quarta-feira, 29 de agosto de 2007

O tamanho interessa

Ultimamente tenho recebido algumas queixas respeitantes ao tamanho dos meus posts. Já quatro ou cinco pessoas se queixaram que os textos que aqui coloco, autênticas pérolas de sabedoria, são demasiado grandes e que o mero vislumbre da sua dimensão provoca neles um arrefecimento do interesse.
“Tenho a certeza que são muito giros mas… são tão grandes… e ao fim de um dia de trabalho…”.
Como se alguém lhes exigisse que, para além de os lerem, fizessem uma cópia integral dos textos como trabalho de casa para o dia seguinte. Isto também não é propriamente "Os Lusíadas". Mas por mim, tudo bem. Quando isso acontece, olho para essas pessoas, encolho os ombros, e continuo a escrever, passando para a página seguinte.
Como devem calcular, não vou limitar o tamanho do serviço público que aqui presto, de forma altruísta, por causa de meia dúzia de preguiçosos mentais que nem sabem apreciar o bem que lhes faço. Aliás, é uma questão de matemática, que ela para isto ainda serve: se existem cerca de seis biliões de pessoas no planeta e só uma reles meia dúzia se queixa, é porque a maioria, ou seja cinco biliões e tal de almas, aprecia e concorda com o tamanho dos meus posts… Se calhar até os desejariam maiores… Mas não se queixam. Ora, posto isto, tenho simplesmente a dizer a esses cinco ou seis calões: aguentem! Que raio! Quem manda neste estaminé sou eu! Isto não é uma democracia. E mesmo que fosse, a maioria de seis biliões, descontados os cinco detractores, ganharia. Os textos vão continuar a ter o tamanho que eu decidir. Imaginem que cada um dos meus textos é uma sopinha de massa. Em vez de uma tigela, comem duas… ou quatro.
Sim, que eu nem sequer me vou chatear tentando agradar a uma minúscula minoria tão mentalmente obesa que não mexe os neurónios para ler algo mais comprido que o título de um filme só porque “o dia foi tão cansativo”. E mesmo os títulos dos filmes sofrem, às mãos desses cérebros ociosos, autênticos massacres e desconfigurações. Ainda me lembro que quando estreou “A Paixão de Cristo” a pergunta que se impunha era “Já viste a Paixão?”. Quinze letrinhas (espero não ter contado mal…). Nem isso respeitaram. Ainda por cima, era uma pergunta que dava azo a alguma confusão, porque para além d´ “A Paixão de Cristo”, houve uns anos antes outra Paixão: a de Shakespeare. De maneira que, quando algum preguiçoso de língua me perguntava, pouco tempo depois da estreia, ainda a minha fé não me tinha arrastado a uma sala de cinema, se eu tinha visto “A Paixão”, havia sempre um diálogo digno de um gag dos Monty Python:
- Pá! Já viste “A Paixão”?
- Vi pá. Não achei muita piada à Gwyneth Paltrow vestida de gajo…
- O quê? Era ela o Diabo? Tchhh… Ganda maquilhagem…
- Não. Ela era “A Paixão”.
- Ai era ela? Pensei que fosse a outra gaja... A italiana… A boazona…
- Não. “A Paixão de Shakespeare” era ela.
- Shakespeare?.. Que apóstolo era esse?
E isto durante meses a fio, até que finalmente, e para acabar com mal-entendidos, comprei na feira uma cópia pirata d´ ”A Paixão desse gajo que já me estava a chatear…”. Infelizmente a cópia era daquelas maradas, que ficam sem imagem e sem som antes do fim… Portanto ainda hoje não sei como aquilo acaba… Alguém sabe? O gajo morre?
E "Os Piratas das Caraíbas" que passaram a ser simplesmente "Os Piratas". "Os Piratas" de onde senhores? Das Caraíbas? Dos Confins do Mundo?... Ahhh...
Concluindo, e para acabar com discussões, os textos continuam grandes e vocês que se lixem… Este espaço destina-se a pessoas mentalmente ginasticadas. Não quero saber se quando chegam ao fim não se lembram do início. Aliás… Pergunto: quando acabam de ler a lista telefónica, também mandam uma cartinha ou um e-mail para o autor a queixarem-se que quando acabam de ler a morada do último Zeferino, já não se lembram do código postal do primeiro Anacleto? Não me parece… O tamanho dos meus textos tem a muito útil função de ajudar à selecção natural dos meus leitores: afasta os que não têm categoria para entrar neste estaminé. Funciona como a fachada de um restaurante muito chic: afasta os pelintras que já sabem que não têm figura, status e dinheiro para lá entrar… Peço desculpa se se sentem ofendidos, mas é assim que isto vai funcionar. Não há livro de reclamações… Era só o que me faltava agora...
É a primeira vez que alguém se queixa de algo meu por ser grande…
Se quiserem leiam só os títulos, a ver se eu me importo… Arranjem monitores maiores. Assim só têm de fazer Scroll cinco vezes... O meu talento não pode ser reduzido, comprimido, amarfanhado e resumido a meia dúzia de linhas. Não seria eu. Seria como passar dos preliminares directamente para o cigarro (bom, isto talvez já seja…) ou do noivado para o divórcio. Não seria natural.
E só por causa das tosses, tomem lá mais este parágrafo, com mais umas quantas letrinhas e palavrinhas, só para juntar palha suficiente, mesmo caindo no perigo da redundância, para perfazer um total de oitocentas e vinte e cinco palavras e quatro mil seiscentos e noventa e três caracteres.

Um comentário:

Anônimo disse...

"No fim do dia de trabalho"... Ninguém lê mails em casa, porra, isso é o k se faz no trabalho.
E quanto maior melhor!
O post, é claro. Ou o decote...
Abraços