terça-feira, 22 de abril de 2008

Sou muito mais giro no HI5

Devo confessar que me rendi às incontáveis possibilidades de interacção social que nos são possibilitadas por aquilo a que os media apelidaram de “Redes Sociais Virtuais”.
Epá… Aquilo é maravilhoso. Com um simples clique do rato, oferecemo-nos - não no sentido de prostitutas vietnamitas - para ser amigos de pessoas que não conhecemos de lado nenhum! E o inverso também é espectacular: com um simples clique podemos aceitar ou recusar as propostas de amizade que nos são oferecidas, por parte de pessoas que não conhecemos de lado nenhum.
O maravilhoso destas coisas é a possibilidade de recusar, dizer não, sem aquele embaraço do contacto pessoal. Imaginem que uma noite vão jantar com um grupo de amigos, que por sua vez levam outros amigos. Mandam as regras de boa educação que pelo menos cumprimentem essas pessoas, mesmo que o seu aspecto não vos agrade, ou pareçam antipáticas. É assim que funciona: temos de aguentar a estopada.

Mas, se houver entre nós e essas pessoas um monitor e um teclado, é tão simples como um clique no rato recusar qualquer tipo de interacção com aquele indivíduo que tem no seu perfil uma foto sua em tronco nú, para exibir tatuagens foleiras, ou aquela miúda que se apresenta a fazer manguitos ao pessoal.
E a coisa é muito mais rápida no que toca a conhecer realmente as pessoas. Normalmente esse processo é coisa para demorar algum tempo. É necessário ir conversando com as pessoas, saber quais os seus gostos, interesses, hobbies e por aí fora e, muitas vezes, depois de termos investido algum tempo com essas pessoas, vemos que afinal não têm nada que nos agrade: gostam de filmes com o Van Damme e o Steven Seagal, usam t-shirts dos Korn, apesar de já terem mais de vinte anos, são apreciadores de tunning, nunca viram o Casablanca e pensam que a trilogia do Shrek foi baseada em factos verídicos.
Ora, com as “Redes Sociais Virtuais” tudo isso deixa de ser necessário. Está tudo escarrapachado no perfil da pessoa que se oferece ou a quem nos oferecemos: filmes preferidos, músicas preferidas, intérpretes preferidos, livros preferidos, e até, pasme-se, citação preferida, sendo que a famosa “Carpe Diem” se revela isso mesmo… famosa. Vá-se lá saber porquê… Não há muita gente a ter o “Clube dos Poetas Mortos” a figurar na lista de filmes preferidos… Já o “Velocidade Furiosa”…
E assim tudo se torna mais simples. Podemos analisar e avaliar os potenciais futuros amigos com base numa série de características, que quando conjugadas nos dão o resultado do quão interessante essa pessoa poderá ser.
Basicamente o que se faz é agarrar nos dados mencionados anteriormente, juntar-lhes a orientação sexual, estado da relação, a finalidade de ter um perfil (conhecer homens, mulheres, fazer amigos, apanhar sífilis, etc), espetá-los numa folha de Excel e calcular o resultado. Simples, e maravilhoso.
Se o resultado, e o feeling – sim, porque também é necessário ter o feeling para descortinar se ele ou ela dará um amigo interessante, e isso normalmente avalia-se pelas fotos – for positivo, ou no mínimo, aceitável, “The beginning of a beautifull friendship” poderá estar a um clique de distância. Antes de decidirmos se queremos entabular conversa com aquela pessoa, podemos avaliá-la pelo seu perfil. No fundo é como termos o nosso próprio departamento de Recursos Humanos para amizades virtuais com pessoas que nunca vimos mais gordas, mas que a partir de agora nos enviarão mensagens de Feliz Natal, Feliz Aniversário, Boas Entradas ou Boa Páscoa.
Respondemos se a pessoa interessa ou clicamos uma nega ao mínimo vislumbre de seca.
E esta forma de conhecer pessoas é muito mais completa e à prova de erro do que conhecer alguém numa noite de copos ou num jantar em casa de amigos. Afinal de contas, quantas pessoas carregam na carteira cento e trinta e seis fotos da sua viagem à República Dominicana? Assim, temos logo a possibilidade de ver a pessoa em bikini, o que é óptimo, pelo menos para mim, que sempre fui demasiado tímido para, quando alguém me apresenta uma rapariga dizer “ Muito prazer, despe lá a roupa para ver o material…
A partir de agora, não torno a abrir a boca para falar com ninguém, nem me interessa conhecer pessoas se não houver um monitor e um teclado entre mim e essa dita pessoa.
Pelo menos nunca mais vou ter de aturar gente que nos dá pancadinhas nos braços enquanto fala connosco….