Eu nunca fui um gajo religioso, mas aprendi a ser hipócrita o suficiente para sê-lo quando isso me convinha.
Era uma espécie de contrição quando me dava jeito… Como por exemplo, nos feriados.
A maior parte da malta que eu conheço, e que goza religiosamente todos os feriados – não é o meu caso, que vim bater aqui com os costados – nem sequer pratica qualquer tipo de religião.
Mas gozam os feriados religiosos como se fossem beatas no largo da igreja. E nem sequer têm a decência de fingir, pelo menos nesse dia, que são praticantes da religião que lhes oferece um santinho qualquer que os deixa ficar a dormir até ao meio dia!
Quando eu conseguia ser uma dessas alminhas, preocupava-me ao menos em saber a que santo era dedicado o dia em questão. Era o mínimo que podia fazer. É que eu sempre achei que se um feriado era religioso, e sendo eu um ateu convicto - que no caso de haver céu e inferno, está desgraçado – era uma hipocrisia celebrá-lo como as outras pessoas que fazem jejuns, não comem carne e abrem a porta aos tipos da TV Cabo.
Então, e dada a quantidade de feriados religiosos em Portugal, decidi deixar entrar Jesus no meu coração, pelo menos nos dias em que me desse jeito.
Mas quase toda a gente que eu conheço e que está neste momento – 09:46 de 22 de Maio - a ressonar que nem um porco, nem sequer sabe a que divina entidade pertence o dia de hoje. Ou o que é que se celebra.
Acho inadmissível que esta maltosa não saiba quem foi o gajo que na prática lhes disse: “Durmam enquanto vos apetecer, outros camelos hão-de ir trabalhar”…
É que por acaso eu até sei, mas isso não me valeu de nada, porque tive de me arrastar até aqui, como um cão rafeiro e sarnento, e com o mesmo entusiasmo com que vou às reuniões de condomínio.
O que ainda me vai reconfortando nesta hora maldita de embirração para com o país e mais os sacanas dos seus santinhos, que deixam dormir toda a gente, à excepção aqui do otário que até se preocupava em saber porque é que era feriado, é o facto de estar a chover. E isso reconforta-me. Não porque eu goste de chuva, mas porque esta bendita água lixou os planos a muita gente.
Isto pode parecer mesquinho, mas eu sinto-me injustiçado. Antigamente – nos gloriosos tempos em que também eu tinha o direito sacrossanto de gozar os feriados – a questão colocava-se meramente no campo regional: se fosse feriado no Porto, falava mal dos santinhos do Porto (dirigentes desportivos incluídos), se fosse feriado em Lisboa, insultava-lhes os monumentos e gozava com a designação “Alfacinha”.
Quando era feriado noutro desterro qualquer, insurgia-me contra qualquer merda que lá houvesse…
Agora quando toca à religião, convenhamos, nem eu tenho coragem de adoptar discursos muito radicais, porque mais vale prevenir que remediar, e não me apetece passar a eternidade a arder nos caldeirões do inferno. Se bem que a temperatura deve ser mais amena que a de hoje, e aquilo deve ser um corropio de malucas lascivas com baixos padrões... o problema são as doenças venéreas, mas que se lixe... assim como assim, estaria tudo morto… e o que arde cura, certo?
Mas, caramba, aquilo deve ser desagradável, ao fim de algum tempo...
Além disso, se efectivamente existir alguma coisa no outro mundo, eu já vou de certeza parar à Cova da Moura lá do sítio, à conta da minha teoria de que os três pastorinhos não viram porra nenhuma, ou melhor, viram, mas porque:
a) os cogumelos da região são alucinogénicos,
b) se eu saísse de casa todos os dias às quatro da manhã, com nada mais que uma taça de sopas de cavalo cansado no bucho, também veria Nossas Senhoras debaixo de todas as oliveiras. Porra… até via o Elvis…
… de maneira que não vale a pena piorar a situação, ou arrisco-me a ser recebido pelos três pastorinhos armados com pedras e cajados, e terei de passar a eternidade a comer sopas de cavalo cansado com cogumelos, enquanto me roubam o carro…
Entretanto lá fora chove cada vez mais, e eu só consigo pensar neste desgraçado país a dar outra volta na cama, enquanto eu tenho de me aguentar à bomboca.
Eu sei que há malta que vai fazer ponte, enquanto eu nem posso sequer gozar uma trampa de um feriado!!!!!!
Espero que abram as torneiras do céu, este fim de semana! Espero que caia uma quantidade de água igual à dos quarenta dias e quarenta noites, mas desta vez em quatro dias!
Não haverão cacilheiros suficientes para albergar todos esse rabos preguiçosos...
Um dilúvio tão grande, tão grande, tão grande, mas tão grande… que arrebente com as auto-estradas e obrigue os alegres peregrinos de Vilamoura a irem para o Algarve pelas estradas nacionais, caminhos de cabras e Serra do Caldeirão!!!
…nem quero imaginar o texto que vou escrever em Agosto…
Era uma espécie de contrição quando me dava jeito… Como por exemplo, nos feriados.
