sexta-feira, 9 de fevereiro de 2007

1+1=20

Há uns tempos atrás recebi um telefonema de um amigo. Nada de extraordinário, a não ser o facto de serem oito e meia da manhã de um Domingo chuvoso e frio, em que eu estava a dormir descansado depois de uma noite de copos. Atendi o telefone, visivelmente mal disposto e com a boca a saber a sola de sapato – normalmente o meu estado ébrio dá-me para fazer as coisas mais insólitas, uns dias antes tinha acordado com a boca a saber a gasóleo agrícola…
Do outro estava o meu amigo (não vou revelar o nome porque podem reconhecê-lo) bastante perturbado, diria mesmo em pânico. Ora eu e o resto da malta já não sabíamos nada dele desde as quatro da manhã, hora em que ele saíra da sede da associação columbófila, acompanhado por uma loiraça de um metro e oitenta, senhora de umas pernas que pareciam nunca mais acabar, que tinha passado a noite a fazer olhinhos de bambi e beicinho de Merche Romero.
Ora, sendo eu, acima de tudo um tipo discreto, não fiz qualquer tipo de comentário, e limitei-me a pedir pormenores. Para fins estatísticos, claro: o tamanho do sutiã, a cor das cuecas, fio dental ou tenda de campismo, etc. Mas logo fui interrompido com uma afirmação que me atingiu como uma bala de canhão: “Epá, saquei uma gaja toda boa e acordei hoje de manhã com uma feiosa ao meu lado!”
Levantei-me de repente, batendo com a cabeça no tejadilho do carro. Onde é que raio é que aquele gajo teria desencantado um padre que os casasse àquela hora? E os efeitos do casamento seriam assim tão rápidos? “Não é nada disso, pá” interrompeu o (não posso dizer, a sério), “eu saí ontem com a Cátia Vanessa, tu viste? Fomos para casa dela, pecos, pecos e ao fim de cinco ou seis minutos adormeci…” “Que grande animal” pensei. “Tanto tempo?” interroguei-me. “Por outro lado, o gajo é pescador… Ná, desconta lá três ou quatro minutinhos” concluí. “Epá… ela deve ter saído de manhã, a irmã foi ao quarto dela e aproveitou-se de mim enquanto eu dormia” disse o (não, a sério, é foleiro).
“Aproveitou-se dele?” duvidei eu. A única vez em que alguém se quisera aproveitar dele foi quando na quermesse de 1994 lhe venderam três barras de plasticina, dizendo que era haxixe. Parece que estou a vê-lo, até já queria formar uma banda de Rock. Só ficava a faltar o sexo… Além disso, segundo constava, este gajo nem acordado, quanto mais a dormir…
Ora, perante estas evidências, acabei por concluir que o que tinha acontecido não era nada de extraordinário, e acontece um pouco por todo o mundo: o meu caríssimo amigo bebeu até achar a Cátia Vanessa (pronuncia-se Vánéssa) uma autêntica Jessica Alba. E saiu com aquela companhia, lançando sorrisos superiores a todos os que se encontravam presentes. Tive pena dele, afinal de contas, contar aos amigos é sempre metade do gozo, e ele não tinha muito para se gabar, e até podia ter sido eu se não estivesse entretido a observar o interior do urinol, com a cabeça enfiada lá dentro. Sempre é verdadeiro o velho adágio que diz “Não há mulheres feias, há é homens que bebem pouco”.
Desde esse episódio, nunca mais avaliei as mulheres segundo os mesmos padrões de valores machistas: rabo, de um a dez, cinco. Mamas, de um a dez, oito… Agora não. Aumenta demasiado as expectativas e não há ninguém a quem pedir indemnização no caso de aquele rabo firme e aqueles seios a apontarem para o tecto, virem por aí abaixo, como um terramoto na Flórida.
Agora, a minha escala de valores é em Litros! Exactamente! Passo a explicar: Quando estou num bar ou numa discoteca, e entra uma moçoila, bonita ou não, não interessa, penso sempre nestes termos – Quantos litros de álcool precisaria de beber para que ela se tornasse bonita? Quanto mais baixo for o número, melhor. Exemplo: Soraia Chaves – Zero. Ninguém precisa de beber uns canecos para ela ser bonita certo? Bom, excepto talvez o Serginho e o Cláudio Ramos. Outro exemplo: Catarina Furtado – Zero. Ainda outro: Merche Romero antes de Cristiano Ronaldo – Zero, Merche Romero depois de Cristiano Ronaldo – Quatro, Merche Romero depois de Abel Xavier – Dez. De algo bem forte, de preferência.
O acordar no dia a seguir com qualquer coisa tipo Madame Min ao lado, que diga “Prontos” e “Musse de Chiclate”… Bom, isso pode ser considerado a ressaca, certo? E o mais maravilhoso é que isto dá para os dois lados! A melhor coisa que aconteceu em Portugal, a seguir aos discursos do Luís Filipe Vieira, foram as Ladie´s Nights!
Já tenho amigas que bebem como homens, até ao vómito, dançam de forma ridícula a partir das cinco da manhã, com uma notória dificuldade em manter o equilíbrio, usam uma gravata na testa e frequentam espeluncas de Strip.
Não se admire portanto, se um destes dias for o amigo a passar de Macho Alfa a Anão da Branca de Neve, algures entre as cinco e as oito da manhã. Ou entre o bar e o banco de trás do charuto. Em último caso, embebedam-se os dois. Na pior das hipóteses os dez litros de cada um dão direito a um coma alcoólico, e acabam-se assim as festividades. De qualquer das formas, as regras mudaram: Elas agora também se gabam! E também nos deixam a meio da noite, a sentirmo-nos sujos, sozinhos e usados, à espera do telefonema que não chega… Também assediam, encostadas ao balcão, exalando um forte hálito a cigarros e cerveja… Estou absolutamente convencido que a taxa de sucesso nos engates vai aumentar com esta nova tendência. Ou pensavam que isto era um texto machista?!!! Então aí é que eu estava desgraçado e nunca mais facturava. Nem com a ajuda da maior bezana do planeta!

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