A minha mãe sempre me disse para não acreditar em tudo o que leio. Talvez por isso é que nunca me preocupei por aí além com as letras garrafais impressas nos maços de tabaco que garantem que fumar pode provocar, entre outras coisas, cancro, impotência, espermatozoidicídio, enfisema, malefícios às criancinhas, aos que me rodeiam e, em última instância, o abraço negro e alcatroado da morte.
Eu acho que isso é tudo um enorme exagero…
Se a malta fosse agora acreditar nessas merdas, toda a gente bebia com moderação, tinha uma alimentação regrada e não havia colestrol… Ná… Eu sou mais esperto que isso…
Mas é inegável que fumar não é propriamente o hábito mais saudável que um rapazola como eu pode ter, e como tal, decidi voltar a tentar deixar este vício.
Desta vez a sério, porque das últimas vezes que tentei, a coisa não correu lá muito bem…
Mas desta vez conto com a ajuda da lei do tabaco: os cigarros que me davam mais gozo fumar eram, pela seguinte ordem, o primeiro do dia, depois do pequeno almoço e durante o primeiro café, e depois de almoço, também durante o café.
Ora, como agora é proibido fumar em todo o lado onde eu ingiro uma refeição, tenho de me levantar e ir para a rua esfumaçar, encostado a uma parede, e não me deixam levar a chávena e o pires, mais vale deixar o hábito. Aliás, esta é a única observação que eu tenho a fazer relativamente à Lei do Tabaco. Sim senhor, limparam o ar dos restaurantes, mas em compensação todas as ruas deste país parecem a Rua Maria Pia nos seu tempos áureos, com grupinhos de malta a esfumaçar, abrigados em todas as esquinas e vielas, não deixando sequer uma única parede a jeito para aqueles que são subitamente surpreendidos pelo excesso de cerveja na bexiga.
E não tem sido fácil… Desde que fumei o último Marlboro que ando irritadiço, as quebras de tensão e dores de cabeça são uma constante, não me consigo concentrar, ando sem paciência e abuso das buzinadelas.
As últimas cinco horas têm sido complicadas…
Em desespero de causa lembrei-me de comprar uma das novas embalagens de Chupa-Chups, que até vêm numa caixa igual à dos maços de tabaco. Pensei que assim, talvez o impacto fosse minimizado pela repetição dos gestos de fumador: abrir o maço, sacar do chupa, levá-lo à boca, e, quiçá, para não estranhar muito a diferença, sacar do isqueiro e acendê-lo em frente à cara, só para continuar a ouvir aquele clique tão familiar.
Até que ao revirar o maço de chupas na mão, me deparei com isto...
... ora ainda bem que avisam. Não é que eu acredite em tudo o que leio, mas é reconfortante saber que o meu novo vício não é prejudicial a ninguém.
Aliás eu tenho defendido esta máxima ao longo de toda a vida, desde a puberdade, mas acham que alguém me passou cartão?...
... e do outro lado...
... aqui comecei a considerar seriamente a hipótese de esta não ser realmente a melhor decisão que tomei. É que isto é capaz de dar azo a algumas interpretações erradas por parte da malta que me vir a sacar isto do bolso. Ainda por cima eu já vi caixas de preservativos parecidas com esta, e cuja finalidade, não sendo a mesma, andava lá perto.
Repare-se no segundo ponto, em que os fabricantes afirmam que durante o acto de chupar, a mão e a boca interajem, ajudando assim a malta a relaxar...
Alguém me explica o que raio aconteceu ao universo dos chupa chupas nos últimos anos?
É que quando eu era miúdo não havia nada disto...
Portanto, decidi levantar o traseiro preguiçoso e ir à rua comprar tabaco.
Que vem numa caixa máscula e que não relaxa nem descontrai, mas sim que mata, queima e provoca toda a espécie de bicheza em mim e nos que me rodeiam.
Acho bem que a malta da Chupa Chups continue com este tom de comunicação, só acho é que deviam escolher melhor o target, porque, a mim não me impressiona por aí além entrar num sítio destes...
... está muito bem visto, sim senhor, mas não é a mim que têm de convencer...
Se a malta fosse agora acreditar nessas merdas, toda a gente bebia com moderação, tinha uma alimentação regrada e não havia colestrol… Ná… Eu sou mais esperto que isso…
Mas é inegável que fumar não é propriamente o hábito mais saudável que um rapazola como eu pode ter, e como tal, decidi voltar a tentar deixar este vício.
Desta vez a sério, porque das últimas vezes que tentei, a coisa não correu lá muito bem…
Mas desta vez conto com a ajuda da lei do tabaco: os cigarros que me davam mais gozo fumar eram, pela seguinte ordem, o primeiro do dia, depois do pequeno almoço e durante o primeiro café, e depois de almoço, também durante o café.