A maior parte da malta que eu conheço, e que goza religiosamente todos os feriados – não é o meu caso, que vim bater aqui com os costados – nem sequer pratica qualquer tipo de religião.
Mas gozam os feriados religiosos como se fossem beatas no largo da igreja. E nem sequer têm a decência de fingir, pelo menos nesse dia, que são praticantes da religião que lhes oferece um santinho qualquer que os deixa ficar a dormir até ao meio dia!
Quando eu conseguia ser uma dessas alminhas, preocupava-me ao menos em saber a que santo era dedicado o dia em questão. Era o mínimo que podia fazer. É que eu sempre achei que se um feriado era religioso, e sendo eu um ateu convicto - que no caso de haver céu e inferno, está desgraçado – era uma hipocrisia celebrá-lo como as outras pessoas que fazem jejuns, não comem carne e abrem a porta aos tipos da TV Cabo.
Então, e dada a quantidade de feriados religiosos em Portugal, decidi deixar entrar Jesus no meu coração, pelo menos nos dias em que me desse jeito.
Mas quase toda a gente que eu conheço e que está neste momento – 09:46 de 22 de Maio - a ressonar que nem um porco, nem sequer sabe a que divina entidade pertence o dia de hoje. Ou o que é que se celebra.
Acho inadmissível que esta maltosa não saiba quem foi o gajo que na prática lhes disse: “Durmam enquanto vos apetecer, outros camelos hão-de ir trabalhar”…
É que por acaso eu até sei, mas isso não me valeu de nada, porque tive de me arrastar até aqui, como um cão rafeiro e sarnento, e com o mesmo entusiasmo com que vou às reuniões de condomínio.
O que ainda me vai reconfortando nesta hora maldita de embirração para com o país e mais os sacanas dos seus santinhos, que deixam dormir toda a gente, à excepção aqui do otário que até se preocupava em saber porque é que era feriado, é o facto de estar a chover. E isso reconforta-me. Não porque eu goste de chuva, mas porque esta bendita água lixou os planos a muita gente.
Isto pode parecer mesquinho, mas eu sinto-me injustiçado. Antigamente – nos gloriosos tempos em que também eu tinha o direito sacrossanto de gozar os feriados – a questão colocava-se meramente no campo regional: se fosse feriado no Porto, falava mal dos santinhos do Porto (dirigentes desportivos incluídos), se fosse feriado em Lisboa, insultava-lhes os monumentos e gozava com a designação “Alfacinha”.
Quando era feriado noutro desterro qualquer, insurgia-me contra qualquer merda que lá houvesse…
Agora quando toca à religião, convenhamos, nem eu tenho coragem de adoptar discursos muito radicais, porque mais vale prevenir que remediar, e não me apetece passar a eternidade a arder nos caldeirões do inferno. Se bem que a temperatura deve ser mais amena que a de hoje, e aquilo deve ser um corropio de malucas lascivas com baixos padrões... o problema são as doenças venéreas, mas que se lixe... assim como assim, estaria tudo morto… e o que arde cura, certo?
Mas, caramba, aquilo deve ser desagradável, ao fim de algum tempo...
Além disso, se efectivamente existir alguma coisa no outro mundo, eu já vou de certeza parar à Cova da Moura lá do sítio, à conta da minha teoria de que os três pastorinhos não viram porra nenhuma, ou melhor, viram, mas porque:
a) os cogumelos da região são alucinogénicos,
b) se eu saísse de casa todos os dias às quatro da manhã, com nada mais que uma taça de sopas de cavalo cansado no bucho, também veria Nossas Senhoras debaixo de todas as oliveiras. Porra… até via o Elvis…
… de maneira que não vale a pena piorar a situação, ou arrisco-me a ser recebido pelos três pastorinhos armados com pedras e cajados, e terei de passar a eternidade a comer sopas de cavalo cansado com cogumelos, enquanto me roubam o carro…
Entretanto lá fora chove cada vez mais, e eu só consigo pensar neste desgraçado país a dar outra volta na cama, enquanto eu tenho de me aguentar à bomboca.
Eu sei que há malta que vai fazer ponte, enquanto eu nem posso sequer gozar uma trampa de um feriado!!!!!!
Espero que abram as torneiras do céu, este fim de semana! Espero que caia uma quantidade de água igual à dos quarenta dias e quarenta noites, mas desta vez em quatro dias!
Não haverão cacilheiros suficientes para albergar todos esse rabos preguiçosos...
Um dilúvio tão grande, tão grande, tão grande, mas tão grande… que arrebente com as auto-estradas e obrigue os alegres peregrinos de Vilamoura a irem para o Algarve pelas estradas nacionais, caminhos de cabras e Serra do Caldeirão!!!
…nem quero imaginar o texto que vou escrever em Agosto…

2 comentários:
eu avisei que era melhor ires criar galinhas puto.
abraço
A.S.
**#$%"!!&!!!!
Nem penses! Tinha de me levantar ainda mais cedo!:-)
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