr atrás de mim porque eu fugi sem pagar a conta…
Uma destas noites, depois de mais um dia de trabalho, decidi ir com uns amigos “só jantar”. Fatalmente o jantar prolongou-se para uma noitada de copos e trambolhões pelo Chiado abaixo. Como estamos no mês de férias por excelência, todas as ruas e travessas pululavam de gente que conversava, ria, namorava, bebia, fumava, aspirava e… vomitava. Muitas eram raparigas, que se inclinavam com as mãos apoiadas na parede por essa Rua Nova do Almada ou Rua Diário de Notícias, deixando antever “fisgas” amarelas, cor-de-rosa, roxas, pretas, brancas, até um bonito padrão de tigresa… Mas para meu infortúnio, aquilo que poderia ser um espectáculo digno de se ver, não passou de uma “Lojinha de Horrores”, que se ia tornando mais horrenda à medida que descíamos o Chiado. Nem toda a quantidade de álcool ingerida conseguiu tornar mais agradável a horrível e dura – neste caso, a rebentar pelas costuras – realidade.
A determinada altura tive de fechar os olhos e tapar a cara com o braço. Até que ouvi os meus companheiros gritarem “Olha ali! Olha agora!”.
Infelizmente o “Agora” tinha sido há três segundos. Malditas criancinhas…
Esta lamentação talvez se prenda mais com a minha falta de oportunismo do que, como é mais cómodo para mim pensar, uma brincadeira de mau gosto levada a cabo pelo Todo Poderoso, a Divina Sorte e o sempre inconveniente Destino. Eu acredito que tudo isto não passa de uma sádica forma de brincar dessas três criancinhas mimadas… Mas também pode acontecer que eu, simplesmente, não olhe para onde devo.
Começa já a ser irritante que quando me chamam a atenção com um “Olha agora!”, o “Agora” tenha sido há três segundos atrás. Porra! Nunca consigo ver as cuecas de fio dental a saltarem para fora dos jeans de uma miúda.
Quero dizer, até consigo… E muito frequentemente até… Mas nunca são miúdas jeitosas, daquelas que nos fazem ficar na dúvida sobre se devemos fixar o olhar no elástico que grita: “Olha p´ra mim! Olha p´ra mim!”, ou para as bem delineadas ancas que fazem com que as costuras dos jeans apertados pareçam prestes a rebentar, e que são a minha perdição. Nada me entusiasma mais que umas bonitas ancas… No caso de não haver nudez e ordinarices gritadas em tom de apoplexia, ancas!
Obviamente que a minha falta de oportunismo não é tão grande que eu nunca tenha visto um fio dental aparecer involuntariamente quando uma miúda se inclina, mas, fatalmente, são sempre miúdas em quem não se distinguem as ancas dos ombros. As calças parecem rebentar, sim senhor, mas porque já não aguentam tanta carne enfiada numas calças que deviam ser, pelo menos, quatro números acima. Assim, todos os meus vislumbres de cuecas de fio dental, vulgo “fisgas”, se assemelham mais a autênticas catapultas, daquelas utilizadas pelos brutamontes que fizeram as Cruzadas para derrotar os Infiéis, numa época em que a melhor arma de arremesso que existia eram calhaus do tamanho do Cristo-Rei. É revoltante…
Podem vocês estar a pensar: “Então, é porque os sítios que tu frequentas não têm gajas boas…”. Os que eu frequento normalmente… Não! Mas o mesmo acontece em todos os sítios onde eu entro casualmente, mesmo estando pejados de gajas jeitosas. Há uns dias entrei num café onde nunca tinha entrado. Mas como lá passo em frente todos os dias, sabia de antemão que era muitíssimo bem frequentado. E bem frequentado estava. Inspeccionei o local e reparei numa linda rapariga, com umas belas ancas, apertadas por umas calças azul claro, sentada sozinha numa mesa. Imediatamente sentei-me na mesa atrás, na esperança de que ela fizesse um movimento qualquer que deixasse antever o seu fio dental, como, sei lá, apanhar o isqueiro.
Pois sabem senhores, o que aconteceu? O namorado chegou e pediu para trocar de lugar para ficar de frente para a televisão! O isqueiro realmente caiu. Mas o único vislumbre de intimidade a que tive direito foi o elástico dos boxers do gajo, com um estranho padrão que se assemelhava a hélices de barco! Até quando me sento sozinho a um canto sou bafejado por coisas cuja existência preferia desconhecer: pensam vocês que se senta à minha frente alguma moçoila que me faça tirar os olhos da vitrine das gomas? Nem pensar… O trio de criancinhas mimadas insiste na pérfida brincadeira e presenteia-me com gajas que para além de não terem nada de interessante, ainda deixam antever, toda a sordidez que se esconde por baixo das calças. Ainda por cima, no caso destas, basta um pequeno movimento, como coçar o queixo, e logo aparece o fiozinho cor de rosa ou amarelo, esticado para além dos limites impostos pela física. Isto quando não são gajos de boxers ridículos e costas peludas… Já por três vezes o dono do café veio a correr atrás de mim porque eu fugi sem pagar a conta…
Uma destas noites, depois de mais um dia de trabalho, decidi ir com uns amigos “só jantar”. Fatalmente o jantar prolongou-se para uma noitada de copos e trambolhões pelo Chiado abaixo. Como estamos no mês de férias por excelência, todas as ruas e travessas pululavam de gente que conversava, ria, namorava, bebia, fumava, aspirava e… vomitava. Muitas eram raparigas, que se inclinavam com as mãos apoiadas na parede por essa Rua Nova do Almada ou Rua Diário de Notícias, deixando antever “fisgas” amarelas, cor-de-rosa, roxas, pretas, brancas, até um bonito padrão de tigresa… Mas para meu infortúnio, aquilo que poderia ser um espectáculo digno de se ver, não passou de uma “Lojinha de Horrores”, que se ia tornando mais horrenda à medida que descíamos o Chiado. Nem toda a quantidade de álcool ingerida conseguiu tornar mais agradável a horrível e dura – neste caso, a rebentar pelas costuras – realidade.
A determinada altura tive de fechar os olhos e tapar a cara com o braço. Até que ouvi os meus companheiros gritarem “Olha ali! Olha agora!”.
Infelizmente o “Agora” tinha sido há três segundos. Malditas criancinhas…

Um comentário:
Join the club! Esses putos são lixados...
Abraços
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