Fiquei há pouco a saber, através de um jornal on-line, que numa arrojada iniciativa da Federação Portuguesa de Futebol, o autocarro que transportará a Selecção Portuguesa / 10% Brasileira está estacionado no Parque das Nações, à disposição dos adeptos para que estes possam escrever no próprio autocarro, as suas mensagens de apoio à equipa.
Eu não sei de quem terá sido esta brilhante ideia, mas aplaudo desde já a iniciativa. Depois das bandeiras penduradas à janela, já carcomidas pelo sol e pela chuva, e hasteadas nas antenas dos automóveis, esvoaçando no meio das filas de trânsito para a praia, ao som do Hino Nacional, buzinadelas e insultos, eis que alguém se lembra de levar todo este colorido para os Alpes.
No fundo isto deve ser a forma de os jogadores se sentirem mais perto de casa, não obstante a maior parte deles jogar no estrangeiro.
Não deve haver nada mais contagiante e moralizador para um jogador de futebol do que saber que está a ser transportado num bloco de autógrafos em quatro rodas, cheio de garatujas desde os pneus até ao tejadilho.
Contudo, e apesar de achar esta iniciativa louvável, porque no fundo, é dar a oportunidade à malta mais fervorosa de sentir que está a contribuir com algo mais que hora e meia de cerveja e caracóis, e um ou outro insultozinho, há uma ou duas questões que me fazem uma certa confusão: a malta pode escrever o que quiser, ou há alguém a controlar a inspiração alheia? Se alguém decidir escrever na porta do autocarro qualquer coisa como: “Ó Petit, não jogas um C(…) seu caceteiro de M(…)!” o que é que acontece? A mensagem de apoio segue com a equipa, ou vem um indivíduo de bigode e ar sisudo, com um lápis azul, riscar a manifestação de apoio daquele adepto?
E escrevemos com o quê? Será que enquanto uns levam uma canetinha de acetato, outros poderão levar latas de tinta em spray para grafitar a sua mensagem? Ou a coisa é mais uniforme e toda a gente escreve com um prego, porque nunca se sabe se poderá chover e lá se vão as mensagens para o galheiro?
Será que pensaram na possibilidade de os pombos dos alpes serem parentes dos pombos da Baixa, e largarem excrementos tão corrosivos que o autocarro tenha de ser lavado duas vezes por dia?
Eu gostava que alguém me esclarecesse isto. Será que vão desenhar linhas no autocarro para escrevermos a direito, ou podemos fazer desenhos e coraçõezinhos nos “ii”? E haverá revisão ortográfica? É que se o pessoal escrever como escreve os SMS que manda para os programas televisivos, não ficará meia Europa a saber que somos o país mais iletrado da União Europeia? Tudo bem, estamos a falar de futebol e dos seus protagonistas, que dizem coisas como: “Penso que empatámos a dois golos… penso que merecíamos ganhar… penso que vamos continuar a trabalhar para atingir os nossos objectivos…” mas porra, será que vamos mandar os nossos Viriatos num autocarro tão cheio de cruzes e sublinhados vermelhos, que mais vai parecer um dos meus testes de matemática, apenas faltando, para isso, escrever "Satisfaz muito muito pouco"?
Ou será isto uma estratégia de intimidação aos adversários?
Porque, sejamos realistas, nem os brutamontes dos alemães deixarão de tremer ao ver a nossa equipa chegar num autocarro que parece ter sido vandalizado, e onde se poderão ler coisas como “Amadora power” ou “Antes paneleiro que lampião”.
Eu, pessoalmente, nunca ambicionei ser jogador da bola, mas devo confessar que agora até gostava de ser um dos eleitos de Scolari. Imaginem a quantidade de miúdas que vão escrever coisas como: “Ronaldo, telefona-me” e a seguir escrevem o número de telemóvel…
Nos tempos mortos do estágio sempre se pode trocar umas mensagens com alguém que não se preocupe uma beata com futebol, mas que queira servir de apoio a um ou dois jogadores. E isto é bonito…
Estas iniciativas de aproximação do povo à Selecção são maravilhosas, repletas de romantismo lusitano e eu estou aqui cheio de vontade de ir rabiscar a tinta daquele autocarro. As ideias pululam na minha cabeça e estou ansioso por deitá-las para o papel… perdão, carrossaria. Já decidi que, se por acaso, já não houver espaço para a minha garatuja no autocarro, vou escrever as minhas mensagens por todos os carros que encontrar estacionados por esse Portugal fora! Não há motivo nenhum para limitarmos a nossa criatividade a um único autocarro!
Aplaudo de pé esta iniciativa para soltar os Camões deste país, substituindo a pena por qualquer objecto afiado e o papiro pela chapa dos automóveis. Vale tudo para apoiar a Selecção…
Termino esta minha diarreia mental com uma dicazinha aos responsáveis da Federação: se por acaso estiverem a pensar, numa próxima competição, deixar a malta conduzir o autocarro, para “ter a noção do que é conduzir os craques”, esqueçam!
Uma coisa é soltar os Camões que existem dentro dos portugueses, outra bem diferente é soltar os “Carjackers” que temos dentro de nós.