Ora, como agora é proibido fumar em todo o lado onde eu ingiro uma refeição, tenho de me levantar e ir para a rua esfumaçar, encostado a uma parede, e não me deixam levar a chávena e o pires, mais vale deixar o hábito. Aliás, esta é a única observação que eu tenho a fazer relativamente à Lei do Tabaco. Sim senhor, limparam o ar dos restaurantes, mas em compensação todas as ruas deste país parecem a Rua Maria Pia nos seu tempos áureos, com grupinhos de malta a esfumaçar, abrigados em todas as esquinas e vielas, não deixando sequer uma única parede a jeito para aqueles que são subitamente surpreendidos pelo excesso de cerveja na bexiga.
E não tem sido fácil… Desde que fumei o último Marlboro que ando irritadiço, as quebras de tensão e dores de cabeça são uma constante, não me consigo concentrar, ando sem paciência e abuso das buzinadelas.
As últimas cinco horas têm sido complicadas…
Em desespero de causa lembrei-me de comprar uma das novas embalagens de Chupa-Chups, que até vêm numa caixa igual à dos maços de tabaco. Pensei que assim, talvez o impacto fosse minimizado pela repetição dos gestos de fumador: abrir o maço, sacar do chupa, levá-lo à boca, e, quiçá, para não estranhar muito a diferença, sacar do isqueiro e acendê-lo em frente à cara, só para continuar a ouvir aquele clique tão familiar.
Até que ao revirar o maço de chupas na mão, me deparei com isto...
... ora ainda bem que avisam. Não é que eu acredite em tudo o que leio, mas é reconfortante saber que o meu novo vício não é prejudicial a ninguém.Aliás eu tenho defendido esta máxima ao longo de toda a vida, desde a puberdade, mas acham que alguém me passou cartão?...
... e do outro lado...
... aqui comecei a considerar seriamente a hipótese de esta não ser realmente a melhor decisão que tomei. É que isto é capaz de dar azo a algumas interpretações erradas por parte da malta que me vir a sacar isto do bolso. Ainda por cima eu já vi caixas de preservativos parecidas com esta, e cuja finalidade, não sendo a mesma, andava lá perto.Repare-se no segundo ponto, em que os fabricantes afirmam que durante o acto de chupar, a mão e a boca interajem, ajudando assim a malta a relaxar...
Alguém me explica o que raio aconteceu ao universo dos chupa chupas nos últimos anos?
É que quando eu era miúdo não havia nada disto...
Portanto, decidi levantar o traseiro preguiçoso e ir à rua comprar tabaco.
Que vem numa caixa máscula e que não relaxa nem descontrai, mas sim que mata, queima e provoca toda a espécie de bicheza em mim e nos que me rodeiam.
Acho bem que a malta da Chupa Chups continue com este tom de comunicação, só acho é que deviam escolher melhor o target, porque, a mim não me impressiona por aí além entrar num sítio destes...
... está muito bem visto, sim senhor, mas não é a mim que têm de convencer...

2 comentários:
Adoro os teus posts, não deixes de os escrever. Quanto a deixar de fumar, só vejo uma alternativa para ti: deixares de comer e de tomar café...
Nélia (sim, a prima)
Há quanto tempo! Grazie mile ostri ;)
Realmente deixar de fumar é fácil, difícil é deixar de fumar de vez! Eu que também o diga. Não é pelo primeiro do dia: de manhã até me faz impressão ver pessoas a fumar nos carros vizinhos... faço cara de enjoada como se fosse uma fundamentalista anti-tabaco e depois de repente lembro-me que também fumo.... quem é que consegue não fumar com um bom copo de vinho e uma boa conversa? ......... não dá.
No dia seguinte de manhã prometo à minha consciência, "tens de deixar de fumar, não pode ser...quando quiseres aproveitar a vida que construiste podes ir "desta para pior" e sim, tem de ser fixe ser saudávelzinha, comer verduras e não cheirar a tabaco..."
mas...
Acho que ainda penso ser jovem, e que, tal como o meu pai e mãe que fumaram em jovens e tal como milhares de pessoas que fumam enquanto jovens, eu também posso passar por isso, porque faz parte da independência de ser jovem-adulto, porque estupidamente, nos confere uma segurança, uma pseudo-ideia de rebeldia "Eu fumo, estou-me nas tintas para o resto..."
Sim, também é social, mas a verdade é que sabe mesmo bem.
Imagina, sentada numa esplanada em Florença e sem um cigarro como companhia???
Naaaaa.... se deixar, terá de ser depois da viagem!
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