Os rapazes têm de representar Portugal, mas isso não significa que sejam encontrados dentro de um veículo espetado numa caixa de Multibanco, certo?
Eu não sei de quem terá sido esta brilhante ideia, mas aplaudo desde já a iniciativa. Depois das bandeiras penduradas à janela, já carcomidas pelo sol e pela chuva, e hasteadas nas antenas dos automóveis, esvoaçando no meio das filas de trânsito para a praia, ao som do Hino Nacional, buzinadelas e insultos, eis que alguém se lembra de levar todo este colorido para os Alpes.
No fundo isto deve ser a forma de os jogadores se sentirem mais perto de casa, não obstante a maior parte deles jogar no estrangeiro.
Não deve haver nada mais contagiante e moralizador para um jogador de futebol do que saber que está a ser transportado num bloco de autógrafos em quatro rodas, cheio de garatujas desde os pneus até ao tejadilho.
Contudo, e apesar de achar esta iniciativa louvável, porque no fundo, é dar a oportunidade à malta mais fervorosa de sentir que está a contribuir com algo mais que hora e meia de cerveja e caracóis, e um ou outro insultozinho, há uma ou duas questões que me fazem uma certa confusão: a malta pode escrever o que quiser, ou há alguém a controlar a inspiração alheia? Se alguém decidir escrever na porta do autocarro qualquer coisa como: “Ó Petit, não jogas um C(…) seu caceteiro de M(…)!” o que é que acontece? A mensagem de apoio segue com a equipa, ou vem um indivíduo de bigode e ar sisudo, com um lápis azul, riscar a manifestação de apoio daquele adepto?
E escrevemos com o quê? Será que enquanto uns levam uma canetinha de acetato, outros poderão levar latas de tinta em spray para grafitar a sua mensagem? Ou a coisa é mais uniforme e toda a gente escreve com um prego, porque nunca se sabe se poderá chover e lá se vão as mensagens para o galheiro?
Será que pensaram na possibilidade de os pombos dos alpes serem parentes dos pombos da Baixa, e largarem excrementos tão corrosivos que o autocarro tenha de ser lavado duas vezes por dia?
Eu gostava que alguém me esclarecesse isto. Será que vão desenhar linhas no autocarro para escrevermos a direito, ou podemos fazer desenhos e coraçõezinhos nos “ii”? E haverá revisão ortográfica? É que se o pessoal escrever como escreve os SMS que manda para os programas televisivos, não ficará meia Europa a saber que somos o país mais iletrado da União Europeia? Tudo bem, estamos a falar de futebol e dos seus protagonistas, que dizem coisas como: “Penso que empatámos a dois golos… penso que merecíamos ganhar… penso que vamos continuar a trabalhar para atingir os nossos objectivos…” mas porra, será que vamos mandar os nossos Viriatos num autocarro tão cheio de cruzes e sublinhados vermelhos, que mais vai parecer um dos meus testes de matemática, apenas faltando, para isso, escrever "Satisfaz muito muito pouco"?
Ou será isto uma estratégia de intimidação aos adversários?
Porque, sejamos realistas, nem os brutamontes dos alemães deixarão de tremer ao ver a nossa equipa chegar num autocarro que parece ter sido vandalizado, e onde se poderão ler coisas como “Amadora power” ou “Antes paneleiro que lampião”.
Eu, pessoalmente, nunca ambicionei ser jogador da bola, mas devo confessar que agora até gostava de ser um dos eleitos de Scolari. Imaginem a quantidade de miúdas que vão escrever coisas como: “Ronaldo, telefona-me” e a seguir escrevem o número de telemóvel…
Nos tempos mortos do estágio sempre se pode trocar umas mensagens com alguém que não se preocupe uma beata com futebol, mas que queira servir de apoio a um ou dois jogadores. E isto é bonito…
Estas iniciativas de aproximação do povo à Selecção são maravilhosas, repletas de romantismo lusitano e eu estou aqui cheio de vontade de ir rabiscar a tinta daquele autocarro. As ideias pululam na minha cabeça e estou ansioso por deitá-las para o papel… perdão, carrossaria. Já decidi que, se por acaso, já não houver espaço para a minha garatuja no autocarro, vou escrever as minhas mensagens por todos os carros que encontrar estacionados por esse Portugal fora! Não há motivo nenhum para limitarmos a nossa criatividade a um único autocarro!
Aplaudo de pé esta iniciativa para soltar os Camões deste país, substituindo a pena por qualquer objecto afiado e o papiro pela chapa dos automóveis. Vale tudo para apoiar a Selecção…
Termino esta minha diarreia mental com uma dicazinha aos responsáveis da Federação: se por acaso estiverem a pensar, numa próxima competição, deixar a malta conduzir o autocarro, para “ter a noção do que é conduzir os craques”, esqueçam!
Uma coisa é soltar os Camões que existem dentro dos portugueses, outra bem diferente é soltar os “Carjackers” que temos dentro de nós.
Os rapazes têm de representar Portugal, mas isso não significa que sejam encontrados dentro de um veículo espetado numa caixa de Multibanco, certo?

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